Há 23 anos, acontecia o acidente fatal de Ratzenberger, no pior fim de semana da história da F1

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Todos os anos, os fãs de Ayrton Senna relembram o trágico acidente que tirou a vida do tri campeão mundial de Fórmula 1 no circuito de Imola em 1994. Mas, outro piloto também perdeu a vida naquele que ficou conhecido como o “pior fim de semana da história da F1”: o austríaco Roland Ratzenberger, que bateu com sua Simtek-Ford na curva Villeneuve a mais de 300km/h.

Roland Ratzenberger era um piloto austríaco de relativo sucesso na Europa: havia disputado cinco vezes a tradicional 24 Horas de Le Mans, duas temporadas da F-3000 no Japão, e tinha no currículo várias vitórias na F-3. E apesar de ter 33 anos, ainda alimentava um sonho de qualquer piloto amante do automobilismo: disputar a Fórmula 1.

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A grande oportunidade surgiu em 1994, quando Roland assegurou um lugar na novata Simtek-Ford, equipe que estava em seu ano de estreia na categoria e que provavelmente, tinha o pior carro do grid de largada (e também era a única a ter somente um carro). O que não desmotivou o piloto austríaco: muito pelo contrário, não faltou empolgação, e nem mesmo o fato de não ter conseguido tempo para disputar a primeira prova do calendário, o GP do Brasil, foi o suficiente para desmotivá-lo.

Na segunda prova daquele ano, em Aida, no Japão, Roland Ratzenberger conseguiu terminar a corrida em 11º lugar. Pode parecer um feito pouco louvável para qualquer fã do esporte a motor, mas podemos acreditar que o piloto austríaco viu o resultado de forma diferente, e acreditava que podia extrair mais de seu Simtek. Roland tinha um contrato de apenas cinco provas, precisava mostrar o seu valor, e por isso, acreditava que em Imola, ia conseguir ser ainda mais rápido.

Porém, chegou o fatídico fim de semana em Imola, terceira prova do calendário. E Roland não imaginava que teria um papel de destaque para tornar aquele, o “pior fim de semana da história da F1”. Foram três dias tensos, com acidentes gravíssimos, sendo dois deles fatais.

Nos treinos livres da sexta-feira, Rubens Barrichello escapou com a Jordan na variante Bassa, e escapou por pouco de algo mais sério. Apesar do susto, ninguém poderia imaginar o que viria acontecer nos dois dias seguintes.

No treino de sábado, ocorrido no dia 30 de abril de 1994, o tom daquele fim de semana iria mudar radicalmente. Aos 18 minutos do treino classificatório, a Simtek-Ford de Roland Ratzenberger perdeu um pedaço da asa dianteira na pequena reta entre as curvas Tamburello e Villeneuve, e a mais de 300 km/h, acabou se chocando com o muro da curva Villeneuve. Devido a força do impacto, o carro destroçado seguiu se arrastando até a curva Tosa.

O treino foi interrompido, e as imagens do que restou do carro deixava claro a gravidade do acidente com o piloto austríaco de 33 anos. Apesar de ter sido socorrido e levado ao Hospital Maggiore de Bologna, a verdade é que Roland havia falecido ali mesmo no circuito de Imola, já que havia sofrido fraturas múltiplas no crânio, informação que foi ocultada para evitar que a prova fosse suspensa, como ordena a legislação italiana.

Chegou ao fim naquele sábado, o sonho de Roland Ratzenberger, que ao todo, durou 53 dias. A morte do piloto austríaco foi um grande choque para aquele que no dia seguinte, também sofreria um acidente fatal no circuito de Imola: Ayrton Senna. O tricampeão nunca havia presenciado uma morte na Fórmula 1, e muitos afirmam que ele ficou realmente muito abalado com a morte do piloto da Simtek, a ponto de que o médico da F1, Sid Watkins, ter pedido ao brasileiro para não correr. Mas, Ayrton optou por disputar a corrida, pois largava na pole e não havia ido bem nas duas primeiras provas do campeonato. Pretendia vencer e homenagear Roland, erguendo uma bandeira da Áustria ao final da prova, o que não ocorreu: Senna bateu forte na cuva Tamborello, e também faleceu.

É claro que com a morte de Senna, a morte de Ratzenberger para muitos fãs do automobilismo mundial acabou ficando em segundo plano. O funeral de Roland foi discreto, contou apenas com a presença dos familiares do piloto, além dos compatriotas Niki Lauda e Gerhard Berger, e o presidente da FIA na época, Max Mosley. E a cada ano, sempre presenciamos diversas homenagens à Ayrton Senna, mas pouco se fala de Roland Ratzenberger. O piloto austríaco que perdeu a vida de forma trágica e pouco é lembrado, vivendo o sonho de qualquer fã de automobilismo: pilotando um carro de Fórmula 1.