Opinião: O Chelsea é uma “máquina azul”

Chelsea
Foto: Reprodução/Facebook Oficial da Premier League

O Chelsea começou a temporada 15/16 como o atual campeão inglês, badalado, com Diego Costa, Eden Hazard, Cesc Fábregas (líder de assistências da temporada passada), Thibaut Courtois e outros bons jogadores, além de um grande técnico por trás de tudo isso, José Mourinho. O português, ídolo do clube e um dos principais símbolos da equipe azul de Londres.

Apesar de não contratar grandes nomes, todos esperávamos um Chelsea avassalador, igual a temporada passada, mas isso não aconteceu. O motivo para tal mudança? Ninguém tem certeza, de fato, alguma coisa aconteceu. Pode ter sido a briga entre Mourinho e a ex-médica do clube, Eva Carneiro, pode ter sido a péssima temporada do craque do time, Hazard (foram seis gols marcados em 43 jogos), quem sabe um desentendimento do técnico com os lideres da equipe (John Terry, Ivanovic e o próprio Hazard), enfim, alguma coisa aconteceu.

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O resultado para as atuações da equipe foi a demissão de José Mourinho. Para apagar o fogo, contrataram o experiente, Guus Hiddick. O time azul de Londres conseguiu manter a média mas não conseguiu vaga em nenhuma liga europeia, o que foi uma desastre. No final, os badalados “Blues” amargaram a décima colocação do Campeonato Inglês.

Temporada nova, vida nova. Roman Abramovich, foi rápido e contratou o técnico sensação da última Eurocopa, Antonio Conte. Mesmo com uma seleção não tão “chamativa”, o italiano brilhou no comando da Azurri, levando a tetracampeã mundial até as quartas de final da Eurocopa 2016, perdendo nos pênaltis para a atual campeã do mundo, Alemanha.

Ao chegar no clube, Conte pediu alguns jogadores. A primeira contratação foi Michy Batshuayi, centroavante belga de 23 anos, vindo do Olympique de Marselha. Visando jogar no seu esquema favorito, o italiano pediu a contratação do lateral-esquerdo Marcos Alonso, vindo da Fiorentina, jogador que Conte teve de enfrentar nos seus tempos de técnico da Juventus.

Para compor a lateral direita, o técnico não contratou ninguém, mas o tirou de um empréstimo, Victor Moses, que estava no West Ham, foi chamado para reintegrar o elenco. Sentindo falta de um craque da zaga, Conte foi buscar David Luiz, o contestado jogador por todos nós brasileiros, foi contratado junto ao PSG, que deu “graças a Deus” pela sua saída e após dois anos em Paris, voltou ao Stamford Bridge.

A última e mais importante contratação pra temporada veio do histórico Leicester City, campeão inglês da temporada 15-16. O time tinha grandes jogadores no elenco, por exemplo, o ponta direita Riyad Mahrez, que foi eleito o melhor jogador da temporada e o centroavante Jamie Vardy, jogador da seleção da Inglaterra.

Porém todos esses jogadores não funcionariam se não fosse N´Golo Kanté. Ao término da temporada, diversos treinadores tentaram a contratação do jogador, como por exemplo, Pep Guardiola (recém chegado ao Manchester City), Arsene Wenger (técnico do Arsenal), José Mourinho (agora no Manchester United), Zinédine Zidane (técnico do Real Madrid) e Unay Emery (técnico do PSG). Todos queriam o volante, mas nenhum deles conseguiu. Antonio Conte, ao chegar nos Blues, exigiu a contratação do jogador, que custou 40 milhões de euros.

A temporada começou e já podíamos ver o Chelsea armado num esquema completamente novo, o 5-2-3 (3 zagueiros, 2 alas, 2 volantes/meias, 2 pontas e 1 centroavante). Conte começava ali a implementar sua filosofia de jogo, muita força na defesa e contra ataques mortais. Com Diego Costa voando, Hazard infernizando as defesas adversarias e principalmente, Kanté cobrindo o mundo e mais um pouco, o Chelsea pouco a pouco foi se transformando nessa máquina. Mas qual é o segredo do time? Sem dúvidas é o futebol coletivo. O que nada mais é do que o ataque e a defesa equilibrados. Defendendo com 7,8,9 jogadores e atacando com o mesmo caminhão que defende. Sempre buscando o contra ataque, marca registrada dos times do italiano.

Nesse time do Chelsea dois jogadores são FUNDAMENTAIS para esse tipo de jogo fluir, Kanté e Hazard. Calma, não estou falando que os outros jogadores não são importantes, longe disso, nesse esquema todo mundo ajuda, mas eles são os principais para o futebol “estilo Conte” funcionar.

Kanté, por exemplo, até agora (34 rodada) tem 2.4 interceptações por jogo. Não acha que é muito? Casemiro tem 1.8 (por jogo) e Paul Pogba apenas 1.1 (por jogo). O Francês tem uma função muito importante de ligar a defesa e o ataque, roubar a bola e entregar para Diego Costa ou Hazard.

Já Eden está “impossível” nesta temporada. O belga já marcou 15 gols na Premiere League, mas essa não é a sua principal estatística. Hazard é responsável por uma média de 4.1 dribles por jogo. Lionel Messi, “Deus máximo do futebol”, por exemplo, tem 3.7, Paulo Dybala 2.2 e o português Cristiano Ronaldo 0.8.

Com os dribles de Hazard, as roubadas de bolas de Kanté e com esse plantel maravilhoso, o Chelsea fica cada vez mais forte. Já é praticamente campeão inglês e está garantido na UEFA Champions League da temporada que vem. A máquina azul vem cada vez mais forte.

TIME DO CHELSEA TITULAR NESSA TEMPORADA: Courtois; Moses, Cahill, David Luiz, Cesar Azpilicueta e Marcos Alonso; Kanté, Matic (Fabregas), Hazard e Willian (Pedro); Diego Costa.