Presente sofrido, passado glorioso: há 10 anos, Inter ia à final do Mundial

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De Yokohama à Edson Passos, o Inter trilhou em 10 anos o caminho da glória ao vexame. Se no último domingo, no acanhado e abafado estádio na Baixada Fluminense, o clube vivenciou o seu primeiro rebaixamento na história – a partir do empate em 1×1 contra o Fluminense -, há dez anos atrás a situação era bem distinta. Neste mesmo dia 13 de dezembro, em 2006, os colorados garantiam vaga no jogo mais importante da história e se enchiam de confiança para duelar contra o poderoso Barcelona.

Era o primeiro Mundial da história do Inter, que, meses antes, venceu a Libertadores de forma inédita e começava a dar fim aos anos de sombra ante o rival Grêmio, detentor das duas taças desde os anos 80. Comandado por Abel Braga, o grupo colorado sofreu algumas baixas da competição continental rumo ao Mundial de Clubes, como as perdas de Bolívar, Jorge Wagner, Tinga e Rafael Sóbis. Ainda assim, o favoritismo era notório sobre o desconhecido Al-Ahly, do Egito, na semifinal daquele dia 13 de dezembro.

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Mas foi no sufoco que o Inter obteve a sua vitória e a posterior classificação à grande decisão em Yokohama. Em um jogo nervoso, estudado e com poucas chances de gol, os gaúchos sorriram logo aos 23 minutos, quando Alexandre Pato bateu firme na saída do goleiro. Mas o placar aberto pelos brasileiros pouco parecia importar os africanos, que não mudaram a maneira de atuar e seguiram tranquilos cumprindo o papel de franco-atirador, apenas à espera de uma oportunidade.

E ela veio logo aos 9 minutos da segunda etapa. Clemer se atrapalhou ao cortar uma bola pela linha lateral, demorou para voltar ao gol e ajudou o centroavante Flávio a cabecear para o fundo das redes. O drama só não foi maior porque Luiz Adriano, aos 27 minutos, aparou de cabeça um escanteio batido por Ceará. O alívio ficou estampado no rosto de cada um dos jogadores colorados após a partida, que botou o Inter a 90 minutos de sua maior glória.

“Foi claro que a ansiedade da estréia pesou, ao contrário do Al Ahly que já tinha jogado. Não só a ansiedade, pelo jogo ser o primeiro, mas também o mais importante da história do clube. Agora passa a ser o de domingo. Foi um jogo difícil, porque o adversário está com o mesmo treinador há dois anos e meio, tem um conjunto bom”, resumiu o técnico Abel Braga, logo após a classificação.

Sem o peso e a responsabilidade do primeiro jogo diante dos africanos, o Inter, na condição de azarão, surpreendeu o Barcelona dias depois e chocou o mundo ao colocar na lona o time de Ronaldinho Gaúcho, Deco e cia. O feito, que completa 10 anos no próximo dia 17, mereceria uma enorme comemoração no Beira-Rio – isso se não fosse o clima de perplexidade e consternação que paira neste momento sobre o clube, em vias de disputar sua primeira Série B.

Relembre a vitória colorada na semifinal do Mundial de 2006:



Jornalista formado pela PUCRS em agosto de 2014. Fã de esportes, sobretudo tênis. Colorado por paixão, jornalista por vocação e tenista por opção.