Contratação de Moreno seria intransigência da diretoria cruzeirense

Washington Alves / Light Press/ Cruzeiro

Opinião

Mal terminou a temporada 2016 e o Cruzeiro já começa a se mexer para a montagem do elenco pensando em 2017. E neste vai e vem do futebol já foi cogitado um possível retorno do atacante Marcelo Moreno à Toca da Raposa. O boliviano, inclusive, é um jogador que sempre que esteve na equipe celeste mostrou serviço. Porém, neste atual momento, uma possível negociação com Moreno pode significar um tiro pela culatra da diretoria cruzeirense.

Isso, porque no meio de 2016, vivendo um péssimo momento, o Cruzeiro teve que abrir os cofres para contratar o argentino Ramón Ábila junto ao Huracan. Na negociação, o time celeste desembolsou cerca de R$ 12,6 milhões por 50% dos direitos econômicos do atleta, fazendo com que a transação fosse a segunda mais cara em toda a história do clube, perdendo apenas para a do zagueiro Dedé, quando foram retirados dos cofres R$ 14 milhões por 45% dos direitos econômicos do defensor.

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Um possível retorno de Marcelo Moreno significaria ao mesmo tempo que o investimento feito em Ábila estaria indo por água abaixo. E o pior, é que o Cruzeiro teria que investir mais dinheiro, pois os vencimentos que o boliviano recebe na China não são modestos e ultrapassam o valor de R$ 1 milhão. Moreno até mostra vontade de retornar ao futebol brasileiro, porém, mesmo aceitando reduzir os salários, a proposta da Raposa não agradou o seu empresário, Fabiano Farah, pois giraria em torno de R$ 500 mil.

Com uma análise mais ampla, ter Moreno e Ábila no mesmo time conflitaria com as ideologias de Mano Menezes. O treinador já mostrou sua preferência por atacantes de mobilidade, tanto é, que Willian deve permanecer no Cruzeiro em 2017 justamente por ter esta característica. Mesmo que o atacante boliviano também consiga jogar fora da área, definitivamente é um jogador de referência, assim como Ábila.

Pelo alto preço investido em Ramon Ábila, seria muito negligente a contratação de Moreno, pois traria uma desvalorização imensa a um jogador que custou caro aos cofres do clube e que já mostrou ter muito potencial e faro de gol, mesmo com uma queda de rendimento ao final da temporada.

No mais, a diretoria do Cruzeiro deve ter em mente que os principais pontos de fragilidade do time se encontram nas laterais. Os diretores tanto sabem disso, que já anunciaram a contratação de Diogo Barbosa, do Botafogo.

Como esse ano é de eleição no Cruzeiro, nos bastidores comenta-se que Gilvan fará investimentos altos, pois não quer sair da presidência do clube deixando o time em baixa como foi nas últimas duas temporadas. Contudo, é preciso ser sensato para analisar bem as contratações e não ir no embalo e emoção do torcedor. Trazer um jogador de status para agradar a torcida sem analisar o que acarretará aos cofres do clube tal negociação é no mínimo negligencia.

 



Foi editor do semanário BolanoBarbante, apaixonado por esportes, entusiasta das corridas de rua e dos jogos de tênis.