Opinião: O lento GP da Rússia traz reflexões sobre o papel de Bottas na F1 2017

Valtteri Bottas / Twitter

A 4ª etapa da F1 2017, no GP da Rússia, neste domingo (30), consagrou a primeira vitória de Bottas na categoria em toda a carreira.

Foi avisado com antecedência que o GP da Rússia poderia não ser tão emocionante assim, pelo fato do Autódromo de Sochi (ou “autorama”) ter apenas 2 pontos consideráveis de ultrapassagens, sendo um deles praticamente impossível de se conseguir ultrapassar algum carro, ainda mais com os carros da temporada 2017 que dificultam o manuseio dos pilotos nos circuitos.

Em Singapura, os pilotos conseguiram enfrentaram uma pista mais aberta, possibilitando ultrapassagens em espaços bem pequenos, com muita vontade e disposição dos mesmos. Os pilotos até demonstraram vontade e tentaram, mas o “autorama” russo proporcionou uma corrida lenta e modorrenta, com 56 voltas de puro “passeio”.

Antes da bandeira verde, um dos momentos mais interessantes da corrida atrasou a largada; a McLaren de Fernando Alonso resolveu “quebrar” antes mesmo da corrida começar. Parece que não foi uma boa ideia o piloto espanhol ter elogiado as “melhorias” no carro durante o Q1 do último sábado (29), pois não conseguiu mais pilotar o carro depois disso.

Na largada, uma intensidade na disputa pela liderança, que terminou com Bottas ultrapassando Sebastian Vettel após mais uma grande largada técnica e fechou a primeira volta na P1. Vettel acabou ficando na P2, com a P3 sendo disputadas por Raikkonen, Hamilton e Verstappen, que dividiram uma linha (os 3 carros) na reta principal. Acabou que o finlandês Raikkonen ficou com a P3, com Hamilton na P4 e Verstappen na P5.

Ainda na largada, na primeira curva, um acidente ocasionou o único safety car do dia, com Palmer sendo tocado e tendo o carro desestabilizado, que acabou por encostar na traseira do carro de Grosjean, levando ambos ao fim precoce de corrida e um princípio de discussão. Triste para o Palmer, que pela 2ª vez na temporada acabou sendo prejudicado. Ainda antes do safety car deixar a pista, Stroll deu mais uma “strollada” e rodou sozinho.

Depois da 1ª volta, a corrida voltou a ser alguma ação apenas na 22ª volta, quando os pilotos começaram a ser chamados pelas equipes para a troca dos pneus dos carros, de macios para super-macios, com exceção dos carros da Ferrari, que andavam com os pneus “vermelhos” desde o princípio, pois seus carros rendiam melhor que os da Mercedes, comprovadamente, com este jogo de pneus.

Todavia, na última parada, Vettel ganhou o desafio de tentar ultrapassar Bottas, que havia retornado à sua frente. O carro permitia que o piloto alemão ultrapasse o finlandês e vencesse a corrida, mas fatores externos acabaram por prejudicar sua estratégias. Primeiro, o mecânico responsável pelo pneu dianteiro direito teve problemas no encaixe. Depois, nas voltas finais, acabou tendo problemas ao ultrapassar o retardatalho brasileiro Felipe Massa, perdendo tempo e não sendo mais permitido usar o DRS. Por último, talvez a Ferrari tenha errado os cálculos de parada para o alemão.

Todos os fatores externos atrapalharam Vettel, somado a uma atuação segura e eficiente de Bottas, O piloto finlandês não cometeu erros e alcançou sua primeira vitória da carreira na F1. A corrida para ele pode ter sido excelente, e realmente foi, pois estava brigando por condições melhores na categoria faz tempo e finalmente pode ter seu potencial explorado.

Mas, para o público geral, certamente tivemos neste domingo (30) a pior corrida da temporada. Ainda sobrou tempo para uma polêmica pós-corrida, por conta de Vettel ter mostrado “o dedo” para Felipe Massa nas voltas finais. Declarações provocativas de ambos os lados nas entrevistas logo após a corrida, as quais foram minimizadas depois, por ambos.

Entretanto, o GP da Rússia serviu para, pelo menos, termos novos questionamentos quanto a temporada 2017 da F1. Bottas será mesmo um coadjuvante na briga do título ou entrará para disputar com Hamilton e Vettel? E o tratamento da Mercedes com o piloto, seguirá sendo o mesmo ou teremos um equilíbrio entre ambos? Estas respostas começaremos a ter na próxima etapa, no GP da Espanha, no dia 14 de março.



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