‘Pai dos protestos’ da NFL detona Trump: “aumenta o abismo que tentamos consertar”

Eric Reid (35) e Colin Kaepernick (7) protestam ajoelhados em jogo do San Francisco 49ers (Crédito da foto: Getty Images)

Safety do San Francisco 49ers, Eric Reid pode não ser tão conhecido por sua performance dentro do campo de jogo de futebol americano. Contudo, o camisa 35 do time da Califórnia ganhou fama mundial por ser um dos “pais” dos protestos que estão marcando as temporadas recentes da NFL e continuam gerando polêmica entre atletas, times e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em artigo publicado no jornal “The New York Times” neste segunda-feira (25), o jogador fez duras críticas ao político.

“É desanimador e enfurecedor que o presidente Trump tenha se referido a nós atletas com insultos e aos neonazistas de Charlottesville, na Virgínia, como ‘pessoas muito boas’. Suas observações são uma clara tentativa de aumentar o abismo que tentamos consertar”, escreveu o atleta no texto.

Em agosto deste ano, um protesto de americanos favoráveis à supremacia branca deixou um morto e 33 feridos. E, no último sábado (23), o presidente americano pediu que os times demitam atletas que façam protestos.

Reid explicou a origem do movimento que, nos últimos dias, tem gerado uma série de críticas de Trump, e reações das ligas de futebol americano e basquete no país.

No texto, o jogador conta que, no ano passado, ficou chocado com o número de notícias envolvendo assassinatos de negros, desarmados, por policiais. A gota d’água para Reid foi a morte de Alton Sterling, em 5 de julho de 2016, na cidade de Baton Rouge – terra natal do atleta. “Me senti furioso, machucado e sem esperança. Quis fazer algo, mas não sabia o que nem como”, escreveu no artigo.

Semanas depois, em agosto de 2016, Colin Kaepernick, à época quarterback do 49ers, ficou sentado no banco de reservas durante a execução do hino nacional em protesto contra racismo. Isso levou Reid a conversar com o companheiro de time para, juntos, pensarem em uma ação mais impactante.

A dupla, então, recebeu a visita de Nate Boyer, ex-jogador do Seattle Seahawks e membro do Exército dos EUA. E, daí, veio a conclusão de que eles deveriam ficar ajoelhados em vez de sentados na hora do protesto. “Escolhemos isso por ser um gesto de respeito. Me lembro de pensarmos que nossa postura seria como uma bandeira a meio-mastro para marcar uma tragédia”, relatou no texto.

SOLIDARIEDADE

Ainda no texto, Reid defende o colega Kaepernick, que sofreu diversas críticas e deixou o 49ers em março de 2017. Desde então, está sem time.

“Todos que têm um conhecimento básico de futebol americano sabem que o desemprego dele nada tem a ver com a performance no campo. É uma vergonha o fato de a liga ter virado as costas a um homem que só fez coisa boa.”

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Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.