PAPO TÁTICO: Como Berrío e Diego ajudaram o Flamengo a despachar o San Lorenzo

Crédito da foto: Gilvan de Souza / flamengo.com.br

Esqueça por um momento o fato de que o San Lorenzo de Almagro disputou a sua primeira partida oficial no ano por conta da greve no Campeonato Argentino. Nada como estrear na Copa Libertadores da América com vitória. Ainda mais depois da derrota para o Fluminense na final da Taça Guanabara no último domingo. E melhor ainda se for de goleada. Depois de quarenta e cinco minutos sofríveis, o Flamengo teve uma bela atuação no segundo tempo e venceu o time do Papa Francisco por quatro a zero. O cansaço dos comandados de Diego Aguirre e a noite inspirada de Diego e a boa entrada do colombiano Berrío na partida foram os grandes trunfos do Fla nesse retorno ao Maracanã. E para completar a noite feliz desta quarta-feira, o técnico Zé Ricardo ainda viu a torcida fazer as pazes com os criticados Rômulo e Gabriel (autor de um belo gol). Como dissemos antes, nada melhor do que estrear na Libertadores vencendo de goleada.

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É preciso dizer que o primeiro tempo foi bem ruinzinho. Zé Ricardo repetiu o time que entrou em campo contra o Fluminense, no último domingo, e viu seus jogadores sofrerem diante do bem organizado 4-1-4-1 armado por Diego Aguirre. Diego era bem vigiado por Mussis, Willian Arão e Rômulo tinham bastante trabalho com a movimentação dos jogadores do San Lorenzo e Mancuello não conseguia se encontrar pela direita. O Flamengo só levou perigo em duas oportunidades: uma com Éverton logo no início da partida (bola na trave) e outra no final do primeiro tempo com Guerrero. Os chutões e as ligações diretas acabaram sendo a tônica de uma equipe que não conseguia sair da marcação do San Lorenzo. A entrada de Berrío no lugar de Mancuello, no entanto, seria o tal “mapa da mina” para Zé Ricardo e seus comandados. Faltava quem acelerasse o jogo pela direita e ao mesmo tempo fechasse as descidas de Botta e Montoya no 4-2-3-1 de Zé Ricardo. A partir daí, muita coisa iria mudar no segundo tempo no Maracanã.

Mancuello tentou, mas não conseguiu render atuando pela direita no 4-2-3-1 de Zé Ricardo. Além disso, o Flamengo criou muito pouco no primeiro tempo e sofreu com a boa marcação do 4-1-4-1 do San Lorenzo.
Mancuello tentou, mas não conseguiu render atuando pela direita no 4-2-3-1 de Zé Ricardo. Além disso, o Flamengo criou muito pouco no primeiro tempo e sofreu com a boa marcação do 4-1-4-1 do San Lorenzo. A entrada do colombiano Berrío mudaria esse panorama.

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Com Berrío aquecido e o time do Flamengo marcando por pressão, o primeiro gol da partida, marcado por Diego em cobrança de falta, faria com que o San Lorenzo saísse mais para o jogo, dando os espaços que o meio-campo rubro-negro tanto desejava para criar as jogadas de ataque. Miguel Trauco faria o segundo em belo chute de fora da área (em jogada de Diego e Berrío), Rômulo aproveitaria o desvio do colombiano para fazer o terceiro e Gabriel, em belo chute da entrada da área, fecharia a goleada no Maracanã. Diego Aguirre mexeu na equipe, trocou peças, mudou o posicionamento dos jogadores, mas o cansaço do San Lorenzo falou mais alto diante de um Flamengo veloz, intenso, com saídas rápidas e (finalmente) com a bola no chão. Alguns problemas ainda precisam ser corrigidos, sobretudo na cobertura das laterais e na recomposição defensiva. Mas ninguém nega que a vitória em cima do San Lorenzo é um excelente resultado. Ainda mais quando se relê tudo o que foi falado do Fla depois da decisão da Taça Guanabara.

Panorama do segundo tempo no Maracanã. Berrío e Diego pulverizaram o San Lorenzo abusando da velocidade e da troca de passes no campo de ataque. Diego Aguirre mudou peças, mas manteve o esquema tático básico  da sua equipe e sucumbiu ante ao cansaço dos seus jogadores.
Panorama do segundo tempo no Maracanã. Berrío e Diego pulverizaram o San Lorenzo abusando da velocidade e da troca de passes no campo de ataque. Diego Aguirre mudou peças, manteve o esquema tático e viu sua equipe pagar o preço pela falta de ritmo.

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A goleada em cima do San Lorenzo também serviu para mostrar que alguns jogadores “renegados” pela torcida ainda podem ser muito úteis. De vaiado a aplaudido quando deixou o campo, Rômulo deixou sua marca e vem se acertando pouco a pouco com Willian Arão na popular “saída de três” proposta por Zé Ricardo. Márcio Araújo voltou a ser utilizado e já se transformou em “sombra” do camisa 27. E o meia Gabriel coroou seu esforço e dedicação na marcação com um belo gol. Sim, amigos, eu sou um dos que defendem o camisa dezessete. A dupla de zaga formada por Rafael Vaz e Réver esteve bem quando foi exigida só pecando na marcação pelo alto. E Muralha mostrou mais segurança do que no jogo contra o Fluminense. Enfim, o jogo de hoje deve ser utilizado como modelo por Zé Ricardo. Os erros da primeira etapa precisam ser revistos e corrigidos. E os (muitos) acertos do segundo tempo devem ser repetidos e aperfeiçoados nos treinamentos.

Depois do que vimos hoje, não existe mais desculpa para Zé Ricardo manter Mancuello entre os titulares e deixar Berrío no banco. As partidas contra o Atlético-PR e contra a Universidad Católica pedem um time mais veloz e mais forte. Além disso, já é público e notório que o Flamengo se sente mais à vontade jogando com dois “pontas” abertos pelos lados. Ou Zé Ricardo percebe isso de uma vez, ou vai acabar “morrendo abraçado” com o argentino. Quem avisa, amigo é…



Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.