Esporte e mundo islâmico viram olimpíada no Azerbaijão

Abertura da quarta edição dos Jogos Islâmicos da Solidariedade em Baku. Crédito:https://www.facebook.com/baku2017/

O esporte, com seu poder de juntar as pessoas, nem que seja por alguns dias, mostra mais uma vez como é algo único, ao mover países com cultura islâmica a formarem uma olimpíada própria, os Jogos Islâmicos da Solidariedade, que chegam à quarta edição este ano. A abertura do megaevento, que acontece de 12 a 22 de maio, em Baku, capital do Azerbaijão, reuniu 57 países e cinco mil atletas dos continentes africano, europeu, asiático e também, das Américas, com o Suriname e a Guiana Francesa como representantes. E por falar no nosso continente, o Brasil também foi para lá pelos lados do mar Cáspio. Mas não é nenhum atleta muçulmano que disputa uma das 21 modalidades disponíveis nos Jogos, e sim, o paulista Daniel Robles.

Robles, que está a um pouco mais de dez dias na capital do país, foi convidado pelo seu gerente nos Jogos Rio 2016, Craig Holland, a trabalhar no evento do Azerbaijão na área de serviços aos espectadores. “O pessoal aqui ainda tem pouca experiência em megaeventos, e a organização dos Jogos Islâmicos convidou uma série de pessoas com experiências anteriores para ajudar. Vim como gerente nesta área, e cuido desde a hora que o espectador chega, seja qual for o meio de transporte que ele utiliza, até os serviços dentro do estádio, como acesso, direcionamento aonde ele vai sentar e outras necessidades, como comida, bebida e até atendimento médico”, conta. Os trabalhadores estrangeiros e pouco familiarizados com o universo islâmico, como ele, apenas receberam como instrução evitar tocar as pessoas, já que é um costume local o contato físico próximo, especialmente entre homens e mulheres desconhecidos.

Apesar de ser um país novo, que se formou após a queda da União Soviética, em 1991, o Azerbaijão tem se destacado por sua política agressiva de levar eventos esportivos de grande porte ao país, como a Fórmula 1, e os Jogos Europeus, realizados por lá em 2015. O país também se destaca em modalidades de luta, como a greco-romana e o zurkaneh, modalidade que mistura dança, performance com aparelhos musicais e de força, e é exclusivamente praticado por homens. Para a realização da quarta edição dos Jogos Islâmicos, que já passou pela Arábia Saudita (2005), Irã (2010), e Indonésia (2013), a organização azeri, nome dado a quem é do Azerbaijão, reservou 16 instalações esportivas ao redor da capital, que concentra quase 2,5 milhões dos pouco mais de nove milhões de habitantes do país.

Para Robles, com experiência em Copa do Mundo e Olimpíadas, trabalhar em um evento assim é muito enriquecedor. “Nós estamos em uma Torre de Babel aqui na organização. Além de mim, tem quatro brasileiros, italianos, azeris, americanos. A língua local é muito difícil de entender, mas o pessoal é muito receptivo e quando aparece o nome Brasil, querem falar sobre futebol”. Daniel ainda completa que a imagem geralmente preconceituosa que se faz do islamismo, de gente com uma cultura fechada, logo desapareceu após sua chegada ao Azerbaijão.”Baku é uma cidade bem liberal e tranquila, nada diferente do que estamos acostumados no mundo ocidental. Eu já trabalhei em eventos em Dubai, e tinha mais gente vestida como árabe do que aqui”.

Ele ainda conta sobre algumas curiosidades sobre os jogos, como o fato de que os países participantes não têm maioria muçulmana e nem precisam ter.Para o país participar dos Jogos Islâmicos da Solidariedade, basta que um dos suas federações esportivas seja vinculada à federação islâmica, assim como os atleta, que precisam ter esse vínculo e podem ou não seguir à religião islâmica. “A religião é apenas a base de união do pessoal aqui para realizar os Jogos”, aponta o brasileiro, que ainda detalha que os organizadores trabalham com a expectativa de receber 60 mil pessoas no encerramento do megaevento, no próximo dia 22 de maio.

Para acompanhar o que rola direto dos Jogos Islâmicos da Solidariedade, basta acessar as redes sociais do evento pelo site Baku 2017.