Opinião: Feliz aniversário, Piquet

Crédito da Foto: Reprodução/Facebook/Nelson Piquet

Nesse último 17 de agosto um dos maiores gênios que eu já vi, o tricampeão Nelson Piquet, comemorou mais um aniversário.

Como eu já havia dito em outros textos meus, acompanho Fórmula 1 desde 1983 e pude acompanhar dois dos três títulos de Piquet e foi um privilégio ter tido essa oportunidade, pois o ex-piloto mostrou o quanto um campeão pode vencer sem muitas vezes ter o melhor carro.

Pesquisando o que aconteceu na F1 antes de 83 pude constatar que Piquet começou na categoria no final de 1978 correndo com um carro de aluguel, mas Bernie Ecclestone percebeu seu talento e o contratou para a Brabham  em 1979.

Em 1980, certamente teria vencido o campeonato não fosse alguns erros de sua equipe nas últimas corridas, mas de qualquer forma Piquet já era visto como um sucessor natural de Emerson Fitipaldi. Em 1981, veio o seu primeiro campeonato contra o argentino Carlos Reutmann.

Além de um talento espetacular, Piquet tinha outra marca na sua personalidade: o seu senso de humor ácido.

Em 74, Reutmann não percebeu o talento do brasileiro e lhe disse com todas as letras que o tricampeão não servia para limpar um capacete. Após levar o titulo mundial, Piquet devolveu a humilhação.

“Talvez eu não sirva pra limpar teu capacete mas você pode limpar o meu que é de campeão do mundo”, disse.

Em 82, as inovações técnicas não permitiram que Piquet tentasse a defesa do título, mas o ano foi marcado pela polêmica com o chileno Eliseo Salazar no GP da Alemanha, quando agrediu o adversário, que era retardatário, e lhe tirou da corrida ao não frear na chicane. Aos berros Piquet disse: “Salasar não é piloto, é motorista”.

Em 83, Piquet se consolidou como o gênio da era turbo ao conquistar o bicampeonato em disputa contra a Renault de Alain Prost. Mo ano seguinte, com uma atuação espetacular no GP do Canadá quando venceu a corrida de ponta a ponta com o radiador do carro esquentando seu pé.

Em 85, ao vencer de forma estratégica o GP da França. Em 86, por fim Nelson voltaria a ter um carro competitivo mas foi prejudicado pela disputa interna com Mansell. Ainda assim fez sua melhor corrida na carreira no GP da Hungria ao ultrapassar Ayrton Senna por fora escorregando nas quatro rodas. A manobra me impressionou ainda mais por não ter sido contra um piloto qualquer e sim contra um campeão do mesmo calibre .

Em 87, Piquet teve aquela que foi na minha opinião sua melhor atuação na carreira pois sofreu um grave acidente nos treinos para o GP de San Marino e perdeu sua visão de profundidade ficando mais lento que Mansell. Entretanto mostrou a astucia dos grandes campeões ao bater o inglês correndo mais como mecânico do que como piloto conquistando assim seu tricampeonato.

Em 88, Piquet foi impedido pelas limitações do problemático carro dourado da Lotus, que utilizava o motor Honda e tinha suspensão ativa, mas o carro tinha problemas aerodinâmicos e no chassi. Fora isso a suspensão ativa da Lotus ainda estava em desenvolvimento e roubava cerca de 5% de potência do motor Honda, muito mais que os 0,7% da suspensão ativa desenvolvida pela Williams de Piquet.

Em 90 já em fase final de carreira ajudou Flavio Briatore a desenvolver o famoso modelo da Benneton com o bico de tubarão com o qual o alemão Michael Schumacher venceria dois títulos alguns anos depois .

Como um fã do automobilismo sempre respeitei demais o talento de Piquet e me sinto sortudo de ter acompanhado 2 dos seus 3 títulos. Infelizmente em um pais tão atrasado a nível esportivo como o Brasil acho pouco provável que tenhamos um outro piloto como ele por aqui mas desejo que Piquet continue colhendo em vida os frutos de seu talento espetacular.