Camp Nou protagoniza nova virada histórica na Champions 18 anos depois

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Pouco menos de dezoito anos separam dois momentos históricos da UEFA Champions League. O mais impressionante é que os dois casos possuem muitas semelhanças: dois gols nos acréscimos, jogos eliminatórios e o mesmo estádio.

O Camp Nou, um dos estádios mais conhecidos e emblemáticos do planeta, foi a sede das duas partidas que jamais sairão da memória de quem acompanhou os cotejos: a final da UEFA Champions League da temporada 1998/1999, entre Bayern de Munique e Manchester United; e uma das oitavas-de-final da mesma competição em 2016/2017, disputada por Barcelona e Paris Saint-Germain.

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A memorável partida ocorrida na última quarta-feira (08/03) está viva na lembrança, com os primeiros três gols do Barcelona (que precisava reverter uma vantagem francesa de quatro tentos), o gol de Edinson Cavani (que obrigava os catalães a marcar mais três vezes) e o improvável final, com os culés indo às redes em três oportunidas, sendo duas delas nos acréscimos – Neymar marcou dois e ainda deu a assistência para Sergi Roberto garantir a classificação do Barça.

Basta dizer que, em sessenta e dois anos de UEFA Champions League (com outros nomes, é bem verdade), essa é a primeira vez que uma equipe reverteu uma desvantagem de quatro gols. Histórico é pouco.

O que poucos se lembram é da final da mesma competição em 1999. Em um tempo no qual o futebol internacional ainda não era febre no país, Bayern de Munique e Manchester United fizeram uma das partidas mais emocionantes da história da competição, com duas equipes estelares.

No elenco do Bayern, destacavam-se Oliver Kahn (goleiro vice-campeão mundial em 2002 e eleito o melhor arqueiro da Copa), Lothar Matthaus (já atuando como líbero, no final da carreira), Samuel Kuffour, Carsten Jancker, Stefan Effenberg, Bixente Lizarazu e o brasileiro Elber. Todos eles treinados por Ottmar Hitzfeld, campeão mundial de clubes em 2001, bicampeão da UEFA Champions League e sete vezes campeão da Bundesliga

Pelos lados do Manchester United, a chamada “Class Of 92” (que contava com os atletas criados na própria base dos Red Devils no ano citado) estava no auge: David Beckham, Nicky Butt, Paul Scholes, Ryan Giggs e os irmãos Neville – Phil e Gary. Completando o elenco, Peter Schmeichel, Jaap Stam, Teddy Sheringham e Ole Gunnar Solskjaer. O técnico era Alex Ferguson, que ficou vinte e seis anos na casamata mancuniana – e levantou vinte e seis taças, sendo treze Premier Leagues, duas UEFA Champions League e dois Mundiais de Clubes.

Naquele tempo, a fase de grupos da UEFA Champions League possuía apenas vinte e quatro clubes. Bayern e United caíram na chave D, junto com Barcelona (que caiu na primeira fase) e Brondby. Os bávaros terminaram um ponto na frente dos mancunianos, e nos confrontos diretos, dois empates: em Munique, 2×2; em Manchester, 1×1.

Na grande final, desfalques: Keane e Scholes estavam suspensos e não jogariam pelo Manchester United, enquanto Lizarazu e Élber estavam machucados no Bayern.

Logo aos seis minutos, Mario Basler cobra falta rasteira no canto esquerdo e venceu Schmeichel. No segundo tempo, o Bayern ainda carimbou a trave do goleiro dinamarquês duas vezes. Desesperado, Alex Ferguson colocou Sheringham e Solskjaer na partida. O jogo se encaminhava para o final, mas o árbitro italiano Pierluigi Collina sinalizou três minutos de acréscimo.

O Fergie Time (expressão popularizada por conta da grande quantidade de gols do Manchester United nos acréscimos das partidas) teve, talvez, sua grande noite. Aos quarenta e seis do segundo tempo, Sheringham aproveitou finalização de Giggs e desviou para o gol. Dois minutos depois, Beckham cobra escanteio, Sheringham desvia e Solskjaer coloca o pé na pequena área e vira o jogo de maneira inacreditável. Apelidado de “Assassino com cara de bebê”, o norueguês imortalizava ele mesmo, o clube e a partida como um todo.

Que o futebol siga proporcionando momentos como os vividos no Camp Nou em 1999 e em 2017.