Tiros ficaram para trás. Cadeirantes dão exemplo de prática esportiva no Arnold Classic

Matheus Chaves Melo/Torcedores.com

O Arnold Classic está em São Paulo. A reportagem do Torcedores.com esteve presente no evento e conversou com três cadeirantes que estavam praticando esportes no local. Eles mostraram ser exemplos de superação. Tiros na coluna que os deixaram sem andar ficaram para trás.

Sérgio Gatto, 50 anos, é ex-jogador de tênis e atualmente é técnico de tênis para cadeirantes. Sérgio ficou cadeirante após levar um tiro na coluna aos 23 anos. Ele deu a volta por cima e é mais um exemplo de superação.

LEIA MAIS:
SAIBA O QUE OS ATLETAS E VISITANTES ESTÃO ACHANDO DO ARNOLD CLASSIC
SÓ FITNESS? ARNOLD CLASSIC TEM DIVERSAS OPÇÕES PARA SE ALIMENTAR, VEJA

Matheus Chaves Melo/Torcedores.com

Sérgio começou jogando basquete na cadeira de rodas. Depois voltou para o tênis e em 1997 assumiu o cargo de diretor da Confederação Brasileira de tênis de cadeira de roda no Brasil. Em 2005, ele se tornou vice-presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro. Em 2008, conseguiu levar o Brasil para ficar entre os dez melhores nas Paralimpíadas de Pequim.

Hoje, Sérgio faz parte do projeto da prefeitura de São Paulo chamado atitude Paradesportiva, que acontece no Clube Esperia. Três vezes por semana acontecem aulas gratuitas para quem quiser jogar tênis sobre cadeira de rodas.

“Tem um período de adaptação que varia de 1 ano e meio a 3 anos. Mas o esporte me ajudou muito e me readaptou na sociedade. Eu já era tenista antes de ficar de cadeira de rodas. A minha maior dificuldade foi entender todo o movimento da cadeira. mas é treino. É questão de treinar para aprender tudo e ser um bom jogador”.

Vilma de Fátima Miranda, 50 anos é outra grande personagem. Ela levou um tiro na coluna e ficou na cadeira de rodas. Depois disso, começou a jogar basquete. Através do esporte, se reabilitou.

Matheus Chaves Melo/Torcedores.com

“Hoje eu faço até mais coisas do que eu fazia antes. Depois que a gente fica na cadeira de rodas a gente descobre que pode fazer tudo. Faço tudo sozinha”.

Vilma jogou durante 15 anos pela seleção brasileira de basquete. Disputou Paralimpíadas, dois mundiais. Hoje, ela joga pelo time de Indaiatuba.

“Muitas pessoas acham que o deficiente não pode praticar um esporte. É só ele ter a oportunidade que ele consegue ser um atleta de alto rendimento. Eu também já sou. Já tenho 30 anos de deficiência”, concluiu.

Paulo Polido, 38 anos. Hoje é profissional, tem patrocínio e parcerias. Pratica automobilismo na Granja Viana. Treina com grandes pilotos como Rubens Barrichello e Tony Kanaan. Disputa o Campeonato Paulista de kart adaptado. Ele está lutando para desenvolver novos campeonatos. Quando tinha 18 anos, Paulo sofreu um acidente fazendo motocross, em 1998, e ficou na cadeira de rodas. Depois quis fazer esporte adaptado a motor e começou a correr no Kart adaptado.

Matheus Chaves Melo/Torcedores.com

“No começo atrapalha um pouco a questão da adaptação. Tive que aprender tudo novamente. É uma experiência única. Quando se está no Kart você não sabe quem é deficiente ou não. Fazemos esporte para mostrar que o deficiente pode praticar, pode sair de casa e viver a sua vida. Não podemos deixar o livro da nova vida em branco, vamos escrever novas histórias e se superar a cada dia”.