PAPO TÁTICO: Como o Botafogo complicou um jogo que poderia ter vencido sem sofrer muito

Crédito da foto: Reprodução / Twitter Oficial da Conmebol

Que o torcedor alvinegro não fique irritado comigo. O pontinho conquistado diante do Barcelona de Guayaquil deve sim ser comemorado ainda mais quando o Botafogo lidera seu grupo na Copa Libertadores da América com quatro pontos de vantagem para o terceiro colocado. No entanto, é preciso relembrar as sábias palavras de Muricy Ramalho: a bola pune. E pune mesmo. De verdade. Vimos um Botafogo jogando com intensidade e usando bem os lados do campo dominar as ações em boa parte do primeiro tempo no Equador, mas que sentiu as oportunidades desperdiçadas (incluindo um pênalti pessimamente cobrado por Camilo) diante de uma equipe inferior tecnicamente. O Botafogo foi muito superior ao Barcelona de Guayaquil. Mas acabou tropeçando na própria afobação. Ficam as lições para a sequência da Libertadores (que é uma das competições mais traiçoeiras do mundo) e para a sequência da temporada.

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É praticamente impossível falar da partida desta quinta-feira sem mencionar o pênalti perdido por Camilo no início da primeira etapa e o gol incrivelmente perdido por Rodrigo Pimpão. Mesmo jogando melhor (no mesmo 4-3-1-2 / 4-4-2 utilizado por Jair Ventura no ano passado) do que o Barcelona, o time do Botafogo sentiu as chances desperdiçadas e acabou caindo na pilha dos adversários. Os espaços generosos à frente da zaga formada pelos atrapalhados Dario Aimar e Jefferson Mena eram um convite ao toque de bola e à intensidade dos comandados de Jair Ventura, que seguia perdendo chances de abrir o placar. Não demorou muito para o Barcelona abrir o placar numa bela jogada de Christian Alemán, o melhor jogador da equipe equatoriana na partida e responsável pela criação das tramas ofensivas da sua equipe. Faltavam ao Botafogo a calma e a frieza que sobraram em 2016 para matar a partida no Estádio Monumental. E o time pagava o preço pelas chances desperdiçadas.

Mesmo atuando de maneira mais organizada, o Botafogo sofreu com as chances desperdiçadas, sentiu o pênalti desperdiçado por Camilo e acabou sofrendo o gol do Barcelona num dos únicos cochilos da defesa durante toda a partida. O 4-3-1-2 / 4-4-2 bem armado e intenso de Jair Ventura superou o desorganizado 4-2-3-1 de Guillermo Almada.

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O time voltou do intervalo repetindo a mesma sequência de erros da primeira etapa. Embora fosse mais intenso e jogasse com mais qualidade, o Botafogo seguia errando no último passe e perdendo o controle dos nervos. O panorama só começou a mudar quando o rápido Marcos Caicedo deixou o campo lesionado e quando Jair Ventura resolveu dar mais velocidade ao time apostando em Sassá, Guilherme e Fernandes nos lugares de Roger, Rodrigo Lindoso e Emerson Santos. Vale destacar também a inexplicável entrada de Ariel Nahuelpán (aquele mesmo que jogou no Internacional) no lugar de Christian Alemán. E mesmo assim, o empate só veio depois da tola expulsão de Jefferson Mena e do pênalti ainda mais tolo cometido pelo zagueiro Xavier Arreaga. O atacante Sassá foi decisivo mais uma vez e empatou a partida (com direito a mais uma “Sassarrada” no ar), mostrando a calma e a frieza que sobrou em 2017 e que faltou a todo o time alvinegro nos momentos mais decisivos do jogo no Equador.

As entradas de Guilherme e Sassá melhoraram a produção ofensiva do Botafogo. Mas o empate diante do Barcelona de Guayaquil só veio depois da saída de Marcos Caicedo e do pênalti bobo cometido por Xavier Arreaga.

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O Botafogo foi sim valente e buscou o gol a todo o instante, antes e depois das substituições. Mas a impressão que ficou é que o time complicou um jogo que poderia ter vencido sem muitas dificuldades caso tivesse aproveitado todas as oportunidades. E olha que a defesa do Barcelona de Guayaquil protagonizou lances dignos dos tempos áureos dos Trapalhões em vários momentos da partida. Camilo sentiu demais o pênalti perdido e não esteve bem mais uma vez. Aliás, o camisa dez do Fogão anda devendo nesse ano de 2017. E por mais que se fale do “sacrifício” que o jogador faz para atuar numa posição que é a sua, a verdade é que o CaMITO precisa recuperar o bom futebol e (por que não?) se adaptar a uma nova função para que Jair Ventura possa utilizá-lo ao lado de Montillo no meio-campo alvinegro (relembre a nossa análise sobre Montillo e Camilo jogando juntos clicando aqui). A fase de Camilo preocupa. Ainda mais com a fase de grupos da Libertadores chegando num momento decisivo.

Apesar de ter errado muito num jogo em que poderia ter vencido de goleada, o Botafogo ainda é um dos times mais “encardidos” do Brasil. O trabalho feito por Jair Ventura salta aos olhos. O Glorioso joga hoje um futebol de qualidade em todos os seus setores. Se o ataque não funciona (caso da partida contra o Barcelona), a defesa segura a onda e dá o respaldo necessário para o time continuar pressionando em busca do gol. E isso com o treinador modificando o esquema tático durante as partidas sem que o time perca qualidade em nenhum dos seus setores. O Botafogo é hoje um time MUITO difícil de ser batido.



Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.