PAPO TÁTICO: O passeio do Grêmio de Renato Gaúcho no primeiro “round” da Copa do Brasil

Everton
Crédito da foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

É difícil dizer o que mais me surpreendeu neste primeiro “round” da decisão da Copa do Brasil: a organização e o eficiente jogo coletivo do Grêmio ou o “barata-voa” e a bagunça tática do time do Atlético-MG. Impossível mesmo é não ficar impressionado com a grande atuação do Tricolor Gaúcho na vitória por três a um sobre o Galo em pleno Mineirão. Setores compactados, saída de bola organizada e qualificada, jogadores sabendo exatamente o que precisam fazer em campo e muita disciplina tática foram alguns elementos do time comandado por Renato Gaúcho na noite desta quarta-feira. A (ótima) vantagem conquistada na casa do adversário é a recompensa de todo um trabalho de imposição de estilo de jogo e de correção de problemas pontuais da equipe. Mesmo que Marcelo Oliveira tenha “colaborado” diretamente com o resultado.

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Apesar de Atlético-MG e Grêmio terem entrado em campo armados no mesmo desenho tático (o conhecido 4-2-3-1), os dois times não se comportaram da mesma forma. Enquanto o Tricolor Gaúcho usava e abusava das triangulações, do ótimo passe de Maicon e Douglas e da velocidade de Pedro Rocha, o Galo tentava chegar ao ataque na base do brilho individual dos seus jogadores. E só. Com a marcação muito bem encaixada e com o ataque levando perigo aos contra-ataques, o Grêmio aproveitou a desorganização adversária para abrir o placar num golaço de Pedro Rocha, em jogada típica de quem TREINOU A PARTE TÁTICA: o camisa 32 saiu da esquerda e entrou em diagonal, cortou o zagueiro Gabriel e tocou na saída de Victor. Pode parecer simples, mas é assim que funciona. E mesmo com Marcelo Grohe operando milagre em chute de Júnior Urso, a superioridade técnica e tática do Grêmio era imensa no Mineirão.

Apesar do elenco milionário, Marcelo Oliveira viu o Grêmio de Renato Gaúcho aproveitar a desorganização atleticana e os espaços no meio-campo para abrir o placar com um belo gol de Pedro Rocha. A cratera no meio-campo do Galo era do tamanho do volume de jogo gremista.
Apesar do elenco milionário e dos nomes badalados, Marcelo Oliveira viu o bem organizado e aplicado Grêmio de Renato Gaúcho aproveitar toda a desorganização atleticana para abrir o placar com um belíssimo gol de Pedro Rocha no primeiro tempo. A cratera no meio-campo do Galo era do tamanho do volume de jogo gremista. E olha que ainda ficou barato.

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O panorama não mudou na segunda etapa. O Atlético-MG seguia tentando o gol de empate na base do “vamo que vamo” e o Grêmio se fechava na defesa esperando a chance certa para dar o bote. Um pequeno parêntese: você pode não gostar da proposta de jogo do técnico Renato Gaúcho, mas não pode negar que o time do Grêmio é bem organizado taticamente. Foi dessa maneira, aproveitando os contra-ataques e mantendo o foco no erro do adversário, que Pedro Rocha fez fila de quatro atleticanos e marcou o segundo gol do Grêmio. E nem mesmo com a expulsão (discutível) do atacante gremista e com o Galo diminuindo com belo gol de Gabriel, os comandados de Renato Gaúcho deixaram de lado a aplicação tática. O Imortal se fechou num 4-4-1, segurou o “abafa” do Atlético e ainda conseguiu marcar o terceiro gol com Everton completando cruzamento perfeito de… Pedro Geromel! A vitória do Grêmio no Mineirão é a prova de que a aplicação tática, o trabalho e a disciplina podem sim vencer campeonatos. Palmas para Renato Gaúcho.

Depois da expulsão de Pedro Rocha e do gol do zagueiro Gabriel, o Grêmio se fechou num 4-4-1 e ainda conseguiu balançar as redes pela terceira vez com Everton aproveitando cruzamento de Pedro Geromel. Vitória justa do time mais organizado e mais aplicado taticamente.
Depois da expulsão de Pedro Rocha e do gol do zagueiro Gabriel, o Grêmio se fechou num 4-4-1 e ainda conseguiu balançar as redes pela terceira vez com Everton aproveitando cruzamento de Pedro Geromel. Vitória justa do time mais organizado e mais aplicado taticamente.

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Apesar da grande atuação do Grêmio na partida (e com a vantagem conquistada na casa do adversário), ainda é muito cedo para dizer que o Atlético-MG está morto. É bem verdade que Marcelo Oliveira também contribuiu bastante para que sua equipe saísse derrotada do Mineirão. O 4-2-3-1 que havia proposto pelo treinador se transformou numa grande bagunça. O quarteto ofensivo formado por Lucas Pratto, Robinho, Cazares e Maicosuel não voltava para recompor o meio-campo, Júnior Urso estava completamente perdido e a defesa ficou sem saber a quem marcar diante da boa movimentação da equipe gaúcha. Além disso, Luan (o “Coalhada”) fazia muita falta na equipe mineira. No entanto, o Atlético ainda levou perigo ao gol defendido por Marcelo Grohe em algumas oportunidades. Se Marcelo Oliveira encontrar a formação ideal para encaixar o talento dos seus jogadores, o Galo pode sonhar com a virada em Porto Alegre.

Acredito que o futebol apresentado pelo Grêmio desde que Renato Gaúcho voltou ao time tem deixado muita gente surpresa. Tido como um treinador mais “boleiro” e com perfil totalmente oposto ao do “técnico estudioso”, o ex-ponta direita conseguiu aliar a forte marcação no setor defensivo com o excelente toque de bola e a intensa movimentação dos seus jogadores, dois elementos herdados do trabalho de Roger Machado no clube. Ao invés da ruptura, vemos aí a CONTINUIDADE de uma filosofia tática que deu certo enquanto o antigo treinador teve clima para trabalhar. O que vimos em campo no Mineirão foi o “toque” de Renato na já consolidada filosofia do seu antecessor. E justamente num dos pontos mais fracos do time: o sistema defensivo. Renato Gaúcho também merece colher os frutos dessa bela atuação.

Em tempo: como esse Péricles Bassols se mete em confusão. Até quando vamos aturar árbitros que querem aparecer mais do que os jogadores?



Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.