Opinião: o mestre Cuca

Nas duas últimas temporadas, o Palmeiras teve, basicamente, três treinadores: Oswaldo de Oliveira, Marcelo Oliveira e Cuca.

Com Oswaldo, o time nunca foi decisivo. Com Marcelo, a equipe quase nunca jogou bem.

Ao sucedê-los, Cuca tinha a missão de formar um time que fosse – ao mesmo tempo – decisivo e vistoso.

Ele tentou isso logo de cara e, de fato, quase conseguiu.

Por pouco, não salvou o Palmeiras de uma campanha sofrível na Libertadores ou o levou à final do Paulistão.

Eliminado naquelas duas competições, ele fez do Brasileirão a sua obsessão.

Começou, no entanto, dando um susto enorme nos palmeirenses, ao articular (ou permitir) a ida de Robinho e Lucas para o Cruzeiro.

Em pouco tempo, contudo, ele concedeu uma forma interessante de jogar ao seu time e passou a despertar a curiosidade do país, com algumas partidas extraordinárias.

A versatilidade da dupla Tchê Tchê e Moisés, aliada à “agressividade” e a jovialidade do trio Dudu, Roger Guedes e Gabriel Jesus, parecia ser um sopro de modernidade para o arcaico futebol brasileiro.

O Palmeiras começou a jogar bem e, rápido, contagiou a sua torcida.

As dificuldades só surgiram com as idas de Fernando Prass e Gabriel Jesus para a Seleção Olímpica.

Foram três tropeços seguidos e, súbito, a confiança da equipe pareceu derreter.

Cuca, porém, foi magistral no seu resgate e, de forma surpreendente, mudou, radicalmente, a forma do Palmeiras jogar.

A sua proposta, então, não era mais dar espetáculo, mas, sim, conseguir os resultados que fizessem o seu time retomar a confiança abalada e se manter na ponta da tabela.

Em curtíssimo período, ele transformou o Palmeiras em um time extremamente sólido, que corria poucos riscos na defesa, que era preciso nos contra-ataques, fatal nas bolas paradas, e que, acima de tudo, sempre somava pontos.

Jaílson, Jean, Mina, Vitor Hugo, Zé Roberto e Thiago Santos foram essenciais nessa nova fase. Assim como o esforço tático feito por um renovado Dudu e pelo jovem Erik em muitas partidas.

Com essa mudança de concepção, o Palmeiras conseguiu, no mesmo campeonato, ser jovem no princípio e maduro no final.

A consequência dessa mescla se revelou nos números: um dos melhores ataques da competição; a defesa menos vazada; nenhum jogador expulso; e a liderança absoluta do torneio.

A missão de Cuca, apesar de o título ainda não ter se confirmado, inegavelmente, foi cumprida.

Com ele, o Palmeiras conseguiu ser o que há muito não era: um time decisivo e vistoso, por mais que – em alguns momentos – a exuberância do seu futebol tenha estado, precisamente, na disciplina tática e na competitividade da equipe.