O lado B do mercado gamer

Programadora relata abusos do mercado gamer
Amy Hennig: mesmo os principais programadores sofrem com rotina do mercado - Imagem: Reprodução/Facebook

Uma das principais programadoras de jogos da atualidade, Amy Hennig, que ficou mundialmente conhecida no setor gamer por sua contribuição a série Uncharted da Naughty Dog e atualmente participa do desenvolvimento de um novo jogo da franquia Star Wars para a Eletronic Arts falou abertamente durante uma entrevista sobre a pressão vivida pelos programadores de jogos AAA.

Na entrevista, concedida ao portal Games Industry, Amy relatou que por muitas vezes ultrapassou 80 horas de trabalho por semana em jornadas de 7 dias durante o desenvolvimento de Uncharted 3. Segundo ela algo normal no mundo gamer onde a média de tempo dedicado a programação de um título de franquia chega a até 12 horas por dia.

“Em todo o tempo que estive na Naughty Dog – dez anos e meio – provavelmente, em média, não sei se alguma vez trabalhei menos de 80 horas por semana. Uncharted 3 foi duro, mesmo tendo dois anos para desenvolver o jogo, foram dois anos após dois projetos repletos de sobrecarga. Houve uma época em que tentamos aumentar o estúdio, dividir em duas equipes, mas teríamos que lidar com todo o recrutamento e os problemas relacionados com isso. Foi duro.” disse Hennig.

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Os rígidos calendários de produção e a necessidade de expandir os estúdios são questões comuns a muitas empresas que se dedicam a jogos AAA. Além disso, a pressão pelo sucesso leva a longas horas de trabalho para correção de erros, escrita dos guias de estratégia. Com isso o desenvolvimento desse tipo de games, pode afetar seriamente a vida dos trabalhadores.

“Existem pessoas no mercado gamer que nunca vão em casa ver suas famílias. Têm filhos que crescem sem saber o que é os ver diariamente. Conheço algumas pessoas que tiveram de ir ao médico assim que os jogos estavam prontos” comentou Hennig antes de citar sua vida pessoal: a rotina da programadora o trabalho afetou sua família, sua saúde.

A programadora no entanto ressalta que não tem intenção de mudar de ramo e acredita que em breve todos os problemas relacionados a alta carga de trabalho terão que ser resolvidas pelas empresas do setor, seja pelo aumento de prazos para desenvolvimento de jogos ou pela melhor divisão de trabalho entre equipes. Até lá ela ressalta: “haverão exceções em alguns períodos, aqueles momentos de falar ‘Pronto, vamos tirar alguns dias’, depois trabalhamos de novo sete dias por semana, pelo menos doze horas por dia”.



Lucas Mendes é Jornalista, nascido no Rio de Janeiro mas com profundas raízes espalhadas pelo Brasil. Apaixonado por esportes desde pequeno por influência do Maior Camisa 10 de Todos os Tempos que viu jogar - o Tio Juca - Lucas busca fazer através do jornalismo esportivo o que não pode fazer dentro das quatro linhas do esporte. Com passagens por TV Jangadeiro, TV Fortaleza, Rede Record, SBT, Rede Gazeta, Rede Massa, RPC e TV Tarobá acumulou a experiência que agora compartilha no Torcedores.com