Opinião: Abu Dhabi consagra Rosberg e vive despedidas

F1

Mesmo com traçado travado, GP de Abu Dhabi vive emoções, consagração de Rosberg e despedidas no encerramento da temporada 2017.

Era grande a expectativa pela corrina final da temporada 2016 da Fórmula 1, principalmente por conta da definição da briga pelo título entre Nico Rosberg (que largou em 2º) e Lewis Hamilton (que largou na pole). Mas a corrida também reservava despedidas oficiais de dois pilotos na categoria; o inglês Jenson Button e o brasileiro Felipe Massa.

O traçado de Abu Dhabi realmente não ajudava na corrida. Com exceção de duas grandes retas, era muito difícil encontrar pontos de ultrapassagens pelo circuito, pelo 2º ano consecutivo. Permaneceram as impressões da corrida que começa no dia e termina pela noite.

Desde a largada estava notável que Rosberg iria correr com extrema cautela, não iria correr riscos desnecessários e estava na pista apenas para fazer as 56 voltas com a maior segurança possível. Hamilton liderou de ponta a ponta, mas estava na briga pelo campeonato, e por isso não se isolou em seu carro, sem escutar ordens de equipe ou atender ordens.

Verstappen, mais uma vez, ousado, tentando inventar pontos de ultrapassagem em um circuito travado. Na primeira curva, perdeu na disputa com Hulkenberg e caiu para a última posição. Todavia, 54 voltas depois, estava na disputa da P3 contra Sebastian Vettel, que pressionava e assustava Nico Rosberg nas 5 voltas finais.

Mas, como um campeão, Rosberg pilotou com segurança, levando o carro com maior cuidado possível e esbanjando frieza para lidar com uma situação tensa e incômoda faltando poucos KMs para confirmar o título. A tendência era de que Rosberg perderia a P2 se tivessem mais algumas voltas na corrida, e seria ameaçado por Verstappen. Mas o “se” é subjetivo e abstrato. O fato concreto é que Rosberg finalmente foi campeão, com muitos méritos.

Rosberg é um grande piloto, técnico e bem capacitado. Merecia ganhar faz tempo um campeonato. Sabe aceitar as derrotas e trabalhou com as adversidades dos últimos anos apenas para aprimorar-se até chegar a consagração neste domingo (27), num lugar luxuoso, extremamente bonito, mas num circuito fraco. Este GP não pode mais seguir encerrando temporadas, num lugar que não possui ligação alguma com automobilismo.

O último GP da temporada também serviu para vermos em ação pela última vez na Fórmula 1 dois grandes pilotos, diferentes, mas ambos com grande aceitação na comunidade automobilística. Jenson Button e Felipe Massa. Button abandonou o GP no início por conta de mais um problema mecânico em seu frágil carro, fechando uma temporada esquecível. Entretanto, seria injusto com Button levar esta temporada em consideração, podemos nos esquecer dela. Massa fechou pontuando, chegando em 9º, sendo aplaudido pelos torcedores que estavam no autódromo.

Algumas outras despedidas envolvendo a F1 ocorreram (ou podem ter ocorrido) nesta manhã. O repórter de pista Luiz Fernando Ramos (Rádio Bandeirantes) está deixando as pistas nesta temporada. Na chefia da F1, Bernie Ecclestone deixa o posto, para a chegada da Liberty Media. O piloto Felipe Nasr também pode ter feito seu último GP na F1, apesar da situação incerta estar encaminhando para um triste fim para o brasileiro. Caso Nasr saia, seria a despedida de pilotos brasileiros na categoria, algo que não ocorre desde 1970.


Para 2017, fica a expectativa de uma excelente temporada, com a “nova era da F1” chegando, com a Liberty Media assumindo a categoria, novos carros, motores mais competitivos e, principalmente, o fim da bipolaridade da categoria entre Hamilton e Rosberg. E a F1 segue grandiosa, como sempre foi.

Até a Austrália, em março.



Apaixonado por esportes e pelo jornalismo. Grande seguidor do futebol, do automobilismo, dos esportes americanos e fã incondicional da NFL.