Estádio Mineirão – Inimigo Íntimo Azul

Crédito da foto: Blog do Chico Maia

 

O Cruzeiro tem um grande desafio na noite desta quarta-feira. Não, não é ao Corinthians que me refiro. Também não falo da vantagem que a Raposa tem que reverter. Não é nada disso. A equipe paulista anda longe do seu melhor momento e a vantagem de um gol é perfeitamente reversível, especialmente porque os mineiros marcaram na casa do adversário. O grande desafio que o Cruzeiro tem de enfrentar para alcançar a fase semifinal e continuar brigando pelo título da Copa Brasil é vencer seu maior e mais íntimo inimigo nas últimas duas temporadas, o Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão.

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Após o fim da poderosa equipe bicampeã brasileira em 2013/14, a condição de mandante tornou-se um suplício para o time azul. Pesa sempre uma enorme desconfiança em cima do elenco estrelado quando joga em casa. Desde o início de 2015, com todos os técnicos que por aqui passaram, o Cruzeiro se mostra incapaz – salvo umas poucas partidas – de ser dominante em seus domínios (o pleonasmo é proposital), em especial quando enfrenta adversários de menor expressão, que se fecham na defesa e, por consequência, obrigam o time a propor o jogo. E eis a incógnita. Por que o Cruzeiro não consegue propor o jogo atuando em seu campo

É dificílimo responder a esta pergunta. Historicamente, o Cruzeiro é conhecido por ser uma das equipes mais duras de ser batidas em seus domínios e, de um instante para o outro, se tornou uma das maiores “tetas” para quem joga como visitante. A defesa sofre para não levar gols e cada tento marcado a favor é um verdadeiro parto. O que levanta e põe em xeque ao mesmo tempo as duas principais linhas de investigação do caso. A primeira a cair por terra ainda em seu nascedouro é a da qualidade técnica do elenco. O elenco da Raposa nunca foi, nos últimos vinte meses, tão ruim para justificar a fraca campanha como mandante. O Cruzeiro sempre teve nesse período bons jogadores á disposição e, portanto, condições de reverter o quadro com seu material humano.

O fator psicológico parecer ser o mais plausível neste caso. A torcida do Cruzeiro é reconhecidamente muito exigente e a pressão por grandes resultados com certeza afeta os jogadores. Depois de um período vencedor e de futebol altamente vistoso como o de 2013-2014, a expectativa é de que a boa fase se mantenha e qualquer coisa que não seja vitórias e atuações convincentes irrita profundamente a impaciente torcida celeste. É fato que o Cruzeiro não está acostumado a passar tanto tempo em situação delicada e não é fácil assimilar isso. Porém, como compreender que atletas profissionais, que vivem o dia-dia dos grandes clubes, que estão acostumados á pressão, muitos deles com carreiras vitoriosas, inclusive dentro do Cruzeiro, não consigam contornar tal pressão e recuperar o protagonismo do time como mandante?

Talvez se possa apelar ao sobrenatural e, tal como o saudoso e folclórico ex-presidente do Corinthians, Vicente Mateus, sair cavando o gramado do Mineirão até encontrar uma cabeça de burro enterrada. Quem sabe não seria interessante a direção celeste contratar um Pai-de-Santo para desfazer alguma macumba que tenha sido rogada contra a Raposa? Quem sabe encomendar uma missa e pedir as bênçãos de Deus para a equipe e assim mudar o quadro? São possibilidades. O certo é, sejam quais forem os seus fantasmas, já passou da hora de o Cruzeiro exorcizá-los e deixar de ter Mineirão e suas inflamadas arquibancadas como adversários e voltar a tê-los como aliados e ser novamente temido por quem pisa em seus domínios. Hoje à noite o Cruzeiro tem tudo para começar escrever uma nova história no Mineirão. E eu, se fosse o treinador ou um dos jogadores, trataria de não a perder!