Juca detalha post sobre Eduardo Baptista e cutuca: “Tentou ser analista de imprensa e errou”

Brasileirão
Foto: Reprodução/ESPN Brasil

Nesta segunda-feira, o jornalista Juca Kfouri esteve presente na mesa de debate do programa “Linha de Passe”, da ESPN Brasil, e voltou a comentar sobre o episódio da semana passada em Montevidéu, quando o técnico Eduardo Baptista, do Palmeiras, desabafou contra um post que o comentarista escreveu no seu blog no UOL.

Na publicação, Juca revelou que o treinador tinha se desentendido com o atacante Róger Guedes e que foi o diretor de futebol Alexandre Mattos quem o convenceu a escalar o camisa 23 na segunda partida contra a Ponte Preta pela semifinal do Campeonato Paulista. No texto, o jornalista da ESPN chegou a chamar Eduardo de “maleável”, algo que o treinador palmeirense não gostou.

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O jornalista até chegou a rebater publicamente o técnico do Palmeiras por telefone, na semana passada, após a entrevista coletiva no Uruguai, mas foi nesta segunda mesmo que ele teve tempo para acabar com o assunto.

Em um depoimento logo no primeiro bloco do “Linha de Passe”, Kfouri explicou que ouviu três fontes diferentes para divulgar o post e que o adjetivo maleável não fora usado para rebaixar o treinador, e sim para mostrar o diálogo com Mattos, algo que o próprio jornalista considera positivo.

Entretanto, o comentarista apontou também que Eduardo errou ao tentar impôr que jornalistas revelem suas fontes para o público e também quando citou que a eleição do presidente dos EUA, Donald Trump, aconteceu por causa da influência da imprensa.

Acompanhe, na íntegra, o discurso de Juca!

“Não vou entrar na discussão da (revelação da) fonte, mas tem muita gente que acha que jornalista se esconde atrás da fonte como se fosse foro privilegiado. Não entende que não se se faz jornalismo sem fonte. Se você declarar sua fonte toda vez que faz uma notícia, não haverá mais notícia, porque as fontes vão fugir. O que você faz? Ouve uma fonte. Ouve uma segunda fonte. Ouve uma terceira fonte. Nesse caso específico (da briga de Róger Guedes com Eduardo Baptista), foram três.

O que o Eduardo Baptista não desmentiu no seu desabafo? Que ele brigou com o Róger Guedes e que o tenha tirado da concentração. O que ele não gostou? Que eu o chamei de ‘maleável’, mas que foi o adjetivo que ouvi (das fontes). Que ele foi contratado pelo (diretor de futebol) Alexandre Mattos, porque ele gosta de um treinador que ouça sua opinião e a siga quando ele quer que prevaleça. Assim como foi com o Marcelo Oliveira na época do Cruzeiro.

Ser maleável não é necessariamente uma coisa negativa. Você pode entender por maleável como alguém que ouve. Hoje, no futebol, um diretor de futebol deve ter o direito de conversar com o treinador sobre a escalação do time. O Felipão, por exemplo, submetia sua escalação a José Maria Marín (ex-presidente da CBF e preso por crimes de corrupção investigados pelo FBI).

Então essa coisa do técnico mandar em tudo, para mim, é um modelo superado. O Eduardo não tem nenhuma necessidade de ser analista de imprensa, porque quando o foi, errou.

Em primeiro lugar, ao falar da questão de revelar-se a fonte. Depois com o exemplo da eleição de Donald Trump nos EUA. Na verdade, isso aconteceu não pela imprensa, mas pela falta de imprensa. Ele está confundindo com o fenômeno das redes sociais, que inventaram mil mentiras e, como tinha gente que queria acreditar, acabaram votando no Trump. Então foi pela falta de imprensa, pela falta de jornalismo.

Eu estou nessa estrada há mais de 40 anos. Cansei de ouvir, de ser processado… Só para falar do meu time – eu disse que Itaquera iria para a Lava Jato, e foi. Eu disse que Andrés Sanchez iria para a lava jato, e foi. Eu disse que o estádio seria um grande problema para o Corinthians, e está sendo. Antes eu disse que Kia (Joorabchian) era da máfia russia, e era. Todos me processaram, e faz parte. Mas não é nada que me assuste. Continuo a achar que o Eduardo é um técnico competente e que tem futuro.”



Esportista de hobby, mas jornalista de profissão. Trabalhou como repórter do O Estado de S. Paulo, Revista TÊNIS. Tênis Virtual e CurtaTÊNIS em coberturas nacionais e internacionais de grandes eventos.