Fala, Rodrigo Mendes: Libertadores, Grêmio e “tropeço” contra o Olimpia

Grêmio
Foto: Site Grêmio

Foi através dos gols de Rodrigo Mendes que o Grêmio esteve muito próximo do tricampeonato da América em 2002. Em grande fase, o atacante marcou 10 vezes na Libertadores daquela temporada e foi um dos principais condutores do tricolor rumo à semifinal. Nesta fase, uma polêmica disputa de pênaltis contra o Olímpia, em Porto Alegre, deixou os gremistas pelo caminho – na final, os paraguaios bateriam o São Caetano.

Já aposentado dos gramados, o ex-atacante ainda olha para trás e lamenta tudo o que aconteceu naquela noite de 2002 no Olímpico, com tantas críticas à arbitragem. Em entrevista exclusiva ao Torcedores.com, ele critica a participação paralela em outras competições e não o foco total naquela edição da Libertadores. Para Rodrigo, o elenco de 2002 era superior tecnicamente ao atual.

LEIA MAIS:

Repórter relata medida curiosa que tomará para cobrir estreia do Palmeiras

D’Alessandro desabafa após o Gre-Nal: “O Inter é muito grande, tem que respeitar”

Do segurança ao motorista: como é o Gre-Nal de quem não pode ver o jogo

Sobre o Grêmio de 2017, ele comemora o fato da base do ano passado ter sido mantida em grande parte. Ao mesmo tempo, crê que a perda de Douglas, que rompeu os ligamentos do joelho esquerdo, pode ser prejudicial à equipe pela falta de uma reposição com características semelhantes. Veja a íntegra da entrevista com Rodrigo Mendes:

Torcedores.com: Como você vê o atual momento do Grêmio e as chances na Libertadores?

Rodrigo Mendes: Acredito que o Grêmio tem uma boa base para a Libertadores. Algumas peças importantes estão chegando para suprir as perdas e fortalecer o grupo, e também vejo com otimismo a chave que o Grêmio pegou. A perda do Douglas como o meia de criação pesa bastante pela dificuldade de achar no mercado algum outro atleta com características semelhantes. A competição é forte e não vejo como na primeira fase arriscar favoritos.

T: Há, na sua análise, um time muito acima dos demais neste ano?

RM: Há grandes equipes e equipes que podem surpreender. E também há outras que se espera muito, porém acabam decepcionando. É sempre assim nessa competição. Os brasileiros são sempre candidatos a fazerem boas campanhas, mas a Libertadores se desenvolve no jogo a jogo.

T: Lembrando da sua história no Grêmio, você foi o artilheiro do clube na Libertadores de 2002. O que faltou para o título?

RM: Foi certamente uma grande decepção. Nós tínhamos uma grande equipe, que era muito forte e qualificada tecnicamente. O tropeço na semifinal contra o Olimpia nos tirou a chance de disputar a final. Talvez o placar primeiro jogo tenha prejudicado, além de estarmos com um homem a menos desde o primeiro tempo.

T: Entre os jogos contra o Olímpia, o Grêmio disputava a já inexistente Copa dos Campeões.

RM: Sim, isso foi outra coisa que acabou prejudicando demais o nosso grupo. No caso, estarmos disputando uma competição paralela à Libertadores, que naquele momento não tinha qualquer valor para o clube. Então, essa logística atrapalhada acabou com o grupo. Faltou gestão do clube na minha opinião. 

T: Em 2002, vocês tinham Zinho, Polga, Roger, Tinga, Fabri… em termos de qualidade, era melhor que o time atual?

RM: No meu modo de entender, sim. Aquele time de 2002 era superior em termos de grupo e individualmente tínhamos jogadores mais qualificados tecnicamente também. Dentro do grupo tínhamos muitas opções de qualidade e esse equilíbrio foi o diferencial daquele grupo.

 



Jornalista formado pela PUCRS em agosto de 2014. Fã de esportes, sobretudo tênis. Colorado por paixão, jornalista por vocação e tenista por opção.