Paulo André fala sobre os fatores que motivaram a sua saída do Corinthians

Foto: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians

Um dos líderes do “Bom Senso FC”, movimento que lutou por melhores condições no futebol brasileiro, o zagueiro Paulo André, hoje no Atlético-PR, afirmou em entrevista ao Esporte Interativo que a suas ações políticas motivaram a saída do Corinthians, clube que defendeu entre 2009 e início de 2014.

“Posso falar que foram minhas ações políticas, as minhas entrevistas muito polêmicas que incomodavam muita gente. Aquela invasão no final de janeiro de 2014, depois que perdemos o jogo para o Santos por 5 a 1, internamente houve uma grande discussão naquele dia, se jogava ou não jogava, o que fazer e eu como capitão defendia a vontade dos atletas. Naquele momento ninguém queria jogar e eu tive que expor isso à diretoria”, disse Paulo André, em participação no programa “No Ar”, na última quinta-feira. Ele declarou que o desejo dos atletas era não entrar em campo contra a Ponte Preta, quatro dias após o clássico.

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“Tive que bancar aquela situação e eu não sei o quanto disso pesou na hora em que eu precisava renovar o contrato, ou seja, tinha o ano de 2014 inteiro de contrato. Fui até a sala do Mano, sala do Edu (Gaspar, gerente de futebol), e falei: ‘eu só quero renovar por mais um ano porque eu vou parar’. Desde aquela época falava que iria parar. ‘Não quero ganhar a mais. Adoro aqui, sou apaixonado pelo Corinthians e quero ficar’. E eu nunca tive uma resposta”, desabafou.

O beque, campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes, ambos em 2012, não quis cravar se houve ‘dedo’ da CBF em sua saída do Corinthians.

“Os presidentes, os dirigentes se encontram, têm conversas informais. Não posso afirmar, mas sem dúvida a minha posição era muito firme e incomodava muita gente. Se não me quisessem e não prestasse mais como jogador eu não seria titular e capitão do time”, explicou.

Dias após a torcida invadir o CT Joaquim Grava e ameaçar jogadores, Paulo André assinou vínculo com Shangai Shenhua, da China. Ele revelou que após o episódio no local de trabalho corintiano, ele teve dificuldades em se relacionar com a torcida.

“Após a invasão apareceu o negócio da China e fiquei machucado e tenho até dificuldade em me relacionar com a torcida, de interagir, de tirar foto em rede social, de dar entrevista até hoje porque foi muito pesado o que passei. A porrada foi grande. Até um tempo atrás andava na rua de cabeça baixa para você ter ideia da profundidade do negócio. Toda aquela experiência de 2013 e 2014 me afastou um pouco dessa exposição”, contou.

O atleta de 33 anos negou que durante a segunda passagem de Mano Menezes pelo Corinthians tivesse tido atrito com o treinador.

“Não estou fazendo média, posso falar abertamente. O Mano foi o cara que me trouxe para o Corinthians em 2009 e que quando voltou em 2014 me colocou como capitão, nos cinco jogos que fiz antes de ir embora. Fui para a China por milhares de motivos que não o Mano. Era capitão dele e titular. Não me tirou do time”.

A passagem do ex-corintiano pelo futebol chinês foi curta. Em fevereiro de 2015, assinou contrato com o Cruzeiro, onde não conseguiu se firmar. No final do ano, acertou o retorno ao Atlético-PR, clube que defendeu entre 2005 e 2006 antes de se transferir ao Le Mans-FRA.

 



Rafael Alaby é jornalista diplomado pela FIAM (Faculdades Integradas Alcântara Machado), com passagens pela Chefia de Reportagem de Esportes, da TV Bandeirantes, em São Paulo e site KiGOL. Pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte (FMU)