Voz do UFC exalta Galvão Bueno: “Ele é ótimo, o respeito muito”

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Conhecido como “Voz do UFC”, o apresentador Bruce Buffer chama a atenção em qualquer país em que a companhia esteja. Pela energia que carrega no octógono na hora de apresentar os lutadores, é difícil acreditar que Buffer já tenha 59 anos. E, no que depender dele, pelo menos mais 10 anos de microfone em punho vão acontecer. Se demonstra isso nas arenas de luta da companhia, a “Voz do UFC” também aposta as fichas que o novo presidente dos EUA, Donald Trump, fará um bom governo e que não vai prejudicar o MMA. Além disso, fez questão de elogiar o narrador e apresentador da TV Globo, Galvão Bueno.

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Em entrevista exclusiva ao Torcedores.com, concedida dias após o histórico card do UFC 205 – o primeiro a acontecer no Estado de Nova York após quase 20 anos de proibição -, que consagrou na arena montada no Madison Square Garden o irlandês Conor McGregor como o primeiro campeão de duas categorias de forma simultânea, Bruce Buffer falou sobre tudo.

O apresentador comentou sobre o início da carreira, sobre futuro, sobre a expectativa do UFC Fight Night que acontecerá na noite do próximo sábado (19) no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo e declarou amor para os fãs brasileiros. E mais: Buffer afirmou ser um grande fã de ninguém menos do que Galvão Bueno.

Simpático, a “Voz do UFC” sabe o poder que tem. Tanto que anuncia em seu site gravações personalizadas por US$ 99 dólares em que você, caso queira, pode se tornar o mais novo campeão de MMA. “Gastei muito mais dinheiro do que isso, mas o que for arrecadado será doado para a caridade”, explicou Buffer à reportagem.

Confira a entrevista de Bruce Buffer ao Torcedores.com:

Torcedores.com: Como foi para você apresentar o card do UFC 205? Foi um evento em que, pela primeira vez, tivemos um campeão simultâneo em duas categorias?

Bruce Buffer: Foi incrível. Estou no octógono do UFC há quase 20 anos e nunca anunciei um campeão de duas categorias simultaneamente. Conor McGregor entrou no octógono, falou o que falou, subiu na grade… Goste dele ou não, queria vê-lo ganhar ou perder, você tem de chamá-lo agora, além de “Notório”, de rei agora. Ele tem esse rótulo.

Na luta entre Tyron Woodley e Stephen Thompson, você cometeu um pequeno erro na hora de anunciar o resultado. Isso já havia acontecido antes?

Eu erro bem pouco, na verdade. Mas, neste caso, não aconteceu da minha parte. Eu sou o mensageiro. O que houve nesse caso foi que a Comissão me chamou e disse que o resultado seria “decisão dividida”. Vi dois resultados com empate por 47-47 e perguntei: “vocês têm certeza?” e eles confirmaram. Mas depois me chamaram e perguntei se mudaram o resultado. Eles disseram que não. “Então por que me chamaram?” (risos). Mas depois eles me chamaram novamente depois que eu anunciei e falaram que era “empate majoritário”. Disse: “Bem, obrigado, agora vou ter de ir lá anunciar de novo.”

Eu divido o erro, porque, quando você anuncia, os membros da comissão são os deuses e você tem de seguir as regras. No futuro, para evitar que algo assim aconteça novamente, vou falar mais do que nunca se eu ver algo que me pareça questionável.

Como foi para você anunciar o card do UFC 205 no Madison Square Garden, palco de inúmeros jogos de basquete e lutas de boxe, e que recebeu MMA pela primeira vez em quase 20 anos?

Nada menos do que incrível! Na sexta-feira (11) fui em Nova York na Wall Street e, ao lado de Matt Hughes (ex-campeão dos meio-médios e membro do hall da fama do UFC) e Stipe Miocic (atual campeão dos pesos pesados), participei da cerimônia de toque do sino. E foi assistido por cerca de 20 milhões de pessoas na TV e na internet.

Sobre o Madison Square, foi o auge da minha carreira. Tivemos recordes de venda, pré-venda, todos os deuses fizeram deste UFC o maior de todos, mesmo comigo errando o resultado da luta do Tyron Woodley (risos). Mas ele venceu, então, está tudo certo (mais risos).

E se o UFC 205 fosse em Las Vegas? Teria tantos recordes de venda?

Acho que seria grande se você em Las Vegas, mas acho que o romance e o fato de ser um grande show no Madison Square Garden, com certeza ajudou a ter mais vendas. Seria grande em Las Vegas, mas foi maior em Las Vegas.

Você estará em São Paulo para o UFC Fight Night do próximo sábado?

Absolutamente! Poxa, você acha que eu perderia uma luta no Brasil? Eu amo o Brasil, o Brasil ama o UFC! Fico muito ansioso para os eventos aí porque o público é sensacional. Amo todos vocês no Brasil.

Mas o card não é dos melhores. Já tivemos cards melhores no Brasil, com disputas de cinturão no Rio de Janeiro, em Curitiba. Em São Paulo, não é isso que vai acontecer. Para você é a mesma coisa anunciar um Fight Night do que uma disputa de cinturão?

Bem, o que posso dizer é que o UFC não é sempre um “home-run”, com cards espetaculares. Há muitos cards, muitos lutadores. Para mim, é sempre um show. Terá Nogueira x Bader, Thomas Almeida, que eu adoro ver lutar… Será uma grande noite. Quando as pessoas dizem: “ah, não vai ser um bom show”, normalmente acontece de ser um dos melhores cards, porque os lutadores são jovens e lutam cheios de garra. Eu também fico ansioso por cards como esse.

Você tem um ritual pré-lutas?

Meu ritual, basicamente, é acordar, fazer um treino, tomar um bom café da manhã para me dar energia para terminar meus cartões das lutas, o que leva entre uma e duas horas. Depois disso, vou para a meditação, o que é muito importante para pôr a carreira no lugar. Eu nunca ensaio o que vou dizer no octógono. E depois descanso um pouco e vou para o local das lutas, para sentir a energia dos fãs antes de ir trabalhar.

No seu livro (“It’s Time – Minha Visão 360º do UFC”), você escreve que decidiu se tornar um apresentador de lutas depois de consolidar a carreira de seu irmão, Michael Buffer, como apresentador no boxe. Mas como foi o começo?

Eu costumava ver Michael na TV e tinha a mesma opinião de várias pessoas: “uau, esse é o melhor emprego do mundo. Você viaja, conhece pessoas, mulheres bonitas, veste smokings e vê grandes lutas”. Isso era muito atraente para mim quando conheci Michael, adulto, já que nós não crescemos juntos.

Com isso, comecei a gerenciar a carreira dele e tentei trilhar um caminho como apresentador para mim. Concordamos que eu não anunciaria boxe, iria surgir algo para mim. E quando o UFC surgiu, sabia que era para mim, já que pratico artes marciais desde que tinha 12 anos. E foi difícil. Tive de pressionar, pedir, lutar por esse emprego. Mas deu certo e estou no UFC há mais de 20 anos.

Nas suas horas livres você acompanha outros esportes na TV? Há algum outro apresentador ou narrador que você gosta de acompanhar?

Apresentar não é uma ciência exata. Há vários bons apresentadores por aí, mas o único em que eu realmente presto atenção é meu irmão Michael Buffer. Ele é o maior de todos, uma lenda, mas nossos estilos são muito diferentes. Como digo, não queria ser um Frank Sinatra Jr.

E sobre a sua pergunta, não há ninguém como eu. Eles fazem um bom trabalho com suas vozes, anunciando. Mas eu me considero um fã em primeiro lugar. Depois, um “performer” e depois um apresentador. Eu gosto de entreter, colocar meu coração e minha energia para os lutadores. E acho que é por isso que me dou bem com os fãs brasileiros, que são muito passionais. Eles reconhecem essa paixão.

Há um narrador muito, muito famoso no Brasil chamado Galvão Bueno. Ele é o primeiro narrador da TV Globo, que é a maior do país e é mais conhecido por narrar futebol. Mas ele já narrou eventos do UFC. Você o conhece?

É o que fala “Gooooool”? (risos). Sim, sim, conheço, ele é ótimo! Eu não sabia que ele fazia eventos de MMA. Eu não sabia que ele fazia MMA. Ele é ótimo, o respeito muito. É um exemplo de um cara que sabe como entreter.

Você completou 59 anos em maio. Quanto tempo mais você pretende trabalhar como apresentador no UFC e no MMA?

Por mais dez anos, sem dúvida.

E depois disso? A ideia é jogar pôquer, como você já faz nas horas vagas?

(Risos). Jogar pôquer agrada minha família. Seria uma espécie de aposentadoria, porque eu viajo muitas semanas hoje e isso sacrifica a vida, sacrifica as relações com a família. Mas eu amo o que faço. Vou me aposentar quando perder a paixão pelo o que faço ou não puder mais viajar. Me amem ou me odeiem, mas terão de me aguentar (risos).

A eleição de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos vai mudar alguma mudança ao UFC e ao MMA?

Não vai mudar nada. Veja, quando se tem um novo presidente eleito, e falo agora como cidadão americano, você tem de ter orgulho desse país, ser patriota. Temos de dar uma chance a ele e ser leais a ele. Encorajo a todos que votaram ou não em Donald Trump que o apoiem. Se ele fizer algo errado, que Deus o perdoe. Temos de nos unir para seguir em frente.

Você votou em Donald Trump?

Nunca vou dizer em quem votei. Mas te digo o seguinte: não votei em Donald Trump. Mas o estou apoiando e juro minha lealdade ao meu novo presidente.

Para finalizar, qual é o lutador e a luta mais épica que você viu no UFC, boxe ou qualquer esporte de luta?

É muito difícil para mim porque vi milhares de lutas e lutadores. Anderson Silva é um dos meus favoritos de todos os tempos, Ronda (Rousey) é uma das minhas favoritas, Jon Jones, apesar dos problemas pessoais, Randy Couture, Chuck Liddell… poderia ir longe citando grandes guerreiros que vi no octógono. Grandes lutas? Acho que Dan Henderson x Mauricio Shogun (no UFC 139, em 2011, vencida por Henderson), a final da TUF 1 entre Forrest Griffin x Stephen Bonnar (em 2005, vencida por Griffin), algumas de Randy Couture, de BJ Penn… É difícil dizer porque, sempre acho que vi uma luta espetacular, um vez depois acontece outra. E isso é a magia do UFC e do MMA.



Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.