Opinião: O passado e o presente juntos

Foto:: Marcos Ribolli/Globoesporte.com
Foto:: Marcos Ribolli/Globoesporte.com

O esporte, e muitas vezes o futebol proporcionam roteiros que nem em Hollywood poderiam ser tão bem escritos. Com muita história, emoção, tristeza, alegria, nostalgia. São milhares de exemplos que sempre acontecem e nos deixam a impressão que não é só coincidência. Cada vez mais acreditamos que existem sim “os deuses do futebol”.

E em 2017, 40 anos depois da final histórica de 77 entre Corinthians x Ponte Preta, onde o Corinthians acabou seu jejum de 22 anos sem títulos, eles se enfrentaram novamente.

Tivemos uma overdose do gol chorado de Basílio, uma volta ao tempo como poucas vezes foi vista. E dois times em situações diferentes, mas que queriam a taça. O Corinthians querendo provar que não era a quarta força do estado, a Ponte querendo seu primeiro título na história e eliminar mais um time grande, após ter deixado Santos e palmeiras para trás.

Dentro de campo, a final foi decidida nos primeiros 90 minutos em Campinas. O 3×0 deixou o Corinthians com a taça na mão. Mas mesmo assim, o último domingo na Arena Corinthians tinha clima de decisão da mesma forma que se o primeiro jogo tivesse sido 0x0.

A história se fez presente, era como se, principalmente para os corinthianos, vivessem aquela final de 77, nas suas devidas proporções. Até o medo de acontecer uma “zica” e o titulo escapar existia na torcida.

Mas o roteiro desse filme reeditado em 2017, fez com que a taça permanecesse com o mesmo dono, assim como também foi em 79 quando se enfrentaram na final do Paulistão.

Um filme que tinha que ter um desfecho com o presente e passado juntos, no gramado comemorando e dando a volta olímpica. O time de 77 junto com o time de 2017. 40 anos resumidos em dezenas de pessoas comemorando ali dentro com dezenas de milhares assistindo na Arena e milhões mundo a fora pela TV.

Passado, presente, ali juntos. Como se os dois fossem um só. E no fim era. Porque todos eram uma coisa: Corinthians.

Se seu passado é uma bandeira, teu presente uma lição, o melhor exemplo vimos domingo. Como num final de filme onde se conquista o tão desejado objetivo, com alegria, lágrimas, superação. Roteiro que mesmo criado há 40 anos, continua sendo vivo e novo, e que quem sabe não pode ser revivido de novo?

Só depende dos “deuses do futebol”. E a eles, o meu muito obrigado. Por conseguirmos reviver uma década que não vivemos, por podermos lembrarmos e reverenciarmos o passado, especialmente quando os autores das proezas antigas ainda estão vivos. Obrigado por fazer do futebol esse filme com roteiro que transcende o tempo, que mesmo recriado, emociona. Que venham muitas mais histórias!