“É o meu grande desafio: descobrir a notícia que ainda não foi divulgada”, revela Jorge Nicola

Créditos da Foto: Cedida/ Jorge Nicola

Versatilidade. Esta palavra define Jorge Nicola, comentarista dos canais ESPN Brasil, da Rádio Bradesco Esportes FM, e blogueiro do Yahoo. Considerado um dos mais talentosos comunicadores da nova geração, é conhecido pela rapidez e pela facilidade de descobrir ‘informações quentes’ do futebol.

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Formado em Jornalismo na Cásper Libero em 2002, Nicola sempre vislumbrou trabalhar com o esporte em sua carreira. E a oportunidade veio quando ainda era um universitário, no segundo ano da faculdade. Na oportunidade, passou a compor a equipe site da Gazeta Esportiva.

Após a experiência no online, migrou para o jornal impresso. Durante 13 anos escreveu para o Diário de São Paulo, onde ficou conhecido pela qualidade da informação e pelos furos. No entanto, o paulista veio a rescindir com o veículo a partir das dificuldades financeiras do mesmo, e se juntou a ESPN.

Em 2011, Nicola passou a ter uma coluna sobre esportes no jornal, na qual João Carlos Albuquerque, apresentador da emissora, lia constantemente. Ele passou a ser convidado para participar dos programas da casa constantemente e, partir de junho do ano passado, nunca saiu mais do canal.

Em entrevista exclusiva ao Torcedores.com, o comentarista falou sobre sua carreira, a contratação junto aos canais ESPN, a fama e as técnicas para conseguir informações exclusivas, paixão pelo futebol, a Portuguesa – seu clube de coração e de seu pai – e muito mais.

Confira, a seguir, o bate-papo com Nicola:

Torcedores.com: Pra quem não o conhece, quem é Jorge Nicola?
Jorge Nicola: Um cara apaixonado por futebol, que tinha na infância o desejo de virar jogador. Mas reconheço que faltou talento e o jeito para se manter próximo do mundo da bola foi se formar jornalista e atuar na cobertura de esportes.

Torcedores.com: Você formou-se em jornalismo em 2002, na Cásper Líbero. Como seus pais reagiram quando disse que seria jornalista
Jorge Nicola: Eles gostariam que eu me tornasse dentista, como eles. Mas acabaram entendendo a opção e sempre deram total apoio, bancando os estudos e festejando cada uma das minhas vitórias como jornalista.

Torcedores.com: Quem são seus ídolos, quais suas referências?
Jorge Nicola: Tem muitos jornalistas e comentaristas que admiro, cada um com sua característica. Tem aqueles com uma memória impressionante, outros com muito conhecimento de bastidores, outros que comentam e têm a capacidade de falar com bom-humor e leveza…

Torcedores.com: Você sempre almejou trabalhar com esporte? Ou foi uma oportunidade que você agarrou e nunca mais soltou?
Jorge Nicola: Sempre. Desde o segundo ano de faculdade, quando os alunos da Cásper Libero ficam aptos a estagiar nos veículos da casa, passei a sonhar em atuar no site da Gazeta Esportiva. E assim foi ainda no primeiro semestre de 2000.

Torcedores.com: Você migrou do impresso para a TV no ano passado. Adaptou-se rapidamente? Tudo ocorreu naturalmente?
Jorge Nicola: Nunca tive a obsessão de trabalhar na TV. Eu queria era ser jornalista esportivo. E, com o passar do tempo, achava que a possibilidade de estar na TV ficava cada vez menor, porque eu estava a cada dia mais ligado ao jornal. Aconteceu que o João Carlos Albuquerque, para mim o apresentador mais carismático da TV brasileira, lia com frequência minha coluna no ar.  Comecei a ser convidado a participar esporadicamente dos programas da ESPN Brasil. E fui voltando, voltando… até que fiquei de vez a partir de março do ano passado.

Torcedores.com: Além do impresso e da TV, você atua na rádio e no online. Qual o veículo que mais gosta? E qual o mais difícil?
Jorge Nicola: Cada um tem sua característica própria. O rádio é instantâneo, dinâmico e fazer o “De Primeira” com a Beth Romero na Bradesco Esportes FM é uma curtição. Meu blog no Yahoo me dá bastante prazer e visibilidade – tenho em média mais de 1 milhão de acessos por mês nas minhas matérias. Já a TV abre todas as portas do mundo, inclusive com fontes que pouco me ajudavam.

Torcedores.com: Você trabalha ao lado de grandes feras. Entre eles, Alê Oliveira, que tem um jeito bem descontraído. Você acha que humor e esporte fazem uma boa combinação?
Jorge Nicola: Acho que tratar o futebol com leveza se tornou o melhor caminho para cativar o público. Essa mudança começou com o Thiago Leifert enquanto apresentava o Globo Esporte. Em geral, aquele estilo professoral e teórico de lidar com futebol não agrada mais. Quanto ao Alê, ele tem uma velocidade de raciocínio e uma capacidade de improvisação geniais, além de saber bastante de bola. E ele é ainda mais divertido fora do ar.

Torcedores.com: Falando em Alê Oliveira, em algumas oportunidades ele te chama, brincando, de Nélson Rubens, por você sempre ter informações quentes e exclusivas. Qual o segredo para sempre sair na frente na busca pela informação?
Jorge Nicola: Não sair do telefone. Sempre me destaquei como jornalista de impresso por buscar informações exclusivas. É o meu grande desafio: descobrir a notícia que ainda não foi divulgada. Então, ligo para um monte de gente, mando whatsapp para Deus e o mundo.

Torcedores.com: Qual a pessoa que mais lhe ajudou desde sua chegada à emissora?
Jorge Nicola: Risco gigante de esquecer alguém e ser injusto. Mas não costumo ficar em cima do muro, então vou tentar listar todo mundo: João Canalha, Alê Oliveira, Leo Bertozzi, Bruno Vicari, William Tavares… Sem contar o João Palomino, o Arnaldo Ribeiro e o Conrado Giulietti, que bancaram minha contratação.

Torcedores.com: Por influência do seu pai, você se tornou torcedor da Portuguesa. O que acha que os dirigentes fizeram com a equipe? Não é estranho um clube de tanta tradição cair para a série D?
Jorge Nicola: Sim, meu pai é português e me levava ao Canindé desde pequeno. Para mim, está muito claro que a derrocada da Portuguesa está estritamente ligada à péssima gestão. Há décadas que não temos gente profissional no comando. A vaidade sempre imperou no Canindé. A guerra pelo poder só contribuiu para afundar a Lusa. Isso sem contar numa turminha que ficou milionária depois de passar por lá.

Torcedores.com: Tem alguma competição que ainda não cobriu e sonha em cobrir?
Jorge Nicola: A Olimpíada. Já cobri duas Copas do Mundo , na África do Sul e no Brasil, um Mundial de Clubes, no Japão, além de Copa das Confederações, jogos da seleção por toda a América do Sul… Seria bacana cobrir uma Olimpíada.

Torcedores.com: Por que você saiu do Diário de São Paulo, ainda em junho, depois de 13 anos de casa?
Jorge Nicola: O jornal passa por dificuldades financeiras e os jornalistas com mais tempo de casa e salários maiores acabaram demitidos. O que eu lamento é que até hoje não me pagaram sequer um real da rescisão. A gestão do empresário Mario Custa à frente do Diário parece se inspirar em muito clube de futebol, que não paga. O Fundo de Garantia, por exemplo, não foi depositado desde setembro de 2014.

Torcedores.com: Aos que querem seguir a área esportiva, quais os conselhos que Jorge Nicola dá?
Jorge Nicola: Se você ama futebol ou esporte e tem convicção de que quer ser jornalista esportivo, se dedique muito, leia tudo e consuma esporte o dia inteiro. Saiba que você raramente terá fins de semana de folga, trabalhará muitas horas por dia, possivelmente ganhará menos do que um advogado ou um engenheiro, mas certamente será muito realizado.



Apaixonado por esportes, Gabriel Lanza cursa Jornalismo na Unoeste (Universidade do Oeste Paulista). Aos 21 anos, soma passagens por veículos como 98 FM, Web Rádio Facopp, Portal Facopp, Coordenadoria Municipal da Juventude e PCI Concursos. Após o termino de sua Graduação, no fim de 2017, o prudentino dará início a sua Pós-Graduação.