Opinião: STJD pune o Grêmio e confirma, os anos 90 voltaram

STJD pune Grêmio, anos 90 voltaram
Foto: Grêmio FBPA

Ah anos 90… quem é gremista não consegue passar um dia sem lamentar o fim dele.

Era time reserva ganhando Campeonato Gaúcho enquanto os titulares desbancavam o todo poderoso time da Parmalat. Era Felipão no auge e nada de esquemas táticos com mais de três dígitos. Era o clássico 4-4-2  e centroavante perna-de-pau.

Por tudo isso, pelas glórias e pelo futebol pragmático que o Grêmio era reconhecidamente o time mais odiado do país.

Um tempo glorioso que perambulava o imaginário do gremista saudoso e que, acreditem, estava até atrasando a instituição; por viver num déjà vu à procura do caminho perdido com a virada do século. E sendo justo, bem compreensível para qualquer torcedor-dirigente que envergava taquaras com trapos do clube brasileiro mais temido nas Américas.

Quando esse estado febril estava passando, com gremistas tomando consciência de que a Arena é a sua moderna morada e Luan o prata da casa diferencial da equipe; o Supremo Tribunal de “Justiça” Desportiva (STJD) vai lá e pá! Dá uma marretada na cabeça dos tricolores. Toma a decisão mais absurda de todos os tempos e pune o Grêmio com a perda de mando de campo da finalíssima da Copa do Brasil devido a “invasão” da filha do treinador depois do término da partida contra o Cruzeiro.

Não sou especialista jurídico e muito menos vou ficar aqui citando parágrafos para explicar o óbvio: de que as decisões do STJD com relação ao Grêmio possuem o trauma, a mágoa, a ferida deixada pelo tricolor nos anos 90. E em pleno 2016, a beleza e a mídia de Carol, que carrega o peso do sobrenome Portaluppi, fez os magistrados suarem frio.

Obviamente irá ter recurso e protesto tricolor; e quem sabe até reversão desse ato infundado. Entretanto, seja qual foi a intenção, a única certeza que tenho agora é de que o Grêmio se fortalecerá com esse episódio. Isso porque o espírito combativo e de união vivido nos anos 90, perdido com o passar dos anos, agora está de volta com esse papelão do STJD.

Você gremista da Geração Y olhe bem ao redor e desfrute desse momento. Assim é o jeito Grêmio de fazer história: na adversidade, na descrença, no pioneirismo e, mais do que nunca, contra tudo e todos. A força da torcida tricolor nunca esteve no mando de campo; é a vontade ser campeão desde a Baixada que empurra o Grêmio.

Então ao invés de criticar mais uma vez o STJD, vamos parabenizá-lo. Primeiro pelo absurdo e depois por trazer de volta aos gremistas a boa e velha sensação de ser temido dos anos 90. O Grêmio está na final e isso é um fantasma que voltou a assombrar os adversários.



Luis Henrique Rolim usa do sarcasmo e da linguagem popular para comer as pizzas do esporte. Futebol, surfe e Jogos Olímpicos são seus sabores favoritos. Ama os gordurosos assuntos extra-campo, e por isso tem colesterol acima da média. Debate ideias, não pessoas.