Especial: Relembre a conquista do Cruzeiro na Taça Brasil, que comemora 50 anos

Arquivo Cruzeiro/Divulgação/Site oficial do Cruzeiro

Apesar do Cruzeiro não ter feito uma boa temporada, o clube vive momentos nostálgicos nesta semana. Em ritmo de comemoração, o time celeste celebra os 50 anos da lendária conquista sobre o Santos de Pelé, na Taça Brasil do ano de 1966. Título que mais tarde, com o aval da CBF, foi considerado com a primeira conquista de Campeonato Brasileiro da Raposa.

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A vitória celeste, inclusive, serviu como um divisor de águas para o futebol brasileiro, já que depois de desbancar o poderoso Santos, o resultado serviu para tirar a atenção do eixo Rio-São Paulo, antes dominante e merecedor de todos os holofotes. Sabe-se que à época, o senso comum indicava que futebol de alto nível era jogado apenas entre paulistas e cariocas.

Foi após este título que o futebol ganhou força para uma integração nacional deste esporte, juntando os grandes clubes de Minas Gerais, Rio Grande do Sul com o eixo Rio-São Paulo, surgindo assim o Robertão, o torneio Roberto Gomes Pedrosa.

Na primeira partida da decisão, que aconteceu diante de 90 mil espectadores, o Cruzeiro não deu chances para o Santos, no Mineirão, no dia 30/11/1966. Em apenas 45 minutos de jogo, a Raposa já tinha balançado as redes do Peixe em cinco oportunidades. Zé Carlos – Santos (contra), Natal, Dirceu Lopes (2) e Tostão (pênalti) começaram a desmanchar o mito de que o Santos era invencível.

Na segunda etapa, a máquina celeste diminuiu um pouco o ritmo, permitindo que o alvinegro praiano diminuísse o prejuízo com Toninho Guerreiro aos 6 e 9 minutos. Contudo, já no meio da etapa derradeira, o Mineirão voltou a vibrar com mais um gol de Dirceu Lopes.

O rei do futebol ficou em segundo plano

No dia 31/11/1966, Pelé, que até hoje carrega o título de rei do futebol foi apenas um coadjuvante. Quem apareceu mesmo foram as estrelas do Cruzeiro, formado por Procópio, Tostão, Dirceu Lopes, Evaldo, Natal e o goleiro Raul, que se sobrepuseram sobre o time pentacampeão, que tinha destaques como Pelé, Gilmar, Zito, Pepe, Carlos Alberto e Mauro.

Para muitos, tanto torcedores como críticos da imprensa esportiva, esta foi a maior partida de todos os tempos do Cruzeiro. Mesmo com uma vitória exuberante, mostrando alto domínio sobre um adversário dos mais qualificados da história, alguns ainda acreditavam se tratar de apenas um deslize do Santos.

Porém, uma semana depois, novamente o time cruzeirense mostrou sua força. No Pacaembu, a Raposa começou perdendo, mas buscou forças para ao final dos 90 minutos cravar mais um triunfo em cima do adversário: desta vez, por 3 a 2.
Comemorações em Belo Horizonte

No ritmo da grande conquista, foi lançado na noite de ontem o livro “Nossa Sala de Trófeus”, idealizado pelo superintendente de futebol do Cruzeiro, Sérgio Santos Rodrigues e que contou com o auxílio dos jornalistas Alexandre Horta e Gustavo Nolasco.

O lançamento da obra contou com a presença de vários torcedores, além também do prestígio de vários dirigentes e ex-atletas, que ajudaram a construir a história do Cruzeiro.

“O livro foi feito pelo fato de ser único, porque poucos times no Brasil têm a alegria de comemorar tantas taças importantes”, destacou o autor do livro em entrevista ao site oficial do Cruzeiro.

Ainda sobre a conquista da Taça Brasil de 1966, o Cruzeiro lançou diante do Santos, no último domingo, o seu terceiro uniforme, inspirado no feito que completa 50 anos. O uniforme é fabricado pela Umbro, fornecedora de material esportivo da Raposa, e já pode ser adquirido nas lojas oficiais do clube.

 

Divulgação/Site oficial do Cruzeiro
Divulgação/Site oficial do Cruzeiro

FICHA TÉCNICA DA PRIMEIRA PARTIDA DA DECISÃO (MINEIRÃO)

Data: 30/11/1966

Cruzeiro EC: Raul; Pedro Paulo, Willian, Procópio e Neco; Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão; Natal, Evaldo e Hilton Oliveira.

Técnico: Airton Moreira.

Santos FC: Gilmar; Carlos Alberto Torres, Mauro Ramos, Oberdan e Zé Carlos; Zito e Lima; Dorval, Toninho Guerreiro, Pelé e Pepe.

Técnico: Lula.

 

 

Placar: Cruzeiro 6×2 Santos. Gols: Zé Carlos-SAN (contra) aos 1′; Natal-CRU aos 5′; Dirceu Lopes-CRU aos 20′ e 39′ e Tostão-CRU (pênalti) aos 42′ do 1º T. Toninho Guerreiro-SAN aos 6´ e 9´e Dirceu Lopes-CRU aos 27´do 2º T. Expulsões: Procópio-CRU e Pelé-SAN, aos 30´do segundo tempo.

Local: Estádio Governador Magalhães Pinto (Mineirão), em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.

Juiz: Armando Marques (RJ)

Público: 77.325 (pagantes) / 90.000 (estimado)



Foi editor do semanário BolanoBarbante, apaixonado por esportes, entusiasta das corridas de rua e dos jogos de tênis.