Ex-jogador no Brasil vive experiência de comandar time na Tailândia

Leonardo Neiva - Divulgação Thai Honda

A falta de oportunidade no futebol brasileiro tem levado alguns treinadores a procurar oportunidades fora do país e Leonardo Neiva é um exemplo claro disso. Aos 39 anos ele assumiu na última semana o Thai Honda, equipe da primeira divisão da Liga da Tailândia.

Neiva é carioca e jogou bola até os 24 anos. Atacante, ele acumulou passagens por Bonsucesso, Portuguesa/RJ, Juventude, mas devido à falta de oportunidades, resolveu pendurar as chuteiras e se dedicar a faculdade de Educação Física. Mas, o destino resolveu lhe dar outra oportunidade, como contou ao site Torcedores.com.

“Resolvi voltar ao futebol para trabalhar com divisão de base. Então, em 2007 veio o convite para ser auxiliar do Carlos Roberto de Carvalho (técnico campeão com o Botafogo/RJ em 2006) no América do Rio, que disputava a Série C do Brasileiro. Durante esse tempo ele sentiu confiança no meu trabalho e como foi rei na Tailândia me indicou em alguns clubes. Foi quando surgiu em 2009 um convite para assumir a base de um time na África na Sul. Aproveitei essa oportunidade para fazer um laboratório”, contou Leonardo.

Desde então, nunca mais voltou a trabalhar no Brasil. Foi auxiliar técnico do Márcio Máximo, no Young Africans, da Tanzânia e treinou também equipes na Jamaica, Mianmar e Tailândia.

“As equipes no Brasil só dão valor aos técnicos que foram jogadores famosos. Então quando surge o convite para sair do Brasil você aceita e quanto mais você trabalha fora, mais convites surgem. As propostas no Brasil são ridículas financeiramente, além da falta de estrutura. Por mais que você trabalhe em países que não sejam do ranking da Fifa, a estrutura é ótima. Na Tanzânia temos jogos com 60 mil pessoas. Lógico que não pagam como um time de ponta do Brasil, mas te dão condições de trabalho, como hotel, carro com motorista, passagem para a família”.

Além dos clubes e amigos que fez por onde passou, Leonardo também acumula boas histórias.

“O supervisor do clube de Mianmar chegou com o dinheiro para pagar as despesas da semana. Tinha mais ou menos 8 mil dólares enrolados em um saco plástico. Isso é normal, mesmo sendo um país pobre você pode sair na rua que ninguém toca em você”.

“Já na Tanzânia eles fazem muita macumba. Então antes do jogo, o chefe espiritual vai até o vestiário e faz um ritual com os atletas. Já na Tailândia, antes de todo jogo eles vão ao Templo. Colocam pulseira da sorte em você. Em Mianmar davam frutinhas antes da partida”.

Porém, nesses países, o futebol passa por um momento semelhante ao do Brasil. A falta de resultados imediatos tem deixado a troca de técnicos ficar cada vez mais constantes.

“Aqui fora também existe pressão. Se você perder eles te mandam embora, porém existe o período de transição. O treinador é visto como manager, faz todo um trabalho sistêmico dentro e fora de campo”.

Apesar de ter uma carreira sólida, Leonardo ainda não se sente um profissional realizado e sonha em ter o trabalho reconhecido no Brasil.

“Para me tornar um profissional realizado falta ganhar um título nacional. Ganhei o segundo turno do campeonato da Jamaica. Em onze jogos tivemos sete vitórias e três empates, mas acabamos perdendo o último jogo, e o presidente me tirou. Ele queria escalar o time e eu comecei a barrar os jogadores dele. Então ficou faltando esse título. Preciso vencer para o meu trabalho ganhar confiança. Treinar equipe no Brasil é um desejo, mas o mercado não permite. Hoje seria treinador de equipes sem estrutura. Isso não me agrada”, finalizou Neiva.

Atualmente, Leonardo Neiva treina a equipe do Thai Honda, da primeira divisão da Tailândia. Além dele, o clube conta com mais três brasileiros, são eles: o preparador físico Wilson Toledo, o atacante Ricardo Jesus (revelado pelo Internacional) e Rafael Lima (emprestado pelo Flamengo).