Daniel Alves diferencia Tite dos antecessores na seleção: “É mais inteligente”

Tite
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O técnico Tite assumiu a seleção brasileira em uma situação complicada nas Eliminatórias e seis jogos depois colocou o Brasil em outro patamar. Essa meia dúzia de partidas já foi o suficiente para os jogadores perceberem o diferencial do ex-corintiano para os antecessores e como um dos mais experientes, Daniel Alves comparou o gaúcho com os outros três anteriores, Dunga, Mano e Felipão.

Em entrevista ao Esporte Espetacular que vai ao ar no próximo domingo (20), Daniel Alves falou como Tite fez o ambiente da seleção mudar, colocou o treinador como “mais inteligente” e descartou o perfil de “paizão”.

“As pessoas, elas, elas falam: ‘Ah, o Tite é um paizão’. Eu não acredito que o Tite é um paizão, porque o Tite é um paizão dos filhos dele. Ele não é meu pai. Eu não posso comparar meu pai com o Tite, com todo meu respeito que eu tenho pelo Tite. Por todo meu respeito que eu tenho por qualquer outra pessoa, eu nunca vou falar: ‘Pô, esse cara é um pai, um paizão’. Não! Ele é profissional, inteligente, respeitoso. Se você tem toda essa junção dessas coisas, você vai conseguir ter êxito”, explicou. “Acredito que esse é o diferencial do Tite pra todos os demais. Ele é uma pessoa muito inteligente, não que os outros não sejam, mas ele é mais que os outros. Ele é muito bem preparado, que é o que eu falo da oportunidade com a preparação. Não é sorte o que o ele consegue hoje. É porque ele se preparou para a oportunidade”, completou.

Daniel Alves pôde falar com propriedade sobre a mudança de clima dentro da seleção, já que o jogador já está há 10 anos servindo o Brasil e trabalhou com Dunga, Mano Menezes e Felipão. Apesar de para muito brasileiro afirmar que Tite deveria assumir após a Copa de 2014, o lateral discorda.

“Volto a insistir na mesma coisa que eu estava falando: De repente o Tite poderia ter merecido estar antes, hum hum [faz som de negativo] Não. O Tite veio na hora certa e no momento certo, pra ele poder se preparar e aproveitar a oportunidade dele. De fazer um trabalho que ele sabe fazer, que é a união de um grupo. De fazer uma grande gestão porque eu sempre falo: não existe grandes treinadores, sem melhores gestões. Você tem que gerir as pessoas, você tem que gerir mundos. Isso é difícil. Se você consegue fazer isso, você vai ter resultados. Se você for pensar que tudo vai fazer futebol, que tudo vai ser o que eu fizer no futebol, não vai obter os resultados requeridos”, afirmou.

Recém-completado 100 jogos com a amarelinha, o lateral também viu semelhanças de no atual treinador da seleção com Guardiola.

“Com Guardiola, porque ele é um grande gestor. O Tite é um grande gestor, para mim o Tite é mais um grande gestor do que um sensacional treinador. Esse é o que difere ele dos outros, porque sensacionais treinadores tem bastante, sensacionais gestores (balança a cabeça), tenho dúvidas. E isso tem um peso grande, porque eu volto a insistir: você trabalha com mundos diferentes. Eu penso de uma maneira, o Ney pensa de outra, o Thiago pensa de outra, o Gil ou qualquer outro jogador pensa de outra maneira. É esse mundo você tem que gerir. Por quê? Porque estamos ali pra pegar mundos diferentes e harmonizar. Exatamente! Isso ele faz à perfeição. E eu acredito que essa é a diferença dele com os outros, porque os outros são grandes treinadores, mas, no meu modo de pensar, o Tite é um melhor gestor, não melhor treinador”, finalizou.



Jornalista. Como todo torcedor também gosto de dar meus pitacos. Fã da seleção italiana, do Milan e do Arsenal.