Palmeiras, orelhão e duelo com Messi e CR7: como Geromel chegou no Grêmio

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Crédito da foto: Divulgação/ Cesar Greco/ Palmeiras

Os torcedores gremistas se tranquilizam quando olham para o campo e notam que, para o atacante adversário avançar, precisará passar pelo beque de boa estatura, porte esguio e cabelos longos sempre molhados. Desde 2014, Pedro Tonon Geromel é o pilar da segurança defensiva do Grêmio, colecionando boas atuações que inclusive o levaram à seleção brasileira.

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Mas a história de Geromel no futebol – e, por consequência, no Grêmio – poderia ter sido interrompida se não fosse a insistência do seu Valmir, pai do ídolo da torcida gremista. Logo após ser dispensado do time júnior do Palmeiras, onde esteve ao lado do ex-corintiano Elias em 2003, Geromel teve a oportunidade de jogar em Portugal, no seu batismo na Europa. O clube era o desconhecido Chaves e as lembranças não são as melhores.

“Na verdade, quando passei do juvenil para o time júnior, o Palmeiras me dispensou. Logo em seguida, surgiu a oportunidade de ir para o Chaves, em Portugal, por meio de um amigo que tinha familiares morando lá. Passei por momentos difíceis na adaptação, era muito novo”, contou o zagueiro gremista em entrevista à ESPN.

A falta de adaptação ao novo clube, à nova vida e até o clima de Portugal fizeram o ainda jovem Pedro Geromel repensar sua carreira na Europa. Determinado a voltar ao Brasil, ele chegou a discar de um orelhão em busca de um apoio do pai, que pediu resistência ao filho.

“Cheguei a ir até um orelhão e ligar para o meu pai dizendo que não aguentava mais ficar lá, era muito frio, não tinha família e nem amigos por perto, e o clube ainda estava atrasando o meu salário, que era 200 euros. Meu pai disse que se eu voltasse, teria de trabalhar e esquecer o sonho de jogar bola. Parei, pensei e disse que até que não estava tão ruim assim”, acrescentou.

Desafio contra “apenas” Messi e Cristiano Ronaldo

Com os problemas iniciais superados, Geromel foi ganhando espaço em Portugal e, posteriormente, na Europa. Depois da passagem pelo Chaves, jogou por três temporadas no Vitória de Guimarães, tradicional time do país luso. As boas atuações lhe renderam um contrato no Colônia, da Alemanha, clube pelo qual foi emprestado ao Mallorca, da Espanha, em 2012, quando teve a oportunidade de jogar contra “apenas” Messi e Cristiano Ronaldo.

“Tive a oportunidade de jogar contra quase todos os jogadores das principais seleções e foi uma experiência muito marcante, aprendi muito. Na Espanha tive que encarar dois dos principais jogadores da atualidade: Cristiano Ronaldo e Messi. Foi duro, mas uma experiência e aprendizado enormes”.

Depois de 10 anos de Europa, intercalando altos e baixos, Pedro Geromel, ainda desconhecido do futebol brasileiro, desembarcou no Grêmio no final de 2013, descoberto pelo ex-diretor executivo Rui Costa, a partir de uma pesquisa em uma revista europeia. A arrancada inicial no tricolor ele mesmo admite que não foi das mais fáceis. Mas a sequência de jogos, a adaptação e a regularidade no time justificaram o apelido que ganharia da torcida anos depois da chegada: “Geromito”.

“Sempre que vejo essa manifestação dos torcedores na internet, essas brincadeiras, eu dou risada. O pessoal é muito criativo”, brincou.

 



Jornalista formado pela PUCRS em agosto de 2014. Fã de esportes, sobretudo tênis. Colorado por paixão, jornalista por vocação e tenista por opção.