Ex-Palmeiras defende dirigentes em momento de pressão com técnicos: “Tem direito de demitir”

Crédito da foto: Márcio Donizete/Torcedores.com

Na última semana, o futebol brasileiro assistiu o técnico Eduardo Baptista ser demitido do Palmeiras, mesmo com quase 70% dos pontos disputados, devido a um mau resultado na Copa Libertadores. A torcida pressionou, Eduardo caiu e Cuca retornou ao clube. O assunto levou polêmica e Toninho Cecílio, ex-dirigente do Verdão e hoje treinador, defende o lado dos diretores em momento de pressão.

Em entrevista ao Torcedores.com, o treinador, que está livre no mercado após saída do Santo André, diz que faltam bons projetos no país e explica por que dirigente tem direito de demitir. “Acho que faltam bons projetos. Acho que não vi ter. Tem o Dorival no Santos, que trabalha com os garotos. Teve o Tite no Corinthians. Tem duas coisas: eu acho que o dirigente tem o direito de demitir, sabe? Lá no meio do campeonato as coisas não estão boas, seis meses sem retorno, acho que o treinador tem que dar resultado”, afirmou Cecílio.

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Dois, três meses não [ é tempo para analisar]. Agora com quatro, cinco meses já é possível ver um trabalho. O treinador não mostra resultado, algo está errado. As coisas precisam ser mais equilibradas“, acrescentou.

Crédito da foto: Fabrício Cortinove/EC Santo André

Toninho Cecílio defende o direito, mas cobra uma melhor formação dos diretores de futebol dos clubes. Ele, inclusive, cita o caso que viveu recentemente no Santo André, onde foi demitido após seis jogos do Campeonato Paulista sendo que o time não esteve na zona de rebaixamento. “Fiz seis jogos pelo Santo André. Assim, eu que subi o time, as pessoas já viram o meu trabalho. A paciência vem de um dirigente preparado. Ele sabe aguentar a pressão, sabe fazer a leitura que o time vai engrenar e ver se o treinador tem o time na mão. Essa leitura poucos dirigentes têm”, declarou.

As federações cobram cursos para os treinadores, mas deviam cobrar os dirigentes de futebol também. Todo mundo que conheço eu falo isso. Exigir do treinador OK, mas exigir um dirigente de futebol preparado também é preciso”, completou.

Responsável pelo acesso do Santo André para a elite do Paulistão, com o título de campeão da Série A2 em 2016, Toninho foi demitido do time do ABC após derrota para o Linense, por 2 a 0, no Bruno José Daniel, mesmo a equipe estando na terceira posição do Grupo C do estadual. A decisão, na visão do treinador, foi de pessoas sem preparo para estar no futebol.

O Carlos Aurino, Sérgio, entre outras pessoas, não tem preparo. Eles foram se salvar faltando cinco minutos para o campeonato acabar e eu não tinha pisado na zona de rebaixamento. É um direito deles, mas não trabalho mais lá. Fui dirigente e sei como são as coisas. Segurei o Caio Júnior no Palmeiras e depois ele engrenou. É filosofia de trabalho“, afirmou, e destacou que não retorna mais ao clube com a atual diretoria. “Eles tiveram medo do campeonato. Um jogo ruim e manda embora. Tiveram medo. Atitude de medo. Com esse tipo de gente não trabalho nunca mais. Nada contra o clube“, concluiu.



Jornalista com passagens pelo Portal R7, Jornal do Trem, Impacto Comunicação, Dialoog Comunicação e Comunicale.