Olimpíadas: em que posição o Brasil ficaria se tudo saísse como planejado?

Divulgação/CBV

Os Jogos Olímpicos do Rio 2016 foram oficialmente encerrados na noite deste domingo. A edição carioca ficará para a história como palco da melhor participação brasileira no evento, tanto no número total de medalhas quanto no critério de medalhas douradas. Ficamos em 13º lugar na classificação final de ambos os critérios, com 7 medalhas de ouros, 6 de prata e outras 6 de bronze. Ainda assim, a meta estabelecida pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) não foi cumprida.

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Bem antes de começar a Olimpíada, o órgão previa que o Brasil colecionaria entre 22 e 30 medalhas, saldo que o colocaria certamente no top 10. Com 19 medalhas, ficamos a somente três do Canadá, exatamente o 10º colocado no ranking. Se nos surpreendemos positivamente em modalidades pouco faladas antes dos Jogos, como o tiro esportivo, o salto com vara masculino, a maratona aquática e a canoagem de velocidade, outras, que eram carro-chefe da delegação brasileira, decepcionaram.

QUEM DECEPCIONOU?

Antes das Olimpíadas terem início no Rio de Janeiro, esportes como vôlei, de quadra e da praia, futebol, vela e judô eram bastante esperados no pódio pelo Brasil. Modalidades como handebol e tênis, embora nunca antes tivessem rendido medalhas ao país, encontravam-se em boa fase e também poderiam ser consideradas favoritas à glória olímpica.

Se o vôlei masculino, tanto nas areias quanto no Maracanãzinho, brilharam com dois ouros, por outro lado as mulheres tiverem grandes baques. Nas quadras, o time bicampeão olímpico comandado por José Ricardo Guimarães foi eliminado precocemente nas quartas de final pelas chinesas, que sairiam do Rio com o ouro. Nas areias, Larissa e Talita, dupla líder do circuito mundial, terminaram apenas em quarto lugar e fora do pódio.

Brasil era grande favorito ao tri olímpico no feminino. Foto: Divulgação/CBV
Brasil era grande favorito ao tri olímpico no feminino. Foto: Divulgação/CBV

Só lembrando que Evandro e Pedro Solberg também chegaram como favoritos, até mais do que os campeões Alisson e Bruno Schmidt, porém saíram logo nas oitavas de final. Veja: só nisso, foram três possíveis medalhas escorrendo pelo ralo, independentemente se seriam ouro ou não.

No campo, a seleção feminina comoveu o Brasil todo com a dura eliminação na semifinal. Era, talvez, a última chance da geração de Marta, Formiga e Cristiane chegar, finalmente, ao ouro olímpico, porém o revés nos pênaltis para a Suécia jogou a equipe para a disputa do bronze ao invés do primeiro lugar. A derrota para o Canadá deixou as brasileiras num melancólico quarto lugar. Essa era uma medalha taxada como certa antes do início da Olimpíada.

Seleção feminina de futebol não passou das semifinais. Foto: Mowa Press / Divulgação
Seleção feminina de futebol não passou das semifinais. Foto: Mowa Press / Divulgação

Na natação, tínhamos três grandes chances de subir ao pódio: com Bruno Fratus, nos 50m nado livre, com Thiago Pereira, nos 200m medley, e Etiene Medeiros nos 50m costas. Quem mais chegou perto foi Frattus, quinto em sua final. Pereira, mesmo em sétimo na prova vencida pelo fenômeno Michael Phelps, esteve na briga pelo pódio nos primeiros 150m, mas cansou na perna final. Já Etiene terminou em oitavo na final dos 50m costas.

Na maratona aquática, o Brasil também tinha chances. A medalha veio, mas com a experiente Poliana Okimoto, que ficou com o bronze. Ana Marcela Cunha, a mais badalada das nadadoras brasileiras e campeã mundial em 2015, ficou longe do pódio com apenas a décima posição.

Robert Scheidt
Robert Scheidt ficou fora do pódio na classe Laser da vela no Rio/2016. Foto: Reprodução/Twitter

No iatismo, mantivemos a rotina de medalhas, e de ouros, com o primeiro lugar de Martine Grael e Kahena Kunze na classe 49er FX feminino. O multicampeão Robert Scheidt, todavia, ficou fora do pódio pela primeira vez desde que estreou nos Jogos, em Atlanta (1996). Jorge Zarif, outro que tinha grandes chances de medalha, também ficou em quarto no resultado final da classe Finn.

No judô, o Brasil obteve três medalhas, sendo uma de ouro com Rafaela Silva, e os bronzes de Mayra Aguiar e Rafael “Baby” Silva. Primeira brasileira a conquistar duas medalhas em Olimpíadas – tinha sido bronze também em Londres -, Mayra entrou como favorita para chegar, ao menos, à final. Uma decisão esperada por todos contra a americana Kayla Harrison, porém o terceiro lugar não apaga em nada seu destaque na delegação verde-amarela.

Sarah Menezes era esperança de medalha no judô. Foto: Getty Images
Sarah Menezes era esperança de medalha no judô. Foto: Getty Images

Os resultados decepcionantes no judô foram Sarah Menezes, ouro em Londres, e Érika Miranda. Ambas eram esperadas no pódio da Arena Carioca 2, porém terminaram derrotadas ainda na repescagem. No masculino, o experiente Thiago Camilo não foi além das oitavas de final sem repetir a prata de Sydney/2000 ou o bronze de Pequim/2008.

No basquete masculino, o Brasil estava no “bolo” para brigar pelo pódio, atrás somente do fortíssimo time dos Estados Unidos. A campanha, porém, foi aquém ainda na fase de grupos, com derrotas para Lituânia, Croácia e especialmente para a Argentina, mesmo após liderar grande parte do jogo e da prorrogação. O caminho para uma possível medalha terminou cedo demais, antes da fase mata-mata.

Brasil nem passou da fase de grupos no torneio masculino de basquete. Foto: Getty Images
Brasil nem passou da fase de grupos no torneio masculino de basquete. Foto: Getty Images

No handebol feminino, as meninas do Brasil chegaram ao Rio com esperança real de pódio. Campeão mundial em 2013, o time do técnico Morten Soubak passou muito bem pela primeira fase, porém erros cruciais ainda nas quartas de final contra a estreante Holanda adiaram mais uma vez o sonho inédito de medalha. Assim como o futebol e o vôlei, elas mereciam um pódio dentro de casa, principalmente após um ciclo olímpico cheio de alegrias.

Finalmente, no tênis, a grande esperança de medalha estava com a dupla Marcelo Melo e Bruno Soares. Campeões de Grand Slam no circuito mundial, e com Melo tendo liderado recentemente o ranking mundial da modalidade, os mineiros tinham grande peso nos ombros, que aumentou ainda mais com a não vinda dos irmãos americanos Bob e Mike Bryan, bicampeões olímpicos nos Jogos de Pequim e Londres.

Bruno Soares e Marcelo Melo ficaram a uma vitória da disputa de medalhas no tênis. Foto: Cristiano Andujar / CBT
Bruno Soares e Marcelo Melo ficaram a uma vitória da disputa de medalhas no tênis. Foto: Cristiano Andujar / CBT

Após ótimo começo, Melo e Soares ficaram a um jogo da disputa da medalha, já que foram eliminados ainda nas quartas de final para os romenos Florin Mergea e Horia Tecau. Surpresa positiva nas simples, Thomaz Bellucci esteve próximo de bater Rafael Nadal e avançar à semifinal, porém seu desempenho encheu o país de orgulho. Ainda que sem medalhas.

Ora, de todas as modalidades citadas em nossa “suposição”, certamente o Brasil tinha chances reais de conquistar, ao menos, três medalhas a mais para somar no quadro de medalhas do Rio 2016. Assim ultrapassaria o Canadá, exatamente o 10º país no ranking olímpico, em número de medalhas.

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Esportista de hobby, mas jornalista de profissão. Trabalhou como repórter do O Estado de S. Paulo, Revista TÊNIS. Tênis Virtual e CurtaTÊNIS em coberturas nacionais e internacionais de grandes eventos.