Empresária de toner elimina peso com o Pole; vira campeã e dona de academia

Empresaria elimina peso com o Pole foto Acervo Pessoal e Edilene Mendonca

A ex-empresária de toner e cartuchos Edi Reis, 51 anos, está prestes a comemorar sua primeira década no Pole (Dance/Sports) com conquistas bem além de sua meta inicial, eliminar o peso extra que afetava sua auto-estima. Depois de fracassadas tentativas no ballet, Aikido, caratê e corrida, enfim perdeu 20 kg com o Pole , virou instrutora, campeã e hoje administra sua própria academia. Entre os pódios mais recentes estão o bronze na categoria 50+ do Mundial de Londres, em julho passado, e o ouro no master do Campeonato Brasileiro de Pole Sports (CBPS) 2015.

“O emagrecimento veio por consequência, era diferente das outras atividades que eu praticava com aquele objetivo; se tornou uma paixão, eu tinha uma vontade de fazer os movimentos”, disse. A história desta ourinhense, que entrou para o Pole há nove anos com 72 kg (1.55 de altura) e chegou a perder 20 kg (hoje está 55.5kg), mostra as possibilidades de se dar novo rumo para a vida através do esporte, independente da idade. Confira nesta entrevista exclusiva ao Torcedores.com.

LEIA TAMBÉM:
http://torcedores.com/noticias/2015/06/pole-sports-pleiteia-ser-reconhecido-como-esporte-e-inclusao-nos-jogos-olimpicos

T.com: A sua eliminação de peso esteve atrelada a alguma dieta alimentar?
Edi Reis: Eliminei 20 quilos em um ano e meio, cheguei a pesar 52 kg e atualmente estou com 55.5 pelo ganho de massa muscular. Quando comecei a emagrecer, graças ao Pole, a pele começou a melhorar e a celulite a diminuir, automaticamente aquilo me motivou, então eu passei a comer coisas mais saudáveis. Então não se tratava de dieta porque eu não tinha uma nutricionista, nada disso, e também não sabia fazer uma dieta de acordo. Simplesmente parei de comer algumas besteiras que eu comia demais (pizza todo final de semana, Mac Donalds…).

T.com: Qual o principal benefício na prática do Pole?
Edi Reis: O emagrecimento é consequência de várias atividades físicas, é óbvio, mas o principal no Pole, pra mim, é o ganho de massa muscular. Eu fui contra tudo o que a medicina diz, por exemplo, que após os 40 anos você tem perda de massa muscular, eu só ganhei.

T.com: Qual a sua conquista mais importante no Pole, falando em campeonato? No Mundial de Londres julho passado garantiu o bronze e foi à única brasileira a subir ao pódio…
Edi Reis: Ser a única medalhista em Londres foi fantástico (além da Edi outros 10 brasileiros estavam classificados para a edição de julho passado), mas eu acho que ganhar dentro do meu país, o Campeonato Brasileiro, é o mais legal. Todas as conquistas são importantes. Aliás, isso pra mim é uma realização pessoal, não tem muito a ver com fama ou sucesso, é pessoal mesmo. Cada vez que eu vou competir eu me supero, então me motiva a continuar.

Torcedores.com: E como você entrou para o Pole?
Edi Reis: Fiquei encantada com os movimentos da atriz Flávia Alessandra, intérprete da personagem Alzira na novela Duas Caras, em uma barra de metal. Pesquisei no Google e vieram muitas coisas de fora do Brasil; fui ao Yahoo e descobri a Christina Longui que havia publicado vídeo dela dançando, com telefone de contato. Liguei milhões de vezes e quando consegui falar ela também não tinha nenhum lugar que praticava, ninguém que ensinava, tinha uma barra em casa porque também tinha visto na novela. Então começamos a treinar juntas, depois chegaram a Alessandra Telles e a Mari Silva. Imagine as quatro dentro de uma sala, com duas barras, depois três, pra tenta fazer os exercícios que a gente via em vídeos do Youtube, já que não tinha professor em São Paulo, só a Grazzy Brugner em Curitiba, mas em Curitiba não tinha condições de ir, então treinávamos sozinhas.

T.com: Em que momento o Pole se tornou sua fonte de renda?
Edi Reis: Após um ano de Pole fiquei sem uma microempresa que a família tinha (recarga de cartuchos e toner), como eu já tinha formação (fiz curso com a Elisangela Reis, brasileira que morava na Argentina e veio dar um seminário em SP), passou a ser a minha atividade principal e comecei a ganhar com as aulas de instrutora. Ao longo dos anos entrei para as competições, peguei o terceiro lugar em meu primeiro campeonato (Miss Pole Dance Glamour 2010), de lá pra cá vim ganhando títulos quase todos os anos, com exceção de 2013 devido a uma lesão, e hoje sou proprietária da Steel Dance, em Alphaville. Então, assim, a minha visibilidade dentro do Pole foi sempre através de muito esforço.

T.com: Como aconteceu a lesão? Pensou que o Pole acabaria pra você?
Edi Reis: Rompi os dois posteriores da coxa esquerda durante uma competição, num movimento chamado torre de pisa, mas um ano depois fui vice Campeã Brasileira. Na verdade, na hora, eu achei que tinha só distendido o músculo. Uma semana depois consegui marcar um médico do esporte e ele deu a notícia que eu tinha rompido um posterior de coxa, aí fui fazer uma ressonância magnética e ele disse que tinha uma notícia boa e uma ruim. A boa é que eu não tinha osteoporose, porque rompeu o posterior e não trouxe o osso do ísquio junto; porém eu não tinha rompido um músculo, e sim dois.

T.com: Por não ser uma atividade reconhecida como esporte, inexistindo a figura do investidor, você lutou pela recuperação sozinha?
Edi Reis: Tive ajuda divina de uma amiga na indicação do CETE – UNIFESP, que tratava os jogadores de futebol e eles me trataram como a primeira lesão por Pole Dance. Tudo gratuito, o melhor tratamento que eu poderia ter na vida.

T.com: Você considera a prática do Pole arriscada? Qual a orientação que você passa para os interessados na atividade?
Edi Reis: Considero arriscada, perigosa, risco mesmo, de alguma lesão na coluna, muito perigoso. Mas, a orientação é ouvir o professor, procurar saber quem é o instrutor que está ensinando porque a pessoa tem que ter experiência na modalidade; não pode ser uma pessoa qualquer que se formou ontem e não sabe nem o que está fazendo.

T.com: Em virtude da abertura de agenda de competições IPSF, este ano não haverá o Campeonato Brasileiro, só em 2017. Qual a sua expectativa?
Edi Reis: Estou muito feliz porque vai ter a categoria 50+, até o ano passado eu competia na 40+, e isso é bom pra mim, é mais uma chance de eu conseguir uma medalha. De novo, vou treinar pra caramba, não sou pretensiosa em dizer que vou pegar o primeiro lugar, eu acho que isso é uma coisa que a gente sempre pode ser surpreendida e temos que estar prontos pra tudo. E assim vou ficando cada vez mais motivada a treinar movimentos diferentes.

T.com: Qual a sua principal referência no Pole Sports?
Edi Reis: A Oona Kivela, 33 anos, porque acho que é a pessoa mais completa no Pole: força, flex, linda, perfeita.

Edi Reis Londres 2016 foto Arquivo Pessoal
Prática do Pole exige equilíbrio, flexibilidade, força, resistência e orientação profissional

T.com: Por que o Pole deve ser reconhecido como esporte?
Edi Reis: Isso é uma coisa meio polêmica, uma faca de dois gumes. Por um lado o Pole é um esporte forte, difícil, lindo, como uma ginástica artística, todo o movimento de solo da artística você vê na barra de Pole, isso é um esporte. Por outro lado, se for reconhecido como um esporte muitos instrutores vão perder a oportunidade de dar aulas, porque não são formados em Educação Física, o que não aconteceria comigo, já que tenho oito anos de aula, além da questão de ficar muito engomadinho, sempre a mesma coisa, com os movimentos obrigatórios. Mas nós lutamos por isso, então acredito que ele vai ser reconhecido como esporte sim, questão de tempo. Vai demorar um pouco ainda, não é uma coisa que vai acontecer já; mas a gente tem que pensar na grandiosidade, não só no nosso amor pelo Pole.

Além do bronze no Mundial de Londres 2016 e no primeiro campeonato, Miss Pole Dance Glamour 2010, Edi Reis contabiliza em sua trajetória quatro títulos como campeã (Pole Art Brasil 2016, Brasileiro de Pole Sports 2015 (master), Brasileira de Pole Dance 2011 e Paulista de Pole Dance 2011) e três em segundo lugar (Brasileira Master de Pole Dance 2014, I Pole Battle Rio de Janeiro 2012, Sul-Americana 2011). Assim como Edi Reis, suas companheiras de treino, lá no início, em 2007, estão todas com academia, mas nem todas competindo.

Diferente do Pole Dance (sensual) com vários campeonatos ao longo do ano, o Pole Sports (na luta pelo reconhecimento como esporte para se tornar olímpico) conta com calendário único. Em tempo, devido à unificação do calendário de competições da Liga Brasileira de Sports (LBPS) junto à Federação Internacional de Pole Sports (IPSF) em 2016 não haverá competição no Brasil. A segunda edição do CBPS, única a habilitar os vencedores da categoria Elite para o Mundial, está programada para os dias 25 e 26 de março de 2017, em Florianópolis/ Santa Catarina. Já o Mundial IPSF 2017 está previsto para julho de 2017, na Holanda.

Crédito das fotos: Arquivo Pessoal Edi Reis, Edilene Mendonça e Pole Sports/Divulgação.



Edilene Mendonça é jornalista diplomada pela UNISA (Universidade de Santo Amaro). Sua trajetória profissional inclui atuações em produtora de vídeo, tevê, campanha política, assessoria de imprensa, site infantil e esporte. Pós-graduada em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte (FMU).