São Caetano tenta voltar à elite do Paulistão sem lucrar em nenhum jogo em casa

Crédito da foto: Adriano Stofaleti/AD São Caetano

O São Caetano, que foi vice-campeão da Libertadores há 15 anos, está na segunda divisão estadual desde 2014 e busca o acesso pela quarta temporada consecutiva. Essa queda com o passar do tempo foi sentida nas arquibancadas e nos cofres do clube. O Azulão, como é conhecido, tem uma média de público de apenas 692 torcedores por jogo na Série A-2 deste ano. Um cenário que gera prejuízo acumulado de R$ 127 mil nas dez partidas que o time realizou em casa até agora. Ou seja, o time paga para jogar como mandante.

O clube pode voltar à elite do futebol paulista nesta terça-feira (2), às 19h (horário de Brasília), no duelo diante do Rio Claro, no Anacleto Campanella, pela semifinal da Série A-2 do Paulistão. Na primeira fase, o São Caetano fez a segunda melhor campanha no geral, perdendo apenas para outro time do ABC, o Água Santa, de Diadema. O Azulão precisa de qualquer vitória para subir, já que empatou o primeiro jogo em 2 a 2 no fim de semana, em Rio Claro. Novo empate leva a disputa para os pênaltis.

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Foi justamente no “clássico” contra o Água Santa que o São Caetano registrou o maior prejuízo até agora em casa. Por causa do fato de ser um confronto entre duas equipes da região, embora não haja uma rivalidade entre as duas torcidas em um nível como existe entre o Azulão e o Santo André, por exemplo, os custos para a realização do jogo foram altos.

Só com policiamento, o São Caetano gastou mais de R$ 9 mil. O boletim financeiro da partida aponta uma renda de R$ 5,4 mil. O problema foram as despesas todas: o clube gastou R$ 22 mil com segurança, ambulância, taxas, impostos, emissão de ingressos, e tudo se transformou em um prejuízo de R$ 17.279,55.

Nenhum dos dez jogos do Azulão no Anacleto Campanella deu algum lucro ou pelo menos “se pagou”. O São Caetano só teve perdas, e a menor delas foi de R$ 9 mil, em um jogo no qual o clube não teve que pagar por alguns serviços, como antidoping, que não apareceu no boletim financeiro.

Na média, o São Caetano paga R$ 12,7 mil por jogo para atuar em casa. Boa parte do público do time é composta por torcedores que não pagam o ingresso inteiro. Há estudantes, que pagam meia, e também aposentados acima de 65 anos que se registram no clube e podem entrar de graça nas partidas. Com isso, virou tradição: o Azulão faz renda com direitos de TV, vendas de jogadores, mas paga para jogar em sua própria cidade.

Ostracismo nacional

O São Caetano está fora de competições nacionais pela segunda temporada consecutiva em 2017. O clube disputou a elite do Brasileirão entre 2001 e 2006, sendo antes disso vice-campeão da Copa João Havelange de 2000. Após o rebaixamento, o Azulão passou sete temporadas consecutivas na Série B, batendo na trave pelo acesso em 2012, mas caindo para a Série C no ano seguinte, mesma temporada na qual caiu para a Série A-2 no Paulistão.

Em 2014, no primeiro ano de terceira divisão, o São Caetano continuou a série negativa e acabou rebaixado para a Série D nacional. O clube só não caiu para a Série A-3 do estadual porque se salvou em uma combinação de resultados na última rodada. Depois de tantos choques, o time investiu na contratação do técnico Luiz Carlos Martins, conhecido no interior paulista como “O Rei do Acesso”.

Com Martins, o São Caetano parou de brigar contra o rebaixamento, mas o treinador ainda não fez jus ao título recebido em outros momentos da carreira. Em 2015, o time passou boa parte da Série A-2, então disputada em pontos corridos, no G-4, mas caiu de rendimento na reta final e acabou perdendo a chance de subir. No mesmo ano, disputou a Série D sabendo que seria “vida ou morte” no Brasileirão.

Como não tinha como acessar a Série D no ano seguinte por não estar na elite do Paulistão, ou o São Caetano subia para a Série C, ou desapareceria do Campeonato Brasileiro. E foi exatamente essa segunda opção que prevaleceu.

O clube fez a melhor campanha da primeira fase na quarta divisão, passou pelo Coruripe-AL sem problemas nas oitavas de final, mas enfrentou o Botafogo de Ribeirão Preto na decisão do acesso. Perdeu fora de casa por 2 a 1, de virada, e não conseguiu sair do 0 a 0 no Anacleto Campanella, diante de um raro público de 12 mil presentes. Um gol bastava. O time perdeu a vaga no Brasileiro.

Em 2016, o São Caetano disputou mais uma vez como favorito a Série A-2 do Paulistão, mas perdeu no mata-mata para o maior rival, o Santo André, em outra partida na qual o time precisava fazer um gol em casa, mas “morreu” com um 0 a 0 no placar. No mesmo ano, o time disputou a Copa Paulista para tentar conseguir uma vaga na Série D deste ano. Chegou até a semifinal e perdeu nos pênaltis para a Ferroviária, ficando fora mais uma vez do Brasileirão.

Agora, após a Série A-2, o São Caetano poderá disputar novamente a Copa Paulista para tentar garantir o título e uma vaga no Campeonato Brasileiro da Série D em 2018. Caso não consiga, o Azulão estará fora de competições nacionais pelo menos até 2019.



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016. Também colabora com o ONDDA, site "irmão" do Torcedores.com.