O choro de um Palmeirense

Divulgação

Nesta última terça-feira a torcida do Palmeiras invadiu o aeroporto de Congonhas em São Paulo, e aos gritos, prantos e com todo o coração empurrou o voo da equipe alviverde para enfrentar o Atlético Mineiro, no Horto, e este fato me fez lembrar a páscoa de 2014, aonde levei meu pai ao Allianz Parque pela primeira vez e o vi chorar ao entrar no “seu antigo Parque Antártica”. 

Talvez eu tenha sido a “ovelha negra” da família, meu sangue alvinegro do Parque São Jorge se diferenciou de toda a família palestrina,que  desde meus antepassados o sangue alviverde corre pela italiana “Famiglia Roveroni”. Ainda não vivi muitas emoções futebolísticas em minha vida, mas com 19 anos já vi meu clube ir de seu rebaixamento trágico em 2007 à glória em 2012 com o título do Mundial de Clubes.

Já meu pai, filho de italianos, bruto, rústico, e palmeirense doente, com toda certeza já viveu mais emoções, paixões e desilusões futebolística que eu, ele com 44 anos de idade viu seu clube ser rebaixado duas vezes, viu “Seu Palestra” chegar ao topo da América do Sul, vencendo a Libertadores de 99, viu também o ataque de 100 gols e chorou feito criança com os trágicos rebaixamentos à série B, e durante todos esses anos que eu me apaixonei pelo futebol eu o vi apenas sofrer por sua equipe, não posso dizer que o título da Copa do Brasil tanto do ano passado, quanto o de 2013 foram necessários para voltar a ver o palmeirense de casa sorrir.

O corpo dele estava exausto, sua crença no seu clube estava quase que perdida, mas até que veio o time de Jesus. Meu pai, fanático por futebol como eu, viu naquele garoto que nasceu com sangue palestrino, a chance de recuperar sua auto-estima, sua felicidade em sentar no sofá aos domingos a tarde e ver o Palmeiras e chorar de alegria ao ver o “Seu Verdão” chegar a mais um título, sim. O Palmeiras é o campeão brasileiro de 2016.

Comparo este choro do título com seu choro, em 2015, quando fomos ao Allianz, eu no meio do seu mundo verde me sentia no ambiente hostil, já ele, estava liberto.

Sempre o ouvi dizer que gostaria de ter ido ao antigo Parque Antártica quando mais novo, porém, a nossa falta de dinheiro sempre o impediu. Mas não nesta pascoa! Naquele dia vivi como um Palestrino, estive no meio de toda a Mancha Verde, cantamos, pulamos e só não gritei gol, mas por conta de sua felicidade de estar ali eu me senti bem.

Mas, o melhor de tudo foi no inicio, mas que deixei pro final. Ao entrarmos no estádio, lágrimas escorreram de seus olhos, como escorrem dos meus ao escrever este texto, porém sei que mais puro que aquelas lágrimas de felicidade, são essas de todos os Palmeirenses que cantam e vibram por esse alviverde inteiro, e que sim, soube ser brasileiro !



Estudante de jornalismo - UNIRP - São José do Rio Preto