Um ano depois de fazer história na Rio-2016, ex-jornalista mira ouro olímpico em Tóquio

Matheus Adami/Torcedores.com

Entre 2013 e 2016, a vida de Israel Stroh deu um giro de 180 graus. De jornalista esportivo, ele se tornou uma dos principais nomes do esporte paralímpico no Brasil, a ponte de fazer história nos Jogos Rio-2016. Há exatamente um ano, o paulista de Santos se tornou o primeiro atleta do tênis de mesa do Brasil a conquistar uma medalha olímpica, seja nos Jogos Olímpicos ou Paralímpicos.

“Mudou bastante coisa. A gente carrega o status de jogador que tem uma responsabilidade no esporte do Brasil, uma expectativa por grandes resultados no futuro, por uma medalha de ouro em Tóquio, que é meu grande sonho. E quando a gente pensa em conquistas grandes, as responsabilidades mudam bastante. Preciso ter mais cuidado muito maior com os hábitos, alimentação, sono… Vejo nas pessoas um olhar diferente e isso é o que move o atleta, esse respeito do público. A gente que é atleta joga para os outros, para o país, e esse olhar é o grande combustível”, falou em entrevista exclusiva ao Torcedores.com.

Mas a relação de Stroh com as raquetes e bolinhas vem desde a infância. Como muitas crianças, ele tinha o equipamento e ficava brincando na parede da sala. “Jogava mais para valer na escola. Eu nem tomava o lanche, só jogava. Lembro que joguei um campeonato na escola e tomei um pouco mais de gosto. E Santos tem uma equipe forte de tênis de mesa, quase que automaticamente fui para lá e fiquei de vez. Mas nunca tinha jogado no esporte paralímpico naquela época, era minha diversão, substituição de uma tarde ociosa em casa”, contou.

Entre o primeiro contato com a modalidade e o pódio no Rio-2016, muita coisa aconteceu na vida de Stroh, que hoje tem 31 anos. Em 2006, ele iniciou a faculdade de jornalismo. O sonho era trabalhar na área esportiva. O tênis de mesa, até então, era o esporte que ele praticava e disputava nos Jogos Universitários de Comunicação e Artes, o popular Juca. Em quatro edições, foram quatro medalhas – três ouros e uma prata.

E Israel chegou ao mercado de trabalho. Além de estágios na TV Tribuna, na Federação Paulista de Futebol e no jornal “Lance!”, passou pelas redações de TV Tem, do Terra e novamente do “Lance!”. Em meio às entrevistas de emprego, descobriu que tinha paralisia cerebral. Posteriormente, Stroh deixou o jornalismo. Ou melhor, não teve escolha.

“Tinha planos todos nos jornalismo, sonhava em trabalhar em grandes redações. É uma situação diferente, melhor para mim, porque sempre procurei estudar o que tirar dos entrevistados. E hoje sei o que é bom ser passado, o que é bom os jornalistas ouvirem de mim. Do lado de vocês têm, a gente corneta muito os jogadores, e acho que a minha formação me permite falar um pouco melhor”, completou.

DEDICAÇÃO INTEGRAL

Depois de começar a estudar os principais atletas, Israel começou a se dedicar mesmo ao esporte paralímpico. Em 2013, conseguiu o Bolsa Atleta e passou a viver 100% do tênis de mesa. Antes, porém, teve de convencer a família. “Meu pai ficou um pouco assustado, porque ele foi jornalista, tinha um desejo pessoal de ter um filho jornalista. Minha mãe, não. Mas, na transição, cheguei a ter alguns trabalhos, trabalhei em Sorocaba, em algumas revistas, tive o cuidado de ter a minha fonte de renda com o jornalismo. Não foi algo imediato.”

Uma vez focado exclusivamente nas raquetes, os resultados vieram. Que o diga os adversários que o santista enfrentou no Rio de Janeiro. Ele só foi parado pelo britânico John William Bayler na classe 7 do tênis de mesa paralímpico.

O desempenho não foi somente um marco para a modalidade no Brasil, mas foi o que motivou Israel a seguir em frente para o próximo ciclo olímpico: “Achava possível ser medalhista, mas não pontuei como meta. Queria ser protagonista, mas não pontuei o que é isso. Nas classes andantes, o tênis de mesa nunca passou da primeira fase. Ficaria muito frustrado se, depois da primeira, segunda rodada, ficassem só os estrangeiros jogando diante do meu povo. Minha missão era faser isso não acontecer.”

Enquanto se dedica à faculdade de direito – ele está no primeiro dos cinco anos de curso -, Israel se dedica ao sonho olímpico. Tóquio é logo ali.

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Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.