Visão do Repórter: Palmeiras vive sofrimentos desnecessários com Eduardo Baptista

Eduardo Baptista
César Greco / Ag.Palmeiras / Divulgação

O Palmeiras está eliminado do Campeonato Paulista, competição na qual era amplamente favorito, pois tem um dos melhores elencos do Brasil. E caiu diante da Ponte Preta, que nem em sonho tem as condições financeiras do Verdão. Não se pode atribuir apenas às “coisas do futebol”, ou à “injustiça do mata-mata”. O Palmeiras caiu fora muito porque o técnico Eduardo Baptista ainda não sabe como lidar com a qualidade do grupo que tem nas mãos.

O jogo de ida, que foi a partida que sacramentou a classificação da Ponte Preta, é uma aula de como Eduardo Baptista está perdido no comando do Palmeiras. Viu a defesa que ele dizia ser forte, baseado em números enganosos da primeira fase bem fácil do Paulistão, sofrer dois gols em menos de 10 minutos. E ainda tomar mais um antes do intervalo. Nada fez.

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Diante da Ponte, em Campinas, o treinador do Palmeiras tão estático quanto Luiz Felipe Scolari no 7 a 1. Sorte alviverde que a Macaca não teve o mesmo ímpeto alemão, nem tinha a superioridade para isso. Mas a (falta de) atitude de Eduardo Baptista ficou clara naquele jogo, que ainda foi marcado por uma briga entre um membro da comissão técnica, Omar Feitosa, e um jogador do banco, Thiago Santos, que recebeu cartão amarelo por reclamação sem entrar em campo.

Não foi um “apagão” em Campinas. O time do Palmeiras tinha condição de perceber o domínio da Ponte no 2 a 0 e reagir. Não o fez. Parecia não estar ligado na importância que uma final estadual teria para a continuidade da temporada. Quando percebeu, já estávamos no meio da semana que antecedia ao jogo da volta, com mais de 30 mil ingressos vendidos e a torcida prometendo (e cumprindo) encher o CT para demonstrar apoio nos treinos.

Na partida deste sábado, a primeira vitória da história do Palmeiras sobre a Ponte Preta no Allianz Parque, o Verdão só conseguiu fazer um gol. No fim do jogo, e com um lance bizarro, no qual o goleiro Aranha saiu mal e a bola sobrou para Felipe Melo encostar nela para a meta. Pouco, muito pouco para o tamanho do elenco do Verdão.

Eduardo Baptista mexeu mal, não deveria ter tirado Tchê Tchê para a entrada de Michel Bastos. O lateral Jean, que estava jogando mais avançado devido ao 3-4-3 improvisado com Felipe Melo atuando como terceiro zagueiro, andava muito mal em campo, poderia ter sido ele o substituído.

O treinador demorou uma eternidade para perceber que Borja andava em campo, não conseguia perceber a temperatura do estádio, a expectativa da torcida, e botava mais uma péssima atuação em sua lista recente. Quando trocou o colombiano por Willian, já fazia pelo menos 10 minutos que o estádio inteiro pedia pelo nome do reserva.

Poderia ter aproveitado melhor o tempo, poderia inclusive ter tirado o atacante quando a torcida estava menos raivosa. O resultado foi uma vaia que irritou demais Borja, que saiu chutando copinhos de água e reclamando por mais uma substituição no Palmeiras.

Todos esses sofrimentos que eu citei no texto poderiam ter sido evitados por Eduardo Baptista nos dois jogos contra a Ponte Preta. Como há vários outros nos jogos da Libertadores contra Jorge Wilstermann e Peñarol, com vitórias suadas nos acréscimos em casa, e que agora serão os próximos adversários do time na competição continental. Na próxima quarta (26), o Verdão vai encarar os uruguaios, que estão engasgados com a confusão no 3 a 2 do Allianz Parque. Uma derrota não agrava a situação do time, mas joga mais pressão para o duelo contra os bolivianos na semana seguinte.

Eduardo Baptista foi bancado até o fim do ano pelo presidente Maurício Galiotte após o jogo contra a Ponte Preta. Mas todos nós aprendemos que palavra de qualquer dirigente do futebol brasileiro é sempre válida apenas até a partida seguinte. Se o Palmeiras continuar sofrendo pelas escolhas do treinador, é o treinador quem será alvo de escolhas do Palmeiras.



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016. Também colabora com o ONDDA, site "irmão" do Torcedores.com.