Campeã do UFC, Amanda Nunes revela mágoa com o Brasil: “O país virou as costas para mim”

Amanda Nunes
Crédito da foto: Divulgação/UFC

Campeã do peso galo do UFC, a brasileira Amanda Nunes admitiu mágoa com o país. Em entrevista à revista Marie Claire, a lutadora contou como saiu do Brasil tão jovem em busca de oportunidade no MMA nos Estados Unidos. Segundo ela, a nação norte-americana deu a primeira chance de ela mostrar seu valor nas artes marciais.

“Eu amo viver nos EUA. Não é o meu país, mas foi onde abriram as portas para eu me transformar em quem sou hoje. O Brasil virou as costas para mim. Tenho certeza que se eu ainda estivesse aí, teria parado de lutar. A falta de apoio financeiro é grave. Sou realmente magoada com meu país”, declarou, desapontada.

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Ela também falou sobre a chegada nos EUA. “Quando cheguei nos Estados Unidos, aos 20 anos, com US$ 20 no bolso, fui desacreditada pelo meu primeiro treinador, que só foi pra lá, porque eu o levei. Nunca me esqueci de quando ele me disse: ‘Esse negócio de MMA feminino não vai a lugar nenhum’. Espero que hoje ele se arrependa do que disse na época”, disse.

Em outro trecho do bate-papo, Amanda relembrou seu início no esporte. “Minha história com o esporte começou no futebol, em Pojuca, no interior da Bahia. Mas a falta de ajuda financeira me fez parar de jogar. Aos 16 anos, minha irmã, Vanessa Nunes, me apresentou o jiu-jítsu. Eu era hiperativa e ela achou a minha cara. Eu não fazia ideia do que era. Quando ela me sugeriu, logo respondi: ‘Jiu-Jítsu? Onde é isso?’”, recordou.

“Comecei a treinar em uma academia que tinha acabado de abrir na cidade. Fui a primeira aluna. Lá, vi um cara treinando vale-tudo, era o Eric Parrudo, que depois viria a ser campeão. Fiquei interessada, conversei com ele sobre o assunto e decidi ir pra Salvador treinar profissionalmente em uma academia especializada”, complementou a Leoa.

Confira abaixo outras declarações de Amanda Nunes:

– Machismo

“Não. E sempre treinei com homens. É pesado, eles têm mais força, mas nunca desisti de um treino. Luto em pé de igualdade, como uma garota.”

– Apelido de ‘Leoa’

“Aos 17, quando cheguei em Salvador. O logo da academia Edson Carvalho, onde comecei a me profissionalizar, era formado por dois leões. Como só tinha eu de aluna no meio dos meninos, eles me deram o apelido.”

– O que o UFC feminino tem de evoluir

“Na valorização das atletas pelo que fazem dentro do octógono, e não pelo marketing ou aparência física.”

– A Amanda fora do octógono do UFC

“Sou uma pateta apaixonada pelas amizades, pela minha namorada [Nina Ansaroff, também lutadora do UFC]. Antes da luta com a Ronda, por exemplo, eu estava tão triste, eles me feriram tanto.”

– Homossexualismo

“Foi natural. Na verdade, nestes quatro anos, nunca escondi o nosso relacionamento [ela namora com a também lutadora Nina Ansaroff. Quero ajudar quem ainda tem medo de se expor neste sentido. Sempre fui muito determinada quanto às minhas decisões. E nunca sofri preconceito por isso. Nosso namoro começou de uma amizade. Não foi ao acaso, por isso gosto de dividir nossa história.”

– Sempre namorou meninas?

“Não. Já namorei meninos quando era mais nova. Eu tinha medo da reação da minha mãe na época. Mas hoje é tranquilo.”



Jornalista desde 2012, com passagens pelos jornais ABCD Maior e Diário do Grande ABC, além do canal NET Cidade. Atualmente como repórter colaborador no site Torcedores.com.