OPINIÃO: o Celta ensinou ao mundo a palavra “Afouteza”

O Celta de Vigo perde a semifinal da Europa League para o Manchester United, mas cai como um gigante e tornou o “Teatro dos Sonhos”, como é conhecido Old Trafford o lugar onde o Celtismo pode sonhar por alguns minutos.

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“Afouteza” significa valentia em galego, essa palavra não apenas faz parte do hino do Celta de Vigo, como também, é parte intrínseca da cultura galega, do povo galego, que historicamente sofreu com a imigração, com a pobreza, com a diáspora da sua gente, da “morriña”, que é a saudade da terra e com a censura cultural e linguística.

O Celta, a sua maneira, demonstrou isso, não apenas na partida de hoje, porém nos últimos anos de sempre bater de frente com os grandes, de quebrar paradigmas, como na goleada contra o Barcelona 4-1, em Balaídos há quase dois anos, na eliminação do Atlético de Madrid na Copa do Rei na temporada passada e eliminando o Real Madrid nas quartas de final da temporada atual.

Obviamente, hoje não estaríamos falando sobre isso se não fosse pelo ótimo trabalho de Eduardo “Toto” Berizzo, que deu continuidade ao bom trabalho de Luis Enrique antes de ir para o Barcelona e levou a equipe em outro patamar competitivo.

Como foi notável na partida de ontem, mesmo sofrendo o 1-0, a vontade de fazer história, de dar alegria a sua torcida, que literalmente comeu o pão que o diabo amassou nos 5 anos na segunda divisão, inclusive flertando com a sua extinção porém pouco a pouco veem o crescimento do time. Torcida que literalmente invadiu Manchester mesmo em desvantagem, pois acreditavam na sua equipe, na virada e com motivos, pois Roncaglia empata o jogo aos 40 minutos do segundo tempo, dando esperanças na virada. E assim tentaram, chegaram perto, muito perto, pois nos últimos segundos, Guidetti perde uma chance clara de gol, que poderia ser um dos gols mais importantes da história do Celta de Vigo.

Junto com a dor da eliminação, a sensação que poderia ter chegado a final, também vem o orgulho, o sentimento de “cair de pé”, de lutar até o final sem renunciar a filosofia do futebol de posse, associativo, ofensivo, mesmo gerando alguns prejuízos defensivos, mas lutaram com a mesma valentia do imigrante que saiu da sua terra rumo ao continente desconhecido e da vida incerta. Queiram ou não, esse time tornou-se o reflexo da sua gente.

Deixo dois momentos chave sobre este eliminatória para o Celta, a imagem de tristeza de Iago Aspas (imagem dessa publicação) e o alento da torcida aos jogadores após o jogo, que voltaram ao gramado para agradecer o apoio incondicional, o momento de consolo, a tristeza com o orgulho.

Muitas manifestações de apoio ao clube e à torcida nas redes sociais, inclusive de outros clubes, como Alavés, que derrotou o Celta na semifinal da Copa do Rei, a imprensa também se manifestou.

 

 

Honroso também ver o reconhecimento dos rivais, Juan Mata declarando respeito ao Celta pela eliminatória feita. Até José Mourinho se rendeu e afirmou que o Celta foi uma equipe superior e que se estivesse no outro lado sairia triste mas com a cabeça erguida e de peito cheio.

Independente da derrota, o objetivo do clube fosse cumprido, ensinar o mundo o significado da palavra “Afouteza”.