Não é só o 6×2: Jorge Wilstermann tem histórias curiosas com brasileiros

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O grande destaque da primeira noite da fase de grupos da Copa Libertadores da América foi a goleada sofrida pelo Peñarol: vitória de 6×2 do Jorge Wilstermann.

O resultado elástico chamou a atenção por colocar uma das mais tradicionais equipes sul-americanas na lona ante uma equipe desconhecida da maioria dos brasileiros. O Jorge Wilstermann, porém, tem muita história para contar – partes dela, aliás, com a presença de brasileiros.

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Origem
A equipe homenageia o primeiro aviador da Bolívia, morto em um acidente aéreo em 1936 – isso explica o fato do Jorge Wilstermann ser chamado carinhosamente de Aviador. Nascido em Punata (cidade que fica no departamento de Cochabamba), ele também foi homenageado no aeroporto da cidade de Cochabamba, que até hoje leva seu nome.

Trabalhadores da empresa “Lloyd Aero Boliviano”, do ramo de aviação, fundaram um time para representar a companhia em 1949. Inicialmente chamado de San Jose de la Banda, o clube passou a ostentar o nome do aviador em 1953.

Tricampeonato e primeiro jogo da história da Libertadores
Não demorou para o Jorge Wilstermann se firmar no futebol boliviano: a equipe foi tricampeã nacional entre os anos de 1957 e 1960. O título de 1959 deu à equipe a honra de participar da então Copa dos Campeões da América – nome da Libertadores até 1965.

Mais do que isso: o Aviador fez o primeiro jogo da história da competição. A partida foi justamente contra o Peñarol, vítima da equipe boliviana na noite de ontem (07/03). Em 1960, porém, o resultado foi elástico e favorável aos uruguaios: 6×1 no estádio Centenário, em Montevidéu.

Hoje, o Jorge Wilstermann tem treze títulos do Campeonato Boliviano – é o terceiro maior vencedor, atrás do Bolívar (24 troféus) e do The Strongest (14). A equipe também é a maior vencedora dentre os times que não são de La Paz – capital da Bolívia.

Orgulho internacional e ligação com o Brasil
Embora o Jorge Wilstermann já tivesse oito títulos nacionais, faltava uma grande campanha a nível continental para o clube, e ela veio em 1981. O Aviador goleou o The Strongest por 4×1 em um jogo-desempate e se classificou para a semifinal da Copa Libertadores – que, naquela época, era disputada em grupos.

O grupo tinha a presença do Deportivo Cali e do Flamengo – futuro campeão da edição. A vitória do rubro-negro carioca no estádio Félix Capriles (até hoje casa da equipe) por 2×1, aliás, foi a primeira transmissão de Galvão Bueno na TV Globo.

Quem fazia parte do elenco do Jorge Wilstermann em 1981 era Jairzinho. O Furacão da Copa atuou na equipe entre 1980 e 1981, sendo bicampeão nacional.

Derrocada e mais brasileiros
Os títulos e as campanhas internacionais rarearam a partir de 1981. A última vez que a equipe passou de fase na Copa Libertadores foi em 1999, encarando o Corinthians nas oitavas-de-final. O Aviador foi eliminado após empatar por 1×1 em Cochabamba e levar sonoros 5×2 no Pacaembu.

Antes disso, dois brasileiros tiveram passagens pela equipe: Alfredo Mostarda, integrante da primeira Academia do Palmeiras; e Josimar, lateral-direito do Botafogo e do Brasil na Copa do Mundo de 1986, vencedor da Copa América de 1989.

Pouco depois da eliminação para o Corinthians, um desconhecido brasileiro entrou para a história do time de Cochabamba. Thiago Leitão, revelado pela Ponte Preta e com passagem pelo Ceará, assinou com o Jorge Wilstermann em 2002 e marcou quarenta e quatro gols pela equipe – até hoje é o sétimo maior artilheiro da história do clube.

Já em 2004, foi a vez de Túlio Maravilha acertar com o Aviador. A média do atacante foi ótima: vinte e nove jogos, vinte e quatro gols.

Na década de 1990, o clube venceu apenas duas vezes a Copa Bolívia, em 1991 e 1998. O fim do tabu na liga boliviana aconteceu em 2000, depois de dezenove anos. A equipe também foi campeã em 2006, mas o inacreditável aconteceu em 2010.

Como em outros países sul-americanos, o rebaixamento na liga boliviana acontece por meio da média de pontos de campeonatos anteriores. O Jorge Wilstermann chegou ao ano de 2010 desesperado, e conseguiu vencer o Apertura – primeira metade do torneio. A péssima campanha no Clausura (parte final), porém, transformou o Aviador em campeão nacional e rebaixado no mesmo ano.

De volta ao futebol nacional na temporada seguinte (e após uma série de três jogos contra o Guabirá), o Jorge Wilstermann voltou a se estabilizar na divisão de elite boliviana. Título, porém, só no Clausura de 2016 – honraria que deu ao Aviador o direito de voltar à Copa Libertadores.