Felipe Massa fala sobre desistência da aposentadoria, do “faster than you” e muito mais

Foto: Reprodução/TV

O piloto brasileiro Felipe Massa concedeu uma entrevista ao programa ‘Bola da Vez’, da ESPN Brasil. Felipe conversou com os entrevistadores sobre diversos assuntos de sua carreira automobilística e deu declarações surpreendentes sobre alguns casos. Confira os principais tópicos da participação de Massa na ESPN.

– Pressão do povo brasileiro:

“No Brasil, é assim que funciona. É muita pressão pela busca de resultados por parte do povo brasileiro em alguns esportes: no futebol, que é o principal, na Fórmula 1, por todos os títulos que nós tivemos no passado com Fittipaldi, Piquet e Senna, o segundo lugar não significa nada. Acho que é bom você trabalhar com pressão, sabendo que a vitória é o que o público brasileiro quer.”

– Pressão por vitórias:

“Na F1 você precisa ter o melhor carro para disputar o campeonato. Tem que ter a equipe que trabalhe da maneira perfeita para ser campeã. Eu sempre entro para vencer, mas você tem que ter a equipe e o carro perfeitos para isso, como tive em 2008, mas alguns problemas aconteceram [como as falhas da Ferrari] e eu não ganhei por um ponto. Ganhar o campeonato não é algo tão fácil. A pressão por vitória sempre tem. É difícil achar um país tão agressivo nisso quanto o Brasil.”

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– Aposentadoria e volta:

“Eu estava feliz com a decisão de me aposentar, que aconteceu por alguns motivos: o principal foi que eu não teria espaço na Williams. Entrou um menino de 18 anos [Lance Stroll] para correr em 2017 e o Bottas tinha mais um ano de contrato. Entendi que não teria vaga para mim. Não achei equipes do mesmo patamar da Williams ou melhor. Existiam equipes que me queriam, mas eu não as queria porque não tenho interesse em andar na parte de trás do grid. Voltei porque a minha equipe precisou de mim, tem muito carinho comigo e eu também tenho com eles. Não consegui dizer não. Segui meu coração. Fui para a festa de natal da equipe em Londres e dois dias depois a Claire Williams [chefe da equipe] me ligou perguntando se eu aceitaria abandonar minha aposentadoria para voltar a correr pelo time de Grove. Voltei à Londres e passamos horas conversando. Fiz muitas perguntas sobre o foco da equipe, pois já faziam meses que eu não tinha informações sobre o carro novo. Falei também sobre coisas que tinham que mudar dentro dela. Não tomei a decisão naquele momento, pensei bastante e cheguei a conclusão de voltar.”

– Onde Massa poderia correr se tivesse se aposentado da F1:

“Eu tinha umas ideias boas. Endurance (WEC), Turismo (DTM) e Fórmula E. Essas categorias eram as melhores opções. A última tinha mais chance.”

– Mudanças no regulamento e futuro da Williams:

“Estamos otimistas. Foi uma mudança muito grande, igual há três anos trás, quando até brigamos por vitória naquele momento. O carro vai ser mais lento em velocidade que no ano passado, mas o tempo de volta será menor. Por exemplo, curvas que você fazia em baixa velocidade ano passado, hoje é em alta. A curva de alta velocidade pode ser em baixa agora. Ainda tem outras mudanças como pneus e o próprio carro mais largos. No simulador, estamos três ou quatro segundos mais rápidos. É impossível ter uma ideia de como estamos sem uma comparação com as outras equipes. Da primeira corrida até a última o carro vai evoluir muito. Pode ser que comece mal e termine muito bem a temporada.”

– Comparação entre a Ferrari de 2008 e a Williams de 2017:

“Meu carro atual é muito melhor que o meu de 2008. Não existe um carro de Fórmula 1 melhor do que eu irei guiar em 2017.”

– Timo Glock sendo ultrapassado por Lewis Hamilton na última volta do GP do Brasil de 2008, que custou o título mundial para Massa:

“Não tenho raiva do Glock. Muita gente fala que ele ajudou o Hamilton, mas não foi isso que aconteceu. Não tinha motivo pra isso. Pista molhada e ele com pneu para pista seca. Do jeito que acabou o ano, foi histórico. No ano, o que mais me deixou chateado foi a sacanagem que aconteceu em Singapura, que foi de propósito [quando Nelson Piquet Jr. bateu propositalmente no muro para favorecer o então seu colega de equipe, Fernando Alonso, na disputa pelo título]

– Aposentadoria surpresa de Nico Rosberg:

“Não dá pra saber o porque de o Rosberg ter optado por se aposentar. Ninguém sabia dessa decisão. Se a Mercedes soubesse, com certeza iria se preparar com mais tempo para essa baixa. Mas ele deve falar no futuro o verdadeiro motivo disso.”

– Novo dono na F1 e suas novas filosofias:

“A principal mudança seria a melhor divisão do dinheiro das premiações. As mudança vão acontecer, mas em tempo indeterminado. Hoje em dia, a equipe mais famosa ganha mais dinheiro que outra. Uma menor que está há mais tempo no campeonato ganha mais que uma outra, que não ganha nada. Tem uma diferença muito grande entre as equipes e isso influi no desenvolvimento delas numa comparação.”

– Apoio do pai na hora de se aposentar:

“Quando falei que iria parar de correr, ele me deu o apoio de pai. Me perguntou se eu estava certo de fazer aquilo e eu disse que estava, pois não queria correr na parte de trás do grid. Mas depois que eu disse que a Claire tinha me ligado oferecendo uma possível volta, meu pai deixou claro que ele queria que eu permanecesse correndo na Fórmula 1.”

– Acidente na Hungria, em 2009:

“Eu tive muita sorte de a mola, que quebrou o capacete, não ter afetado meu cérebro. Eu tive uma operação de tirar todo o osso da parte esquerda da testa, que tava triturado. Depois, já no Brasil, fiz outra para colocar uma placa de titânio para substituir. Tive muita sorte, pois também passei perto de ficar cego. A única coisa que mudou no meu pensamento foi que eu dou muito mais valor a vida. Nunca achamos que algo vá acontecer com a gente e hoje dou mais valor a ela”

– Jogo de equipe da Ferrari, na Alemanha, em 2010 [Alonso is faster than you]:

“Foi muito duro pra mim ouvir aquilo porque fazia exatamente um ano do meu acidente. Foi na Alemanha e não era final de campeonato. Ainda não tinha aquele papo de “esse piloto que tá disputando, então a equipe vai trabalhar pra ele”. Foi um dos dias mais tristes da minha carreira. Mas naquele ano não foi só esse fato que me entristeceu. Naquele ano as coisas e o tratamento que estava tendo dentro da equipe não estavam sendo feitos de uma maneira correta. Por exemplo: nesse ano teve a corrida da Austrália, que não foi a primeira da temporada. A primeira foi no Bahrein, acho, em que ficamos em primeiro e segundo. Na Austrália, a equipe mandou eu deixar ele passar e eu não deixei. Ninguém sabe. Eu cheguei no pódio, em terceiro, e ele chegou em quarto, não deixei ele passar”

– Os circuitos da F1:

“Correr em casa é sempre muito bacana. Interlagos foi o local que eu nasci. Mas circuitos que tenho maior prazer são Spa-Francorchamps (Bélgica), Suzuka (Japão). As pitas mais difíceis são as de rua, que tem uma maior possibilidade de bater. Um erro numa pista normal e você pode voltar para a corrida. Já na pista de rua a grande chance de abandonar é muito grande. A pista mais difícil que andei foi ano passado no Azerbaijão (circuito de Bakku), que é de rua e muito rápida.

– Categorias com circuitos ovais:

Os ovais são muito diferentes. Difícil ver algum piloto que tenha saído da Fórmula 1 e dado certo na Indy, até porque quando você chega na categoria, tem que aprender tudo de novo. Começar do zero. Já assisti muito a Fórmula Indy, mas nunca fui de gostar muito dos circuitos ovais, achava mais chato que os mistos. Nascar e Fórmula Indy não são categorias que eu possa correr um dia.

O Mundial de Fórmula 1 terá seu início no último fim de semana de março, na Austrália, no circuito de Albert Park. No Brasil, a transmissão de treinos e corridas ficam por conta da TV Globo e do SporTV.



Igor Calazans é um futuro jornalista por formação que ama futebol, Fórmula 1 e de dar pitadas em outros esportes.