“Nenhum comandante decolaria nessas condições”

Carlos Camacho, comandante brasileiro, fez declarações muito sérias em entrevista ao Bate Bola, programa da ESPN, que podem ajudar a entender sobre as condições que levaram uma viagem para disputar a final da copa Sul Americana a se tornar uma tragédia com vários mortos.

Na tentativa de explicar o ocorrido, os fatos são apurados e, para o comandante, o acidente foi causado pelo piloto Miguel Quiroga, que também era dono da companhia aérea.

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A Línea Aérea Mérida Internacional de Aviación (Lamia) é uma companhia especializada no transporte de times de futebol. A empresa começou na Venezuela, por volta do ano de 2008 e se mudou para a Bolívia em 2015.Já tinha feito viagens para o o The Strongest, Atlético Nacional, Olimpia, Fénix, Real Potosí, as seleções venezuelana e argentina e o Blooming o Oriente Petrolero, EcoJet e o Ministerio de Minería.

O modelo do avião era o British-Aerospace BAe- Avro 146, que não é mais fabricado e a empresa tinha apenas mais um avião para transporte, ou seja, possuía dois no total. O avião era de porte pequeno, podendo levar apenas uma quantidade de até 90 passageiros e um limite de quilômetros máximo que poderia ser percorrido de em torno de 3 mil quilômetros, exatamente a distancia que o avião percorreria para Medelim.

Segundo ao que o diretor-geral da empresa, Gustavo Vargas declarou a revista Veja, a Chapecoense pagou um valor de 130 mil dólares pelo transporte com a Lamia.

Segundo também a Gustavo Vargas, a empresa possui mais aviões para operar, porém, estão em processo de manutenção.
O histórico do modelo de avião explica porque ele parou de ser fabricado. São 13 acidentes que deixaram mais de 200 mortos.

O comandante Carlos Camacho começou a identificar os problemas antes mesmo da decolagem do avião, segundo ele, o avião dizendo que nenhum comandante decolaria sabendo que a distancia percorrida seria de mais ou menos 3 mil km que era exatamente o limite permitido a ser percorrido com o avião.

Além disso, explicou que é preciso ter uma reserva de combustível para chegar até um aeroporto alternativo e para mais 30 minutos de voo, caso haja a necessidade de espera para pousar, que foi exatamente o que aconteceu, o avião precisou esperar sua vez de pousar dando voltas no aeroporto, foi quando o combustível acabou pois não havia sido colocado o suficiente para os 30 minutos de espera ou para ir até outro aeroporto, apenas o necessário para chegar até o destino.

Camacho também condenou o fato de que Miguel Quiroga, o dono da empresa, era também o piloto, o que interferiu por fatores operacionais e organizacionais, uma vez que ele tinha interesses de ganancia e ambição, por isso abasteceu menos do que deveria.Também por esse motivo, o piloto não avisou com antecedência que estava com problemas pois sairia preso de lá caso conseguisse fazer o pouso.

Miguel Quiroga relatou problemas técnicos, pois as autoridades colombianas aplicam uma multa alta para pilotos que não abastecem com as medidas de segurança determinadas, por isso demorou para relatar o problema e quando o fez, declarou pane elétrica.

O comandante não acredita que o piloto cometeu um erro de cálculo, mas sim um homicídio e que estava operando em condições ilegais e demorou para relatar que tinha um problema por medo de ser punido, o que levou ao acidente.

Por fim, declarou que espera que a caixa preta não tenha sido desligada por Miguel Quiroga, o que já aconteceu em caso de outros acidentes, e que o aparelho pode gravar até 20 horas seguidas horas de voo, portanto não teria problemas para ter gravado este voo completo e que é preciso que haja uma séria investigação quanto ao ato criminoso.

Já Gustavo Vargas, fez uma declaração defendendo Miguel Quiroga declarando que era um piloto experiente e que não acredita que houve um erro de cálculo de combustível.
“A versão do combustível é muito difícil. Era um piloto muito experiente em tudo”
“Estamos esperando a investigação. Mas se for considerado que não havia combustível, ele teria que ter entrado em Bogotá para reabastecer”