‘Dei R$ 400 mil pra que ele não revelasse ser gay’: a história dos irmãos que quebraram tabus no Inglês

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Nesta terça-feira, será lançado no Festival de Documentários de Toronto, um filme que promete agitar o futebol inglês. O documentário “Forbidden games” (“Jogos proibidos”) conta a história dos irmãos John e Justin Fashanu, que quebraram paradigmas no Campeonato Inglês.

John e Justin era filhos de africanos e foram adotados por um casal inglês, da cidade de Norfolk. Durante a vida eles passaram por diversos preconceitos, que acabou em tragédia.

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“Se você visse um cara negro era uma foto do Michael Jackson em algum lugar, ou talvez, só talvez, se tivesse sorte, de Muhammad Ali… Eles foram os únicos negros que vi na vida até eu fazer uns 18, 19 anos”, relembrou John, em entrevista ao jornal The Guardian.

A forma mais fácil de alcançar o sucesso era se tornar jogador de futebol e foi isso que eles fizeram.

“Era a maneira mais fácil da gente ganhar dinheiro, e nós ganhamos bastante. Não havia banqueiros e advogados negros, nada do tipo. Nós sabíamos que a única maneira de ganharmos dinheiro era cantando, dançando ou jogando bola. Simples assim”.

Nessa época os dois eram muito unidos e protegiam um ao outro. Porém, no inicio dos anos 90, Justin resolveu assumir que era gay e se tornou o primeiro atleta abertamente homossexual.

Justin começou no Norwich e passou por equipes como Nottingham Forest, Manchester City, West Ham e Newcastle, além da seleção inglesa sub-21.

Ele sofreu muito preconceito depois de sair do armário, inclusive do seu irmão, John, que não queria que o atleta tivesse se revelado gay e chegou até a oferecer dinheiro para que ele não fizesse isso.

“Disse a ele: ‘Te dou 100 mil libras se você ficar calado. Eu temia que as pessoas achassem que eu era gay também. John Fashanu, Justin Fashanu, J e J… Eu era um cara durão, jogava em um time de caras durões (o Wimbledon), como Vinnie Jones e Dennis Wise. Eramos um time durão, com aquela imagem de machos fortes, e as pessoas que gostavam do nosso time adoravam isso. De repente, meu irmão faz isso! Naquele tempo, achei absurdo”, declarou John.

“Na infância, ele foi meu pai e minha mão. Era minha luz brilhante. Minha vida. Tornou-se meu arqui-inimigo”, acrescentou.

Justin, no entanto não conseguiu lidar com toda a pressão de ter saído do armário e em 3 de maio de 1998 ele foi encontrado morto após ter se enforcado dentro de uma garagem em Londres. Ele tinha 37 anos.

“Eu cheguei à conclusão que sou considerado culpado. Não quero causar mais constrangimento para meus amigos e família”, escreveu o jogador, em sua carta de suicídio.

Na entrevista, John disse que se arrepende de ter sido preconceituoso. Hoje ele é empresário.

“Fico triste em pensar que à época eu não entendi todos os desafios pelos quais Justin estava passando. Um pouco mais de entendimento e carinho podiam ter mudado muitas coisas”, revelou.