Renato conta como faz para jogar em alto nível e diz até quando pretende ficar no Santos

4 motivos para acreditar na vitória do Peixe
Ivan Storti/Santos FC

Revelado pelo Guarani, time do interior de São Paulo, o volante Renato ganhou projeção no futebol vestindo a camisa do Santos. No Peixe, foi campeão Brasileiro em 2002 e, vestindo a camisa 8, chegou até a seleção brasileira. Logo se tornou ídolo na Vila Belmiro, onde ficou até 2004 – saiu para jogar no Sevilla, da Espanha.

Após o sucesso com o time espanhol sendo o estrangeiro que mais vestiu a camisa do Sevilla, Renato retornou ao futebol brasileiro em 2011 para jogar no Botafogo. Foram três anos no time carioca, para depois voltar ao Santos no ano de 2014.

Atualmente com 37 anos, o volante, que entrou em campo em todos os jogos do Santos no Brasileirão deste ano, falou com exclusividade com o Torcedores.com. Confira:

Torcedores – Qual é segredo para atuar em alto nível com 37 anos de idade?

Renato – Eu friso sempre a pré-temporada. A gente teve tempo para trabalhar a parte física que é importante. É o primordial para aguentar a carga de jogos na temporada, a gente sabe que tem o brasileiro, o estadual e a Copa do Brasil que são campeonatos longos, que acaba tendo um desgaste físico muito grande.Então, essa pré-temporada acabou ajudando para que eu possa jogar todos jogos, e a prevenção que faço antes dos treinamentos, isso acaba me ajudando também,  principalmente fortalecendo as massas musculares.São esses dois fatores que acabam me ajudando.

Torcedores  – Após o jogo contra o Vitória perguntei ao técnico Dorival JR se ele te colocaria como o melhor jogador do brasileiro pela sua regularidade. Ele disse que te elegeria entre os três melhores do campeonato e da sua posição você era o melhor. Você concorda com o treinador? E qual jogador da sua posição você colocaria em destaque neste Brasileirão?

Renato – Com o treinador a gente concorda (risos), fico feliz pelas palavras do professor, deixo essa análise para vocês da imprensa e a ele pela função de treinador. Estou sempre procurando fazer o meu melhor dentro de campo. E da minha posição vejo o (Willian) Arão do Flamengo que está fazendo um bom campeonato. É um volante que marca e sai para o jogo. Tem o Tchê Tchê do Palmeiras, que às vezes joga na lateral e de volante também. É um jogador polivalente.

Torcedores –  Você jogou na geração de 2002 com Diego e Robinho e vive atualmente essa nova safra de garotos da vila, com Thiago Maia, Victor Ferraz, Zeca e Lucas Lima. Por que a categoria de base do Santos dá resultados? E como é pra você, jogador experiente no elenco, jogar ao lado dessa garotada?

Renato –  Olha, acho que o Santos vem dando certo até por que apostou em jogadores no passado. Na minha época apostou em Diego, Robinho, Elano, William, Paulo Almeida, jogadores que estavam  na categoria de base. Acredito que foi uma forma que deu certo e a partir dali o Santos continuou apostando e a garotada correspondeu dentro de campo. Os garotos que sobem para o profissional, já sobem com uma certa responsabilidade, por que sabem que vão ter oportunidade, sabem que vão jogar, isso é importante para eles. Nós, experientes dentro do Santos, tentamos passar muita confiança para eles, para que eles joguem da mesma forma da base no profissional. Não tem de mudar nada no estilo, somente taticamente alguma coisa que é normal e faz parte do processo de adaptação. Na parte técnica não tem que mudar as características, se for jogador de habilidade tem que ir pra cima, tem que ir no um contra um. E jogar ao lado desses jogadores eu fico feliz. Eu que tive a oportunidade de jogar com vários jogadores consagrados, quando cheguei aqui, tinha Valdo, Edmundo, Dodô, Rincón, aprendi muito com eles. Espero sempre estar passando conselhos pra eles, principalmente para o Thiago que vive jogando comigo por ser do setor que jogo. Converso sempre com ele fora de campo, dou conselhos como também para o Victor, Lucas, Bueno. São jogadores de grande potencial que futuramente estarão na seleção.

Torcedores – Você comentou agora pouco que jogou ao lado de jogadores consagrados da sua posição. Qual jogador que você se espelhou dentro de campo?

Renato – Quando eu comecei eu era um meia, não volante. Joguei uma Taça São Paulo em 1997 como segundo volante, fui artilheiro, inclusive, da Taça São Paulo daquele ano. Eu admirava muito o Giovanni vice campeão brasileiro com o Santos em 95. Eu, como meia, me espelhava nele. Depois quando fui atuar de segundo volante tive que aprender a marcar. Pensava como meia mas tinha que ter mais marcação. Na função de volante me espelhei no Mauro Silva e no César Sampaio nos aspectos táticos e de marcação.

Torcedores – São quatro pontos de diferença para o líder do Campeonato Brasileiro. Faltando três rodadas apenas, matematicamente o Santos tem chances de buscar campeonato e cria uma certa expectativa para o torcedor. Caso o Santos não consiga bater o campeão, porque é uma tarefa difícil, qual será o sentimento do jogador Renato?

Renato –  Temos que fazer a nossa parte. Primeiro temos que tentar vencer os três jogos e torcer para que o Palmeiras tropece. Não depende só de nós. É difícil. É complicado. Mas não vindo o campeonato, a gente sabe que a equipe fez um bom trabalho. Pecou em  alguns jogos pontuais, a gente sabe que hoje os pontos perdidos lá atrás fazem a diferença. Então a gente fica um pouco frustrado, o Brasileiro é feito por regularidade. Queremos  ficar no G-3 para evitar a pré-Libertadores. Se chegarmos no G-3, o trabalho será bem feito. Durante o campeonato conseguimos repetir o time seis ou quatro vezes, por motivos de lesões e convocações. Mas se chegarmos a Libertadores já será um excelente trabalho.

Torcedores – Qual foi seu jogo mais emblemático neste brasileiro?

Renato – Foi o jogo contra o Corinthians, no qual jogamos na Vila com o time todo desfalcado. O Corinthians vivia um momento melhor do que o nosso. Precisávamos do resultado para encostar no G-4. Saímos atrás do placar  e a equipe teve personalidade para virar o placar, fiz um gol de cabeça no final da partida. Então, coloco esse jogo como o mais emblemático.

Torcedores – Você está com 37 anos. Pretende jogar por mais quantas temporadas?

Renato – Tenho contrato com o Santos até o ano que vem, até dezembro. Depois, quero até 2018. Aí, depois, quero sentar com a minha família ver o que  é melhor. Mas, como eu digo, até quando eu  tiver o prazer de vir treinar e jogar com a camisa do Santos vou querer estar jogando. A partir do momento que eu perder essa ambição de ganhar títulos, aí realmente irei parar.

Torcedores –  Pretende ser treinador, dirigente?

Renato – Treinador, não. Porque quero evitar as concentrações (risos). É uma situação que pesa muito em casa, então não quero ser treinador para evitar muitas viagens, meus filhos acabam me cobrando muito. Mas quero ajudar o clube, espero que o clube me aceite (risos). Ou ser dirigente ou fazer parte da comissão técnica. Mas é algo que ainda não parei para pensar.

Torcedores-  Renato, desde já agradeço a atenção com o Torcedores.com. Para fechar, qual é sua analise da atual situação do futebol brasileiro tecnicamente dentro de campo e fora dele?

Renato – Técnico, dentro de campo, está tendo certa evolução. Os treinadores estão acompanhando o futebol, estão tendo a oportunidade de acompanhar o futebol europeu e criando uma nova filosofia trabalhando com a bola no chão. Fora dele precisamos melhorar em relação à arbitragem. Todo campeonato tem o foco maior na arbitragem e isso acaba desgastando e não vemos o futebol brasileiro evoluir em relação a isso. Torcemos por uma melhora. A gente sabe que o Brasileiro é um campeonato bastante competitivo com as equipes no parâmetro igual. Tomara que cada ano possa estar surgindo  novos craques. Feliz também por ver alguns jogadores que estavam na Europa, hoje voltando. Como caso do Diego que hoje infelizmente não está com a gente, mas acrescenta demais para a qualidade dos nossos campeonatos.

 

Confira abaixo a entrevista exclusiva com o camisa 8 do Peixe em áudio.

 

Ficha técnica:

 Nome completo: Renato Dirnei Florêncio

Idade: 37 anos

Times: Guarani 1996-2000

            Santos 2000- 2004

            Sevilla Esp – 2004-2011

          Botafogo RJ 2011-2014

         Santos 2014 ( Atualmente)

Titulos:  Santos – Campeonato Brasileiro 2002, Paulista 2015,2016.

               Servilla- Copa Uefa 2006 , 2007,  Copa do Rei 2006-07 , 2009-010, Super Copa Europeia 2006 , Super Copa da Espanha 2007.

Botafogo Taca Rio 2012,2013,  Taça Guanabara 2013.



Rafael Jacobucci - O Faro da Bola. - Repórter - Comentarista - Apresentador