MLS: Um torneio diferenciado

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Em um país com esportes tão fortemente difundidos e populares como basquete, futebol americano e beisebol, era difícil de se esperar que o futebol também tivesse seu espaço na maior potência econômica mundial. Eis que depois de alguns anos, parece que todos os discrentes estão queimando suas línguas, ao verem que ano pós ano o público aumenta, o nível melhora e o esporte se populariza naturalmente. Mas este processo é conduzido de maneira tão única que nos faz duvidar da eficiência do modelo de futebol norte-americano aplicado à MLS fora dos Estados Unidos.

 

Acho que podemos começar a contar sobre esta evolução a partir de 1994, quando o país abriu suas portas para a realização da Copa do Mundo de futebol. A desconfiança era evidente e natural, mas os grandes públicos e a boa campanha da seleção local foram tão surpreendente que já deu para sentir um gosto do que o futebol poderia oferecer por lá. Dois anos depois, era criada a Major League Soccer (MLS), com apenas 10 times porém com um enorme potencial. E algumas das condições deste campeonato o tornaram tão único que novamente o fracasso era cogitado.

Assim como em outros campeonatos locais, a MLS até hoje é dividida em conferências e possui os tão famosos playoffs para definir quem será o grande campeão no final das contas, fatores que nenhum campeonato no mundo possui hoje, já que são pautados nos famosos pontos corridos a temporada toda. E como o mata-mata oferece a possibilidade das “zebras”, a competitividade é altíssima. Se considerarmos os classificados para os playoffs, de um ano para cá dos 8 times que ficaram de fora em 2015, 4 deles conseguiram passar em 2016. Ainda, analisando somente as finais de conferência (que por sinal começam amanhã), todos os finalistas são diferentes neste intervalo de um ano.

E essa necessidade pela variação dos favoritos e campeões ano pós ano é algo que não combina por exemplo com os principais campeonatos europeus, que gostam de ter um time favorito, o grande azarado, o time odiado, entre outros. Esta rivalidade mundo afora é trocada pela competitividade nos Estados Unidos. Outra característica que impulsiona este comportamento é a presença do SuperDraft, o processo de seleção de jovens jogadores vindos do mundo universitário ao final de toda temporada. Dar a preferência de escolha do melhor jogador universitário ao pior time da temporada passada, dá a possibilidade do segundo colocado de um ano ser o último no ano seguinte, algo impensável em outro torneio.

É bem verdade que a ausência de rebaixamento, uma vez que a MLS é uma liga fechada, facilita a presença destas regras específicas. Mas ainda assim, o incentivo a competitividade sem dúvida impera em detrimento de todo o resto do futebol que estamos habituados. E o nível de futebol que faltava antes, hoje não é tão sentido. A presença crescente de jogadores de renome e o aumento da prática do futebol nas escolas vêm fortalecendo dia pós dia o esporte nos Estados Unidos, e este “problema” fica cada vez menor.

A grande dúvida que ainda fica é: será que este modelo é o certo e o mundo está fazendo errado? Dada a eficiência dos norte-americanos na gestão de outros esportes, natural ter esta pulga atrás da orelha. Ou será que este modelo inovador tem prazo de validade? Será que estamos presenciando a chegada ao ápice do potencial do futebol norte-americano, e consequentemente veremos a decadência do mesmo? Creio que a resposta virá tanto dos resultados futuros da seleção local nas grandes competições e também da evolução do processo migratório de grandes jogadores para este novo mundo do futebol. Até lá, deixamos a imaginação de cada um dar o final que mais lhe convém para mais este capítulo da história do futebol.