“Seguranças jogaram barras de ferro em nós”, relata palmeirense no Uruguai

Reprodução/TV Globo

A confusão generalizada após a vitória do Palmeiras por 3 a 2 sobre o Peñarol, em Montevidéu, na última quarta-feira, também invadiu as arquibancadas. Torcedores uruguaios tentaram invadir o setor visitante para agredir os palestrinos e membros da Mancha Verde, com grades, se defenderam de pauladas, pedradas, barras de ferro e até latas de lixos jogadas em sua direção.

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Gabriel Santoro, torcedor fanático do Verdão, era um dos que estavam no Uruguai e relatou que os uruguaios tentaram invadir também pela rua. O palmeirense não é membro da Mancha Verde, principal uniformizada do clube, mas elogiou a coragem dos integrantes da torcida que se arriscaram na defesa de praticamente todos os fãs palmeirenses no estádio.

De acordo com o palmeirense em depoimento exclusivo ao Torcedores.com, não havia esquema de Polícia Militar no estádio e os próprios seguranças contratados pelo Peñarol que deveriam protegê-los se juntaram aos torcedores uruguaios para a briga após o jogo.

A seguir, confira o relato de tensão do torcedor do Palmeiras:

A torcida do Peñarol foi muito bem-recebida em São Paulo. A Mancha Verde recebeu a organizada deles lá na quadra (da escola de samba) da melhor forma. Eles não foram hostilizados, até porque não tinha uma rivalidade para isso. Entendia-se que, no Uruguai, teríamos o mesmo tratamento, mas não aconteceu. Já na cidade (em Montevidéu), no primeiro dia, percebemos que o clima estava tenso, mas nada absurdo. Tanto que chegamos no estádio tranquilamente.

Quando o Peñarol marcou 2 a 0, os torcedores soltaram duas bombas em nós. Uma após o primeiro gol, e outra após o segundo. A primeira não caiu perto de ninguém, mas a segunda caiu no meio da bateria da Mancha. Daí a torcida do Palmeiras se irritou, porque não era só a Mancha que estava lá. Havia também casais, pessoas mais velhas, crianças. E se a bomba pegasse em alguém?

Naquele momento, mesmo assim, ficou só no xingamento à beira da grade. Tinha uma espécie de “faixa de Gaza”, que separava o setor de visitante para o deles -, mas percebia-se que os seguranças, aqueles de colete alaranjado na TV, eram praticamente torcedores do Peñarol. Estavam xingando a gente também.

Quando o jogo acabou, os torcedores deles foram todos para a grade, começaram a chutar, xingaram a gente e jogaram uma terceira bomba. Daí pularam a “faixa de Gaza” e já vieram para o outro lado. A Mancha Verde se preparou ali embaixo e se juntou para fazer uma contenção daqueles que queriam invadir o nosso setor. Daí voaram pedras, não sei de onde eles tiraram essas pedras, e a Mancha conseguiu colocar os caras para correr. 

Quanto esses torcedores correram para cima, aquilo fez com que todo estádio se revoltasse e viesse contra nós. Daí a coisa ficou fora de controle. Eles estavam com cavaletes de ferro, começaram a bater na grade, jogavam pedras, lixeiras, enfim pegavam qualquer tipo de arma. Até os próprios guardas estavam jogando coisas na gente. Os seguranças jogavam pau, barra de ferro, tudo isso na nossa direção. Aquilo que passou na TV só foi parte da briga. Havia também no corredor e na rua, essa última que foi a pior. 

Atrás da arquibancada, havia uma rua por onde eles passavam. Quando a coisa estava pegando fogo, começaram a quebrar tudo e jogavam pedra no nosso setor. O pessoal da Mancha pedia para não jogarem de volta. A ideia era conter as armas, porque estávamos em número bem inferior. Daí a nossa torcida se dividiu nessas três frentes para tentar evitar essa invasão.

Fiquei na frente de conter o pessoal que queria subir da rua. Vi tanta gente lá fora que achei que ia acontecer uma tragédia. A Mancha já estava recuando em direção ao anel superior, porque grande parte dos torcedores correu para lá.

A TV ñ mostrou mas a torcida do Peñarol tentou invadir pela rua também; foram 3 pontos de contenção pra segurar a fúria dos caras… tenso! pic.twitter.com/tNMf40rGN8

— Gabriel Santoro (@gabrielsantoro) 28 de abril de 2017

Foi uma contenção necessária da Mancha que, em nenhum momento, quis agredir. Era tudo autodefesa. As pedras jogadas para a rua eram para conter aqueles que queriam subir o morro, porque eles derrubaram a grade e estavam quase invadindo com pedras e porretes. A Polícia não existia no estádio, eles só foram chegar bem depois. Os próprios seguranças estavam jogando coisas na gente. Foi tudo premeditado. 

Quando a Tropa de Choque do Uruguai chegou, a Mancha estava acuada na escada tentando subir o anel. Ao contrário do que é a Choque em SP, que começam a bater, eles pediram para a gente se afastar um pouco e começaram a soltar balas de borracha na rua. Mas não foi fácil segurar os torcedores do Peñarol. Eram tantos torcedores que vi muito policial apanhando. Foi uma coisa surreal, por pouco não acontece uma tragédia.

GABRIEL SANTORO, torcedor do Palmeiras que estava em Montevidéu no jogo entre Peñarol x Palmeiras



Esportista de hobby, mas jornalista de profissão. Trabalhou como repórter do O Estado de S. Paulo, Revista TÊNIS. Tênis Virtual e CurtaTÊNIS em coberturas nacionais e internacionais de grandes eventos.