Opinião: Carta aberta ao ansioso torcedor do Palmeiras

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Crédito da foto: Reprodução/Twitter

Essa é a segunda vez que eu faço uma carta aberta à torcida do Palmeiras. A primeira foi há quase um ano, no dia 26 de novembro de 2015, quando o Verdão tinha perdido o jogo de ida da final da Copa do Brasil para o Santos, na Vila Belmiro, por 1 a 0. Você pode lembrar dela aqui. Hoje o nosso sentimento é diferente. Não é aquela esperança de quem ama e acredita. É a ansiedade pelo grito preso na garganta, o grito de campeão.

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Antes de mais nada, quero repetir uma explicação do ano passado: eu nunca escondi que sou palmeirense, mesmo sendo jornalista e trabalhando com futebol desde o início da minha carreira. Já são quase oito anos emitindo opinião em blogs e sites esportivos, cinco cobrindo os principais campeonatos e acontecimentos do futebol em grandes portais. Ser Palmeiras nunca me impediu, enquanto jornalista, de elogiar o grande Santos de Neymar, o Corinthians de Tite, o São Paulo da década passada.

Falta tão pouquinho, um ponto, coisa mínima, para o Palmeiras voltar a ser campeão brasileiro depois de quase 22 anos. A perplexidade causada pela perda do título em 2009 nos traumatizou em pontos corridos, mas não nos impediu de conquistar duas Copas do Brasil desde então. O troféu do ano passado foi uma glória histórica pela forma que aconteceu.

E eis que o Santos surgiu como rival de novo. Em 2015, eu falei que tinha voltado a sentir aquela ansiedade de mal dormir pensando em como fazer para virar aquele 1 a 0, reverter a diferença e ganhar mais um título nacional. Desta vez, no Brasileirão dos pontos corridos, foram semanas fazendo contas, imaginando como seria a campanha necessária na reta final para a garantia do troféu.

Não mexi com simulador algum, trauma que eu também trouxe de 2009. Mas fiz vários cenários na cabeça. “Ganha esse, empata aquele, pode até perder aquele outro”. “O rival não vai ganhar todos”. Agora, não há mais cenários. Existe uma certeza: o Palmeiras precisa de um ponto para ser campeão brasileiro. Só não o será se perder os dois jogos e ainda por cima o Santos ganhar suas duas últimas partidas. Como eu prego o respeito aos rivais, acima de tudo, não posso cravar que o título é nosso.

Mas você sabe, no íntimo, que falta muito pouco. O título vai se aproximando. A taça estará no Allianz Parque para ser entregue ao Palmeiras em caso de vitória ou empate, com certeza, e até de derrota, se o Santos não vencer o Flamengo. Está chegando a hora. Ecoam na mente de cada palmeirense os gritos que surgiram das arquibancadas da nossa arena no último domingo (20), contra o Botafogo, após a vitória por 1 a 0 que nos deixou a esse ponto do título.

“Dá-lhe, dá-lhe, dá-lhe porco, dá-lhe, dá-lhe, dá-lhe porco, seremos campeões!”

Não somos ainda, mas o sentimento é de que seremos. Cada tarde de sábado e domingo na Rua Palestra Itália, a eterna Turiassú, cada noite de terça, quarta ou quinta por lá também, ou nas segundas-feiras pela TV. Tudo isso vai valer a pena. Cada sapo engolido quando insistiam em apontar supostos motivos que fariam o Palmeiras perder mais esse título.

Os desfalques, as lesões, o futebol “maravilhoso” do Internacional (que luta contra o rebaixamento hoje, mas liderou as primeiras rodadas), do Corinthians (que se perdeu após a saída de Tite), do Flamengo (cujo “cheirinho” não era mais que ilusão de uma tabela mais fácil do rubro-negro aliada à sequência mais difícil que o Palmeiras pegou), do Atlético-MG (que tem um bom elenco, mas não passou disso) e, por fim, do Santos (guerreiro, com Dorival fazendo milagre).

Palmeirense, você, assim como eu, não se aguenta de ansiedade pelas 19h do próximo domingo, dia 27 de novembro de 2016, quando teremos enfrentado a Chapecoense tendo 11 em campo, 40 mil nas arquibancadas, 16 milhões em todo o Brasil, todos buscando apenas um ponto. O ponto da glória, o ponto que exorciza fantasmas. Falta pouco. Respire.



Editor do Torcedores.com, está no site desde julho de 2014. Formado pela Universidade Metodista de São Paulo, já passou por UOL, Editora Abril e Rede Record. Participou da cobertura da Copa do Mundo de 2014, de dois Pans, dos Jogos Olímpicos de Londres 2012 e do Rio 2016. Também colabora com o ONDDA, site "irmão" do Torcedores.com.