PAPO TÁTICO: O show de Gatito e a heroica classificação do Botafogo na Libertadores da América

Crédito da foto: Reprodução / Twitter oficial do Botafogo

Os alvinegros mais antigos costumam repetir que “certas coisas só acontecem ao Botafogo”. Essa crença de que o “imponderável” aparece com mais frequência nos jogos do Glorioso ajuda a explicar fatos como o que eu e você presenciamos na noite desta quarta-feira. Os comandados de Jair Ventura entraram no Defensores del Chaco com uma equipe bem diferente daquela que o torcedor está acostumado, perderam seu goleiro na metade do segundo tempo e ainda viram o Olimpia pressionar até conseguir o gol que igualava a disputa por uma vaga na fase de grupos da Libertadores da América. E é nesse contexto que (re)ssurge a figura de Gatito Fernández. De nome certo para a vaga deixada por Sidão a reserva no jogo contra o Olimpia, o camisa 25 entrou na partida, fez grandes defesas e ainda pegou três pênaltis. Dentre as tais “coisas que só acontecem ao Botafogo”, parte delas devem reservar uma boa dose de felicidade para a sua torcida e para seus jogadores. Gatito que o diga.

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É bom que se diga que a postura dos comandados de Jair Ventura na partida foi um tanto quanto perigosa. Mesmo com Matheus Fernandes distribuindo o jogo e marcando com qualidade (junto com Aírton e Bruno Silva), o Botafogo sofreu um pouco com as investidas de Pablo Mouche, Julián Benítez e Brian Montenegro. Improvisado na lateral direita, o garoto Marcelo encontrava dificuldades para apoiar o ataque e para se encontrar na posição, já que o camisa 14 fazia o movimento natural de um zagueiro. Enquanto o Glorioso tentava se encontrar no ataque (já que Camilo e Rodrigo Pimpão seguiam muito bem vigiados e João Paulo ainda não tinha se encontrado no meio-campo botafoguense), a equipe dirigida por Pablo Repetto mantinha o 4-4-2 do jogo do Engenhão e explorava bem os lados do campo. É verdade que faltava paciência e capricho nos passes para que o Rey de Copas conseguisse furar o eficiente bloqueio defensivo do Botafogo, mas o time paraguaio era um pouco melhor.

No primeiro tempo, o time do Olimpia tentou explorar os lados do campo no ofensivo 4-4-2 de Pablo Repetto, mas esbarrou na boa marcação e na disciplina tática do Botafogo. Só faltou Camilo, João Paulo e Rodrigo Pimpão entrarem mais no jogo.
No primeiro tempo, o time do Olimpia tentou explorar os lados do campo no ofensivo 4-4-2 de Pablo Repetto, mas esbarrou na boa marcação e na disciplina tática do Botafogo. Só faltou Camilo, João Paulo e Rodrigo Pimpão entrarem mais no jogo.

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Apesar dos problemas, o Botafogo jogava bem e caminhava rumo à classificação. Difícil foi entender os motivos que levaram Jair Ventura a sacar Matheus Fernandes para a entrada de Gilson, lateral que foi jogar como volante. O time carioca foi recuando e dando o campo que o Olimpia queria para armar as suas jogadas de ataque. As mexidas de Pablo Repetto (que percebeu que poderia se aproveitar desse recuo excessivo do Botafogo) rearrumaram a equipe paraguaia numa espécie de 3-3-4 extremamente ofensivo. Com Julián Benítez armando o jogo mais atrás, Brian Montenegro atrás de Roque Santa Cruz e Walter Bogado quase como um ponta pela esquerda, o Rey de Copas chegou ao único gol do jogo em bela jogada na entrada da área e completada pelo seu camisa nove. E isso quando Gatito Fernández já havia entrado no lugar de Helton Leite e feito duas boas defesas. Jair Ventura só mexeu (mandando Guilherme a campo no lugar de Aírton) no time quando já era tarde demais.

Enquanto o Botafogo apenas se defendia, o Olimpia se lançou ao ataque com as entradas de Roque Santa Cruz e Walter Bogado. O único gol do jogo saiu em bela jogada na entrada da área botafoguense, num dos únicos vacilos de Joel Carli e companhia.
Enquanto o Botafogo apenas se defendia, o Olimpia se lançou ao ataque com as entradas de Roque Santa Cruz e Walter Bogado. O único gol do jogo saiu em bela jogada na entrada da área botafoguense, num dos únicos vacilos de Joel Carli e companhia.

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A estrela solitária brilhou de verdade quando Gatito Fernández (torcedor do Cerro Porteño, grande rival do Olimpia) foi para o gol à direita das cabines de TV e pegou três cobranças na decisão por pênaltis. Alguns relembraram seu pai, o grande “Gato” Fernández, ídolo da torcida paraguaia. Outros invocaram Manga, Ricardo Cruz e Wagner. Seja como for, o goleirão já tem uma bela história pra contar e todas as condições de se firmar na posição e o clube de General Severiano. De grande contratação, passando pela dificuldade na adaptação a um grande centro do futebol e amargando a reserva na partida, o camisa 25 se transformou no grande herói da classificação para a fase de grupos da Copa Libertadores da América. Vale destacar também a maneira como Camilo, Rodrigo Pimpão e Victor Luís converteram as suas cobranças. Além do dever de casa bem feito, os três deram a tranquilidade necessária ao time. Ah, e antes que alguém fale: pênalti não é loteria; é COMPETÊNCIA. E isso sobrou no Botafogo na noite desta quarta-feira.

Os comandados de Jair Ventura estreiam na fase de grupos da Libertadores da América no dia 14 de março, em casa, no Estádio Nilton Santos. Aliás, esse será o grande teste da equipe. Depois de passar por alguns gigantes do futebol sul-americano (Colo-Colo e Olimpia), o Glorioso terá Estudiantes de La Plata, Atlético Nacional de Medellín e Barcelona de Guayaquil pela frente, num dos “grupos da morte” da competição. Nem é preciso dizer que vencer em casa será fundamental. Jair Ventura tem o time na mão e sabe o momento de variar os esquemas táticos conforme a necessidade da partida. Se mantiver a mesma garra e a mesma competência das últimas partidas, a tendência é que o Botafogo dê ainda mais alegrias à sua torcida.



Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.