Opinião: Felipe Melo e Borja, sementes da mesma pimenteira

Felipe Melo
Foto: Reprodução/ Twitter Oficial do Palmeiras

Quando Felipe Melo foi trazido para o futebol paulista a peso de ouro, uma das justificativas para sua contratação era de que além de bom jogador, o time palestrino precisava de um atleta que tivesse “a cara da Libertadores” e que o time formado/consolidado por Cuca não servia para competição continental.

E se isso não foi dito com a boca cheia de dentes, ao menos o discurso do jogador carioca esperançou torcedores e clube. Não era o jogador Felipe Melo, era o comandante das forças armadas brasileiras contra os guerrilheiros da América do Sul.

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O time do Cuca e seu “cucabol” – cunhado assim pelo jornalista Mauro Cezar Pereira – se não era um time de futebol vistoso, era competitivo e frio. Quando a água chegou ao pescoço (Flamengo), resistiu bravamente vencendo quando não se esperava, com e sem Gabriel Jesus, seu melhor talento revelado nos últimos anos.

Com uma fase esplendorosa do goleiro reserva, o Palmeiras não deixou dúvida de que era o melhor time do Brasil ao final da competição. No entanto, a diretoria e seu mecenas, digo patrocinador, não achavam que era suficiente.

E plantaram a semente de Felipe Melo…

O resto da história os amantes de futebol já conhecem. O time continua competitivo, achou um meia que começa a se adaptar (Guerra) ao estilo de Eduardo Baptista e o clube – mesmo com as dificuldades iniciais de um elenco renovado – consegue ser o primeiro do seu grupo na competição que julga ser a mais importante do ano, a tal da Taça Libertadores da América.

Só que os nervos continuam aflorados, seja pelo discurso, seja pela ação. O clube paulista de tanto achar que tem obrigação nas competições em que está, olha para os adversários como se o seu estádio fosse o Camp Nou ou o Stamford Bridge e ao invés de Palmeiras, fosse o Barcelona ou o Chelsea.

Não é e nem precisa ser, mas necessita da frieza e da calma inerentes aos times que tem convicção de que um trabalho bem feito de semeadura poderá ter uma ótima colheita, desde que as sementes não sejam apenas da sementeira Felipe Melo. Pelo discurso acalorado do seu técnico, se tudo ia bem no Palmeiras, a fúria de Eduardo deixou um risco no carro, daqueles feito por crianças em dias de travessuras e que dá um trabalho danado ao lanterneiro.

Uma outra árvore tem se mostrado problemática neste período frio: Borja.

Cantado em verso e preso como o jogador (e craque para alguns) que também pudesse fazer diferença na “Liberta”, Borja até que foi bem em alguns jogos do Paulistão, mas tem sido preterido por William, sim, aquele atacante que não dá certo em time nenhum e vem para o elenco como “peça de reposição”. Resultado: o jogador cujo o bigode lhe dá sobrenome, tem sido importante e se não fossem seus gols (e um deles golaço, diga-se de passagem), o time estaria no inferno astral do primeiro tempo do jogo contra o Penãrol.

Três contratações e um acerto “certeiro”, sabemos que dinheiro não é problema no Palestra, mas será que o vil metal vai garantir que o time paulista avance nas fases decisivas das competições que vai disputar mesmo que os nervos não estejam nos lugares?

O tempo dirá.