Conheça a histórica epopeia do Atlético Tucumán na Libertadores 2017

Atlético Tucumán x Oriente Petrolero
Reprodução/Facebook Atlético Tucumán

Ao se falar de futebol na Argentina, provavelmente a maioria das pessoas pense em Boca Juniors e River Plate, algo completamente normal. No entanto, na noite desta terça-feira (07), quem roubou a cena foi o pequeno time que atende pelo nome de Atlético Tucumán, que viveu uma história digna de epopeia, a qual será contada abaixo.

Tudo começou ano passado quando o regulamento do Campeonato Argentino previa que o quinto time de melhor campanha ficasse com uma vaga na Copa Libertadores. E foi justamente o Atlético Tucumán, promovido à primeira divisão naquela temporada, que conseguiu o feito.

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No entanto, a AFA (Associação de Futebol da Argentina), querendo deixar a competição “mais pesada”, pensou em fazer uma disputa pela vaga envolvendo Tucumán e o tradicional Independiente. O time do norte argentino ameaçou ir à FIFA, os jogadores disseram que não entrariam em campo e, depois de muita “enrolação”, a vaga aos Decanos, como são são conhecidos, foi confirmada.

A tão sonhada estreia

A estreia no torneio continental aconteceu na semana passada, no acanhado estádio Monumental José Fierro pulsando e respirando o “clima de Libertadores”, diante do El Nacional do Equador. Muita festa nas arquibancadas, mas no gramado os Decanos não corresponderam às expectativas. Mesmo estando duas vezes a frente do marcador com Zampedri e Barbona, empataram por 2×2 e foram para o Equador em desvantagem, tendo que ganhar ou empatar por mais de 3×3 na altitude superior a 2800m.

O desenrolar da epopeia

E é justamente em terras equatorianos que a parte principal da epopeia se desenrola. Ao chegar em Guayaquil, o voo do Tucumán para Quito sofreu atraso de três horas devido à problemas na documentação da aeronave fretada e foi necessário arrumar outro avião. No entanto, o encontrado não comportava a delegação e alguns torcedores. Assim, 19 atletas e seis membros da comissão técnica viajaram em um voo de carreira. Foi necessário que o embaixador da Argentina em Quito, Luiz Juez, interferisse pela realização da partida, já que os Decanos corriam o risco de serem eliminados por W.O, como previsto em regulamento.

O ônibus com a parte da delegação que conseguiu ir para Quito “voou” pelas ruas equatorianas a 130 km/h escoltado por policiais e chegou ao Estádio Olímpico Atahualpa às 23h10 (de Brasília). A partida deveria começar 55 minutos antes. Sem os uniformes, foi necessário que vestimentas da seleção argentina sub-20, que disputa Sul-Americano no Equador, fossem emprestadas e o Tucumán entrou em campo com a camisa da Albiceleste.

Final feliz

Dentro das quatro linhas, sobrava vontade e faltava técnica aos argentinos. O El Nacional parecia jogar com o regulamento e administrava o resultado. Até que, aos 18 minutos do segundo tempo, Barbona escapou pelo lado esquerdo e fez cruzamento que acabou desviando e sobrando na cabeça do artilheiro Zampedri, que não desperdiçou e colocou a redonda de cabeça no fundo das redes, anotando o gol da classificação.

Após superar tantas adversidades, os próprios dirigentes incompetentes, o atraso, o pequeno time do norte da Argentina irá enfrentar o Junior Barranquilla, da Colômbia, na terceira fase da Copa Libertadores da América. Pensando em fazer história, os argentinos querem despachar os colombianos para conquistar uma vaga na fase de grupos, onde teriam pela frente Palmeiras, Peñarol-URU e Jorge Wilstermann-BOL.