Destaque na Copinha, goleiro concilia futebol com crossfit e ajuda na fábrica da mãe

Copinha
Crédito da foto: Reprodução/SporTV

“Não só eu (precisava da força de todas as torcidas), mas minha mãe também. A felicidade que minha mãe ficou, ela me acompanhou em todos os jogos. Aí eu olhava nos olhos dela após os jogos. Chegava a brilhar o olho dela. A gente estava precisando de um ‘up’ na nossa vida por causa (do acidente) da minha irmã. Essa Copinha mudou minha vida.”

Gersinho ao lado de sua irmã, Manu – Foto: Arquivo pessoal

Imagina ter o sonho de jogar na Europa e após um período de testes no Sporting, um dos maiores clubes de Portugal, você é aprovado e tem de voltar para o país meses depois fazer para parte do elenco do time português. Porém este sonho é interrompido após você perder uma das pessoas mais importantes da sua vida… Pois é, esta é uma parte da trajetória de 20 anos do goleiro Gerson, ou Gersinho, do Batatais, que superou este trauma para se tornar um dos destaques do maior torneio de base do Brasil. Mas hoje, ele vive realidade diferente: está no sub-20 sem ganhar salário, e concilia o futebol com crossfit “por fora” e ajuda na fábrica da sua mãe.

Gersinho teve de recomeçar sua vida do zero no futebol após ficar um ano parado por ter desistido do esporte pela morte de sua irmã, Emanuelle. Ele deu o primeiro passo na Copa São Paulo deste ano, quando foi um dos destaques do Batatais e escolhido, ao lado de Pedrinho, do Corinthians, o melhor jogador do torneio.

Após o fim da Copinha, Gersinho não sabia o que seria do seu futuro, mesmo se destacando, e deixou “nas mãos de Deus”. O goleiro, que reside em Jardinópolis, interior de São Paulo, conversou com o Torcedores.com, e revelou que deu seguimento na carreira e concilia o futebol com a ajuda na empresa de sua mãe, Dona Fátima Borghi.

“Ainda estou no futebol. Estou no Batatais, sou titular e o capitão do time. Estou disputando o Sub-20 pelo clube. Por fora eu faço crossfit e ajudo minha mãe, faço a mesma rotina de sempre e vou tocando a vida, né”, explicou Gersinho. “Eu trabalho na fábrica da minha mãe, de confecção de roupa. Eu não trabalho todos os dias, mas sempre que dá eu ajudo minha mãe, que sustenta eu aqui”, completou. 

E é justamente com Dona Fátima uma das cenas mais emocionantes na vida de Gersinho. Nas quartas de finais da Copinha, o goleiro pegou três pênaltis do Botafogo-RJ, que no fim deu a classificação ao Batatais, e ele foi comemorar com a mãe atrás do gol (relembre abaixo). Cinco meses depois, Gersinho afirma que ela ainda vai torcer nas arquibancadas.

“Segue indo, sim (risos). Quando os jogos são longe ela só acompanha de longe mesmo, mas quando é perto ela vai, quando é contra os times que jogamos por aqui ela sempre vai”, ressalta.

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Mas vale destacar que antes mesmo de ser conhecido através da Copa SP de Futebol Junior, Gersinho poderia ter trilhado uma carreira na Europa e quem sabe ser mais um dos brasileiros que se consagraram sem ter sido revelado no Brasil.

“Eu morei em Portugal, joguei no Sporting, de Lisboa. Fiquei um mês e meio, mais ou menos. Eu fui em janeiro de 2015, fiquei até final de fevereiro. Aí voltei pro Brasil, tipo fui acertar os vistos e era para eu voltar no começo de agosto de 2015, mesmo. Ai não sei que aconteceu, atrasou meu visto, não deu certo de eu voltar (no início de agosto)”, relembra o goleiro, que nunca mais retornou à Portugal por causa da fatalidade de Manu, que faleceu em um acidente de carro.

“Era para eu voltar então no dia 26 de agosto. Aí infelizmente minha irmã faleceu quatro dias antes, dia 22 de agosto. Aí eu nem consegui mais, não tinha nem cabeça para isso”, lamentou. “Porque dinheiro eu consigo de outro jeito. Minha mãe do jeito que estava aqui, se ela morre eu não ia conseguir outra mãe, né. Eu fiquei aqui, foi quando eu abandonei o futebol e segui em frente”, completou.

Por tudo que tinha acontecido em sua vida, Gersinho não estava animado para disputar a Copinha deste ano, e não sabe dizer se teria se arrependido caso tivesse dito “não” ao convite do Batatais. Mas de uma coisa ele tem certeza: está animado com sua volta ao futebol. 

“Eu não sabia que ia acontecer tudo isso na minha vida. Porque na fase que eu tava, desanimado do futebol e tudo, depois da Copinha me animei muito mais, continuo treinando firme. Talvez se eu não tivesse jogado a Copinha eu estaria trabalhando, tinha abandonado o futebol antes. Mas agora quero tocar a vida em frente”, destacou.

“Meu sonho sempre foi ser jogador. Sonho de todo jovem brasileiro, pelo menos uma boa parte quer ser jogador, né. Acho que não sou diferente, tenho o sonho de jogar, ganhar bastante dinheiro pra ajudar minha família, ser reconhecido… acho que nem preciso ser reconhecido, mas só conseguir um dinheirinho para poder ajudar minha mãe, tirar ela do serviço, deixar ela de folga viajando já tá bom”, completou.

– TRABALHA NO FUTEBOL SOZINHO APÓS ROMPIMENTO COM AGENTE

Em seu período de testes em Portugal, Gersinho acompanhou a partida do Sporting – Foto: Arquivo pessoal

“Fui para Portugal por meu empresário, antigo empresário, que agora não é mais. Fui para fazer uma avaliação lá e aí passei. Ai eu ia voltar para disputar a temporada lá, ia ficar um ano lá, mas minha irmã faleceu e larguei mão”, disse Gersinho, que hoje atua por conta própria.

“Com o empresário eu rompi, não tenho mais nada. Estou esperando uma oportunidade e hoje estou só com o Batatais mesmo. Estou no aguardo de uma oportunidade de aparecer uma equipe, se Deus quiser”, revelou.

“Ah, acho que dificulta sim (não ter empresário). Mas nada é maior que a vontade de Deus. Se for para ser vai ser”, finalizou.

– JOGA SEM REMUNERAÇÃO NO BATATAIS

A equipe profissional do Batatais é remunerada, diferentemente do Sub-20, e Gersinho ainda não teve a oportunidade de vestir a camisa do time de cima.

“O time profissional recebe, mas eu ainda não tive oportunidade no profissional”, frisou.“Não ganho nada no Batatais. É mais força de vontade da gente mesmo, esperando para ver se aparece a oportunidade de algum time maior”, concluiu.

– CARINHO RECEBIDO NA COPINHA E A QUASE PERDA DA MEDALHA

Gersinho comemora no Tobogã com corintianos – Foto: Arquivo pessoal

Vale ressaltar que o Batatais disputou a final da Copinha diante do Corinthians, no Pacaembu. Em meio aos carinhos dos corintianos com seus jogadores, a torcida também abraçou Gersinho, que relembra com emoção do reconhecimento.

“Eu não imaginava esse carinho (da torcida do Corinthians). Nos outros lugares mesmo, eu chegava para aquecer e pessoal tava xingando, e aí cheguei no aquecimento (para a final da Copinha), os corintianos começaram a gritar meu nome. Aí depois fizeram as brincadeiras deles, mas fui muito saudado pela torcida do Corinthians e fiquei muito feliz”, relembrou o goleiro, que contou que o cordão de sua medalha ainda quebrou.

“Na hora que fui tirar uma foto não sei com quem, que inclusive era na torcida do Corinthians, não sei o que aconteceu. Acho que grudou lá, não sei se eu bati a mão, ela (a cordinha da medalha) arrebentou. Mas já dei um nó nela e ela está aqui na parede do meu quarto”, declarou o goleiro. “É uma medalha que vai ficar para sempre, vai ficar pros meus netos, meus filhos, todo mundo”, completou.

– SONDAGENS PÓS-COPINHA

As atuações de Gersinho chamaram atenção de alguns clubes, que se interessaram pelo jogador. Mas o sonho de vestir uma outra camisa no futebol não deu prosseguimento, por enquanto.

“Na época da Copinha aconteceram umas sondagens. Acabou que não dando certo por questão de contrato. Quem via isso era meu empresário. Eu não sabia de muita coisa, ele só me falava meio por cima. Mas tiveram (sondagens) sim.” 

– SONHOS NO FUTEBOL

“Meu sonho hoje é ir para um time grande, poder levar minha mãe comigo. Um time especifico eu não tenho, o time que me acolhesse bem eu ia ficar feliz.”

– SEUS ÍDOLOS

Gersinho veste a camisa do Batatais e veste a camisa 12. Isso tem um motivo especial: seus ídolos no futebol.

“Marcos e Julio Cesar, são os que mais me inspirei, são os que eu lembro de ter visto jogar. Os dois são minhas fontes de inspiração. ” 



Jornalista. Como todo torcedor também gosto de dar meus pitacos. Fã da seleção italiana, do Milan e do Arsenal.