Figo completa 44 anos; relembre a carreira deste ícone do futebol

Luis Figo disputa clássico de Madrid
Crédito da foto: Facebook oficial

O ex-jogador de futebol português, Luís Figo, completou 44 anos no último dia 4 e devido a este fato, será feita uma retrospectiva com os fatos mais importantes sobre sua carreira. Acompanhe a trajetória de um dos maiores jogadores da história do futebol mundial aqui no site Torcedores.com

Nascido em 4 de novembro de 1972, na cidade de Lisboa, Luís Filipe Madeira Caeiro Figo, popularmente conhecido pelo seu último nome, começou a praticar futebol ainda na infância e foi para o Sporting de Lisboa em 1985, após se destacar em um clube chamado União Futebol Clube, que fica no distrito de Cova da Piedade, na capital portuguesa.

Após passar por todas as categorias de base do time português (59 jogos nos iniciados, 65 nos juvenis e 47 nos juniores), com um total de 171 partidas e 91 gols, garantiu seu lugar no time profissional do Sporting e começou a ser convocado para as seleções de base de sua nação.

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Figo estreou entre os adultos da equipe de Alvalade em abril de 1990, aos 17 anos, e logo se tornou uma das estrelas do time lusitano. Com passes precisos e boa média de gols, o meia-direita (às vezes era ponta) participou de praticamente todos os jogos da equipe alviverde e passou a ser reconhecido em todo o país. Apesar de não ter ganho o Campeonato Português, o craque ajudou o Sporting a ficar sempre entre os primeiros colocados e seu desempenho chamou a atenção do então treinador do Barcelona, Johan Cruyff, que não demorou a lhe fazer uma oferta de transferência.

O futuro craque português venceu a Taça de Portugal em 1995 (2 a 0 na final contra o Marítimo) e este foi seu único título no clube que o revelou. No mesmo ano, Figo aceitou a oferta do Barcelona e se mudou para a Catalunha, onde começaria a se tornar um dos melhores jogadores de sua geração.

Naquele período, a equipe catalã estava em processo de reconstrução, já que vários craques que participaram do Dream Team de 1992 a 94 (Campeão da Liga dos Campeões da UEFA de 1992 e vice em 1994) haviam se transferido para outros clubes. Coube a Figo ser a primeira estrela a suprir a saída de craques como Romário, Stoichkov e Michael Laudrup, por isso Cruyff decidiu utilizá-lo de maneira mais ofensiva, o que fez o atleta ser mais audacioso em seus cruzamentos, dribles e lançamentos em profundidade, além de ter o domínio das bolas paradas. Apesar de o técnico holandês ter deixado o Barcelona na temporada 1996-97, o treinador recém-contratado, Bobby Robson, não atrapalhou em nada o rendimento do jogador português.

A soma da capacidade técnica de Figo com a de outros nomes influentes como Guardiola, Fernando Couto, Ivan de la Peña e, posteriormente, o brasileiro Ronaldo, foi importante para que o Barcelona conquistasse importantes títulos como a Copa do Rei (dois gols do craque lusitano na final vencida por 3 a 2 contra o Real Betis) e a Recopa da UEFA, ambos em 1996-97.

Entre 1998 e 2000, já com o holandês Louis Van Gaal no comando e com o brasileiro Rivaldo como companheiro de ataque, Figo fez partidas memoráveis pelo clube catalão e foi essencial para as conquistas do Bicampeonato Espanhol (1997-98 e 1998-99), da Supercopa da UEFA (1997) e da Copa do Rei de 1997-98. Mesmo sem conquistar a Liga dos Campeões, aquele Barcelona se tornou uma das grandes equipes da Europa e um dos ataques mais ofensivos do continente.

Luís Figo se tornou um dos grandes ídolos do Barcelona, foi capitão em várias partidas e levantou a Copa do Rei de 1998, quando ao receber a taça das mãos do Rei da Espanha, provocou o Real Madrid cantando “brancos, chorões, saudações dos campeões” e caiu de vez nas graças da torcida catalã.

Em 2000, o bom relacionamento do craque português com a direção do Barcelona sofreu uma reviravolta. Figo estava chateado, pois mesmo sendo um dos melhores do mundo, o salário que recebia no Barcelona não era proporcional a sua valorização e ao saber disso, o futuro presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, ofereceu 60 milhões de euros para o atleta, que aceitou a proposta e recebeu várias críticas da torcida do Barcelona.

A transferência de Figo para o Real Madrid foi a mais cara da história naquela época e trouxe uma certa desconfiança para a torcida madrilenha mas isso não foi nenhum problema, pois a estrela lusitana logo mostraria seu real valor para a equipe. Sua chegada ao clube merengue marcou o início da era Galáctica.

Antes de se firmar na capital espanhola, o craque precisou enfrentar um clássico contra o Barça em pleno Camp Nou no dia 21 de outubro de 2000. Com quase 100 mil pessoas no estádio, tudo o que se ouviu nas arquibancadas foram altíssimas vaias e ofensas contra o craque português, além de dezenas de objetos lançados ao gramado. O jogo terminou 2 a 0 para os catalães.

Depois disso, Luís Figo obteve tranquilidade para mostrar seu futebol nos dois anos seguintes e após excelentes performances, foi eleito Bola de Ouro da revista “France Football” (prêmio ainda não era em conjunto com a FIFA) em 2000 e melhor do mundo da FIFA em 2001, deixando para trás concorrentes como Beckham, Raúl, Zidane e Rivaldo.

Em 2002, ganhou o título mais importante de sua carreira, a Liga dos Campeões da UEFA. A campanha foi irrepreensível, com vitórias sobre o Bayern de Munique e o Barcelona na segunda fase e na final contra o Bayer Leverkusen-ALE (2 a 1). Figo foi essencial na campanha, pois teve um ótimo desempenho, fez gols, deu assistências e mostrou porque era o melhor do mundo.

Após a conquista continental, Figo seguiu em alto nível e ganhou não só o respeito da torcida merengue, mas vários títulos como o Bicampeonato Espanhol (2001-02, 2002-03), as Supercopas da Espanha de 2001 e 2003, Mundial Interclubes de 2002 e a Supercopa da UEFA de 2002.

Depois de uma temporada 2003-04 sem títulos com o Real Madrid, Figo se transferiu para a Inter de Milão em 2005 e manteve seu bom rendimento no meio-campo do time italiano. Com muitos passes precisos e ótimo futebol, o já veterano craque teve uma jornada vitoriosa e conquistou quatro títulos nacionais (2005-06, 2006-07, 2007-08, 2008-09), uma Copa da Itália (2006) e três Supercopas da Itália (2005, 2006 e 2008). Em 2009, Figo, que estava perto de completar 37 anos, decidiu encerrar sua brilhante carreira e passou a trabalhar como embaixador da Inter de Milão pelo mundo, além de abrir suas próprias empresas e contribuir com causas humanitárias.

TRAJETÓRIA NA SELEÇÃO

No fim da década de 80, perto de ser promovido para os profissionais do Sporting Lisboa, Figo começou a ser convocado para as seleções de base de Portugal e estava na equipe que venceu por 4 a 1 a final contra a Alemanha Oriental e faturou o Campeonato Europeu sub-16 de 1989. Figo fez um gol na final deste torneio e, por causa dessa conquista, seu time se classificou para a Copa do Mundo Sub-20, que foi disputada em 1991.

Na disputa do Mundial Sub-20, Figo foi o grande nome de Portugal e liderou nomes como Rui Costa, Emílio Peixe, Paulo Torres e Capucho ao título da competição. Na primeira fase, os lusos venceram a Irlanda (2 a 0), a Argentina (3 a 0) e a Coreia do Sul (1 a 0). Nas quartas de final, Portugal venceu o México por 2 a 1 e na semi, venceu a Austrália por 1 a 0. No jogo final, empate sem gols e vitória por 4 a 2 nos pênaltis contra o Brasil de Roberto Carlos, Paulo Nunes, Élber e Djair. Figo jogou muito bem no torneio e chamou a atenção devido a sua presença de ataque e enorme facilidade para dar assistências.

Em 2002, Figo era a grande esperança de sua seleção na Copa do Mundo da Coreia do Sul e do Japão, mas a jornada da equipe no torneio acabou com a eliminação na primeira fase. Os lusos caíram no Grupo D e perderam na estreia para os EUA por 3 a 2, venceram a Polônia por 4 a 0 e foram derrotados pela anfitriã Coreia no último jogo, 1 a 0. Nessa partida, o craque do Real teve muitas chances nas bolas paradas, mas não obteve êxito.

Dois anos depois, Figo foi convocado para a Eurocopa. A competição foi sediada em Portugal e deixou os torcedores ansiosos, pois a equipe anfitriã tinha jogadores como Deco, Fernando Couto, Rui Costa, Maniche, Pauleta, um novato Cristiano Ronaldo e obviamente, Luís Figo. Na fase de grupos, os lusos perderam na estreia para a Grécia (2 a 1), venceram a Rússia por 2 a 0 e garantiram classificação ao vencer a Espanha por 1 a 0. Nas quartas de final, empate em 2 a 2 com a Inglaterra e vitória nos pênaltis por 6 a 5. Na semifinal, os anfitriões venceram a Holanda por 2 a 1 e garantiram a vaga na grande final. No jogo decisivo, a zebra passeou no solo português e a algoz da primeira fase, Grécia, venceu por 1 a 0 (gol de Charisteas) e tirou o título da seleção liderada por Figo.

Desolado, Figo pensou em abandonar a seleção depois do vice-campeonato europeu, mas ficou e ajudou sua equipe a se classificar para a Copa de 2006, na Alemanha. Com o treinador Luis Filipe Scolari (campeão do mundo em 2002 com o Brasil) no comando e uma equipe mais entrosada, Portugal teve um ótimo desempenho na competição e venceu os três jogos da primeira fase (1 a 0 contra Angola, 2 a 0 contra o Irã e 2 a 1 contra o México).

Nas oitavas, Portugal disputou um jogo violento contra a Holanda – quatro cartões vermelhos e 16 amarelos, recorde no torneio – e venceu por 1 a 0. Nas quartas de final, empate sem gols com a Inglaterra e vitória lusitana nos pênaltis por 3 a 1; a seleção portuguesa voltou a ficar entre os quatro melhores do mundo depois de 40 anos. Na semifinal, Zidane fez o gol da classificação francesa e despachou os lusos para a disputa do terceiro lugar.

Na luta pela medalha de bronze, Portugal perdeu para a dona da casa, Alemanha, por 3 a 1 e conseguiu um excelente quarto lugar. Figo jogou muito bem, organizou o meio-campo do time e foi escolhido para a equipe de estrelas da Copa do Mundo. Depois daquele jogo, o craque português se aposentou definitivamente da seleção portuguesa como recordista de apresentações, 127 partidas.

DADOS RELEVANTES

Posições: Meio-Campista e Ponta-Direita.

Títulos por Clubes: 1 Taça de Portugal (1994-1995) pelo Sporting.

1 Recopa da UEFA (1996-1997), 1 Supercopa da UEFA (1997), 2 Campeonatos Espanhóis (1997-1998 e 1998-1999), 2 Copas do Rei (1996-1997 e 1997-1998) e 1 Supercopa da Espanha (1996) pelo Barcelona.

1 Mundial Interclubes (2002), 1 Liga dos Campeões da UEFA (2001-2002), 1 Supercopa da UEFA (2002), 2 Campeonatos Espanhóis (2000-2001 e 2002-2003) e 2 Supercopas da Espanha (2001 e 2003) pelo Real Madrid.

4 Campeonatos Italianos (2005-2006, 2006-2007, 2007-2008 e 2008-2009), 1 Copa da Itália (2005-2006) e 3 Supercopas da Itália (2005, 2006 e 2008) pela Inter de Milão.

Título pela seleção: 1 Copa do Mundo Sub-20 da FIFA (1991) por Portugal.

Campanhas de destaque: 2º lugar na Eurocopa (2004), 4º lugar na Copa do Mundo (2006).

 

Prêmios Individuais:

Melhor Jogador do Campeonato Europeu Sub-21: 1994

Bola de Ouro de Portugal: 1994

Jogador Português do Ano: 1995, 1996, 1997, 1998, 1999 e 2000

Jogador do Ano pela revista World Soccer: 2000

Ballon d´Or – revista France Football: 2000

Melhor Jogador do Mundo pela FIFA: 2001

Eleito para o Time do Ano da UEFA: 2003

FIFA 100: 2004

Eleito para o All-Star Team da Copa do Mundo da FIFA: 2006

NÚMEROS DE DESTAQUE

158 jogos disputados e 22 gols marcados pelo Sporting.

249 jogos disputados e 45 gols marcados pelo Barcelona.

239 jogos disputados e 57 gols marcados pelo Real Madrid.

140 jogos disputados e 11 gols marcados pela Inter de Milão.

127 jogos disputados e 32 gols marcados pela Seleção Portuguesa.

*Informações retiradas do site Imortais do Futebol.